O clássico entre Atlético-MG e Cruzeiro ganhou um novo capítulo antes mesmo da bola rolar pela partida decisiva das quartas de final da Copa do Brasil. O julgamento de Kaio Jorge, realizado nesta segunda-feira (31) pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), foi marcado por uma forte discussão entre os representantes dos clubes e por uma declaração contundente do advogado do Atlético-MG, Rafael Libertuci, que classificou o lance envolvendo o atacante cruzeirense e o zagueiro Ruan Tressoldi como uma “tentativa de homicídio”.
A fala elevou ainda mais a temperatura de um confronto que já vinha cercado de rivalidade desde o primeiro jogo das quartas de final. Apesar do tom adotado pela defesa atleticana e do pedido por uma punição mais severa, o STJD decidiu converter a suspensão de um jogo em advertência, deixando Kaio Jorge liberado para atuar no duelo desta terça-feira (1º), às 21h, na Arena MRV.
A decisão significa que o atacante estará à disposição do Cruzeiro justamente no jogo que definirá quem avança às semifinais da Copa do Brasil. No primeiro confronto, realizado no Mineirão, os rivais empataram por 1 a 1. Agora, quem vencer garante a classificação; em caso de novo empate, a vaga será decidida nos pênaltis.
“Tentativa de homicídio”, diz advogado do Atlético
Durante o julgamento, Rafael Libertuci criticou a interpretação apresentada pela defesa do Cruzeiro, que tentou enquadrar o lance como uma situação semelhante à chamada “cama de gato”, jogada em que um atleta provoca o desequilíbrio do adversário em uma disputa aérea.
O advogado do Atlético contestou essa versão e afirmou que, na avaliação dele, Kaio Jorge teria atingido Ruan de maneira deliberada.
“O que o Kaio Jorge fez não foi uma cama de gato, foi uma agressão deliberada. Ele olha o jogador e dá uma ombrada. Não é uma cama de gato, é uma tentativa de homicídio.”
A declaração provocou reação durante a sessão e levou a um momento de confronto entre os advogados dos dois clubes. Libertuci também afirmou que o caso poderia ter consequências muito mais graves para Ruan Tressoldi e chegou a defender que a situação poderia resultar até no banimento de Kaio Jorge.
O advogado ainda acusou o atacante de reincidência em episódios envolvendo jogadores do Atlético e questionou quando o STJD adotaria uma postura mais rigorosa em relação ao comportamento do atleta nos clássicos.
Defesa do Cruzeiro rebateu acusação
Do outro lado, o advogado do Cruzeiro, Michel Assef Filho, contestou a interpretação apresentada pelo Atlético e sustentou que o julgamento deveria considerar a conduta do jogador, e não apenas o resultado da queda sofrida por Ruan.
A defesa classificou o episódio como uma falta que pode acontecer durante uma partida e argumentou que a queda do zagueiro produziu uma consequência que não necessariamente representa a intenção de quem participou da jogada.
A defesa também apresentou outros lances considerados semelhantes para tentar demonstrar que situações parecidas acontecem no futebol sem necessariamente resultar em punições disciplinares.
Ruan caiu de cabeça e precisou deixar o jogo
A polêmica teve origem logo no início do primeiro jogo entre Atlético e Cruzeiro, no dia 25 de agosto, no Mineirão.
Ruan Tressoldi subiu para disputar uma bola pelo alto e acabou sendo deslocado por Kaio Jorge. Na queda, o zagueiro bateu a cabeça e o pescoço contra o gramado, precisando deixar a partida após apresentar sintomas compatíveis com concussão.
O defensor chegou a retornar inicialmente ao campo, mas voltou a apresentar desconforto e foi retirado seguindo o protocolo médico. Depois, foi encaminhado ao hospital, passou por exames e recebeu alta sem constatação de lesão grave.
Após o episódio, Kaio Jorge enviou uma mensagem privada a Ruan pedindo desculpas pelo lance. O zagueiro, posteriormente, criticou publicamente a postura do atacante.
STJD decidiu pela advertência
A Procuradoria do STJD havia denunciado Kaio Jorge por uma jogada considerada violenta, com possibilidade de suspensão. Durante o julgamento, quatro dos cinco auditores votaram por uma suspensão de um jogo, mas a pena acabou sendo convertida em advertência. Um dos auditores votou por uma punição de três partidas.
Com a decisão, Kaio Jorge não precisará cumprir suspensão e poderá entrar em campo na noite desta terça-feira.
O resultado provocou reação entre os atleticanos, especialmente porque o Atlético havia defendido uma punição mais pesada para o atacante. A decisão, entretanto, manteve o jogador disponível justamente para o confronto que vale uma vaga na semifinal da Copa do Brasil.
Agora, tudo será decidido dentro de campo
Com o julgamento encerrado, a polêmica jurídica dá lugar novamente ao futebol. Atlético-MG e Cruzeiro se enfrentam nesta terça-feira (1º), às 21h, na Arena MRV, em Belo Horizonte.
Depois do empate por 1 a 1 no primeiro jogo, não existe vantagem para nenhum dos lados. Uma vitória garante a classificação, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.
E Kaio Jorge estará em campo.
O atacante, que virou um dos principais personagens da semana por causa do lance com Ruan e do julgamento no STJD, agora terá a oportunidade de responder dentro das quatro linhas. Do outro lado, o Atlético chega ao confronto sabendo que precisa vencer ou superar o rival nas penalidades para continuar vivo na competição.
Relembre
A polêmica começou no primeiro minuto do empate por 1 a 1 entre Atlético-MG e Cruzeiro, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Ruan Tressoldi sofreu uma queda após disputa com Kaio Jorge, bateu a cabeça e precisou ser substituído e levado ao hospital.
O Atlético posteriormente levou o caso ao STJD, enquanto Kaio Jorge chegou a pedir desculpas ao zagueiro. No julgamento desta segunda-feira, o advogado atleticano pediu uma punição mais dura e chamou o lance de “tentativa de homicídio”.
O STJD, porém, não seguiu essa linha de punição: aplicou suspensão de um jogo e converteu a pena em advertência, deixando o atacante do Cruzeiro livre para disputar a decisão desta terça-feira.






