Marília Campos (PT) abriu vantagem na disputa pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado e aparece isolada na liderança da nova pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25). A ex-prefeita de Contagem tem 15% das intenções de voto no resultado combinado das duas escolhas para senador, praticamente o dobro dos 8% registrados pelo senador Carlos Viana (PSD), candidato à reeleição, e pelo deputado federal Domingos Sávio (PL). Logo atrás aparece Marcelo Aro (PP), com 6%. Se a fotografia atual coloca Marília destacada na corrida por uma das cadeiras, a segunda vaga está longe de ter dono: Viana, Domingos e Aro estão separados por apenas dois pontos percentuais e permanecem embolados dentro da margem de erro de três pontos para mais ou para menos.
O cenário é particularmente importante porque, diferentemente de 2022, quando apenas uma cadeira por estado foi renovada, nas Eleições 2026 cada eleitor mineiro poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado. Serão renovados dois terços da Casa, o equivalente a 54 das 81 cadeiras. Em Minas, portanto, os dois candidatos mais votados serão eleitos. O próprio TSE esclarece que o cargo de senador terá duas vagas em disputa e que cada eleitor poderá escolher dois nomes.
Marília abre sete pontos e aparece isolada no topo
No resultado geral divulgado pela Quaest, Marília registra 15%, enquanto Carlos Viana e Domingos Sávio aparecem com 8% cada. Marcelo Aro vem imediatamente depois, com 6%. Na sequência estão Áurea Carolina (PSOL), Marco Antônio Superman (Novo) e Carlin Moura (Avante), com 2% cada. Outros candidatos registram entre zero e 1%.
A distância de sete pontos entre Marília e os dois candidatos que aparecem numericamente em segundo lugar coloca a petista, neste momento, em uma situação diferente da enfrentada pelo restante do pelotão da frente. Mesmo considerando a margem de erro máxima de três pontos percentuais, Marília permanece isolada dos candidatos com 8%: seu intervalo teórico varia de 12% a 18%, enquanto Viana e Domingos oscilariam entre 5% e 11%.
Isso permite dizer que Marília está, nesta fotografia eleitoral, disparada na primeira colocação, embora não permita antecipar o resultado de outubro. A campanha ainda está em seu início, o número de indecisos permanece muito elevado e mais da metade dos entrevistados admite que ainda pode mudar de candidato.
Marília chega à disputa depois de uma longa trajetória eleitoral em Contagem e na Assembleia Legislativa. Psicóloga formada pela UFMG, foi vereadora, deputada estadual por três mandatos e comandou a Prefeitura de Contagem em diferentes períodos, tendo deixado o Executivo municipal em 2026 para disputar o Senado.
A verdadeira briga, por enquanto, está pela segunda cadeira
Se uma das vagas aparece hoje com Marília na dianteira, a outra cadeira está completamente aberta. Carlos Viana e Domingos Sávio estão rigorosamente empatados com 8%. Viana busca renovar o mandato conquistado em 2018 e atualmente cumpre o período 2019-2027 no Senado. Domingos Sávio, por sua vez, deixou a disputa por mais um mandato na Câmara dos Deputados para tentar chegar ao Senado pelo PL.
Apenas dois pontos percentuais atrás, Marcelo Aro aparece com 6%. Como a margem de erro da Quaest é de três pontos para mais ou para menos, não existe vantagem estatisticamente segura de Viana ou Domingos sobre Aro. Em termos de margem, os candidatos com 8% podem variar entre 5% e 11%, enquanto Aro, com 6%, teria intervalo de 3% a 9%.
Traduzindo os números: Carlos Viana, Domingos Sávio e Marcelo Aro estão efetivamente embolados na disputa pela segunda vaga. Aro já tentou chegar ao Senado em 2022, quando recebeu pouco mais de 2 milhões de votos, mas não foi eleito. Ex-deputado federal e ex-secretário do governo mineiro, deixou o Executivo estadual neste ano para novamente disputar a cadeira.
Primeiro voto reforça vantagem de Marília
A Quaest permite olhar para a disputa de outra maneira porque perguntou separadamente qual seria o primeiro e o segundo voto dos entrevistados para senador. Quando considerado exclusivamente o primeiro voto, Marília alcança 19%. Carlos Viana e Domingos Sávio aparecem novamente empatados, agora com 10% cada, enquanto Marcelo Aro tem 6%. Nesse recorte, a vantagem da petista sobre Viana e Sávio sobe para nove pontos percentuais.
No segundo voto, a diferença diminui: Marília aparece com 10%, enquanto Carlos Viana, Domingos Sávio e Marcelo Aro registram exatamente 6% cada. Esse resultado torna ainda mais evidente o grau de indefinição em torno da segunda cadeira.
É importante compreender a forma de apresentação dos números. No resultado principal, os percentuais combinam as respostas dadas para a primeira e para a segunda escolha e são apresentados em uma escala total de 100%. Isso explica por que os índices podem parecer relativamente baixos mesmo em uma eleição na qual cada eleitor possui dois votos.
31% ainda estão indecisos
Há um componente que impede qualquer leitura de eleição definida: 31% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar. Outros 21% declararam intenção de votar em branco, anular ou não votar. Portanto, mais da metade das respostas reunidas nesse cenário ainda não aponta para nenhum dos candidatos apresentados.
A Quaest fez outra pergunta que reforça essa volatilidade. Somente 48% afirmaram que sua escolha para o Senado é definitiva, enquanto 52% disseram que ainda podem mudar de voto até 4 de outubro.
Na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao entrevistado, o quadro é ainda mais impressionante: 94% não souberam indicar um candidato ao Senado. Marília foi mencionada espontaneamente por 2%, enquanto Carlos Viana e Áurea Carolina receberam 1% cada.
Esses números mostram que a eleição para senador está muito menos amadurecida do que outras disputas. Para muitos eleitores, definir os dois votos para o Senado ainda é uma decisão distante e que provavelmente ganhará corpo com o avanço da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, debates, agendas pelo interior e maior exposição das candidaturas.
Datafolha já havia mostrado Marília na frente
A liderança da petista não aparece apenas na Quaest. Pesquisa Datafolha divulgada quatro dias antes, em 21 de agosto, também colocou Marília em primeiro lugar, naquele levantamento com 11%. Carlos Viana tinha 8%, Domingos Sávio 6% e Marcelo Aro 5%.
Não é correto comparar diretamente percentuais de institutos diferentes como se fossem uma série única, porque metodologia, amostragem e questionários podem variar. Mas os dois levantamentos apresentam uma característica semelhante: Marília ocupa a primeira posição, enquanto os candidatos seguintes aparecem muito próximos uns dos outros. O cenário atual da Quaest, porém, é ainda mais favorável à petista, porque sua distância para os concorrentes mais próximos chegou a sete pontos.
Quaest anterior tinha Aécio e mudou bastante o desenho da disputa
A fotografia de agosto também é bastante diferente da pesquisa Quaest divulgada em julho, quando a lista de possíveis candidatos ainda tinha outra composição. Naquele momento, Marília aparecia com 18% no principal cenário, seguida por Aécio Neves (PSDB), com 16%. Carlos Viana tinha 11%, Marcelo Aro 10% e Domingos Sávio 9%.
Com a definição das candidaturas e Aécio fora da disputa pelo Senado, o tabuleiro foi reorganizado. Marília continua no topo, mas os votos que anteriormente apareciam distribuídos entre outros nomes ainda não se acomodaram de forma definitiva em torno de um candidato para a segunda cadeira. É justamente nessa faixa que Viana, Domingos e Aro travam agora uma das disputas mais abertas das eleições mineiras.
Rejeição também poderá pesar na reta seguinte
A pesquisa verificou ainda a rejeição aos principais nomes. Entre os candidatos da dianteira, Carlos Viana aparece com a maior rejeição, de 19%. Marília registra 16%, enquanto Domingos Sávio e Marcelo Aro aparecem com 14% cada. Esse indicador tende a ganhar importância à medida que os candidatos se tornem mais conhecidos. Uma eleição para duas vagas produz estratégias diferentes de uma disputa majoritária tradicional: o mesmo eleitor pode, por exemplo, escolher candidatos de campos políticos distintos para o primeiro e o segundo votos.
Essa característica aumenta a importância de alianças, dobradinhas e campanhas destinadas não apenas a conquistar a primeira preferência, mas também a aparecer como uma alternativa aceitável para o segundo voto do eleitor.
Uma cadeira com favorita; outra em aberto
A fotografia da Quaest desta terça-feira pode ser resumida em dois movimentos. O primeiro é bastante claro: Marília Campos inicia essa etapa da campanha à frente e isolada, com 15%, sete pontos acima dos adversários mais próximos.
O segundo é muito mais indefinido: Carlos Viana e Domingos Sávio têm 8% cada, enquanto Marcelo Aro chega logo atrás com 6%. Com três pontos de margem de erro, não há separação estatística suficiente para determinar quem está melhor posicionado para ocupar a outra vaga.
Além disso, 31% ainda estão indecisos, 52% admitem mudar o voto e 94% não conseguem citar espontaneamente um candidato. Portanto, se Marília tem hoje uma dianteira confortável, a segunda cadeira mineira no Senado está totalmente em jogo. E há votos suficientes ainda sem dono para mudar toda essa fotografia até outubro.
Sobre a pesquisa
A Quaest entrevistou presencialmente 1.506 eleitores de Minas Gerais entre os dias 21 e 24 de agosto. O levantamento, contratado pela Globo Comunicação e Participações, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MG-04060/2026.
Nota de transparência: esta matéria contou com o auxílio de IA na organização e estruturação do conteúdo, sob orientação e revisão editorial do Divinews.






