O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontou a influenciadora e advogada Deolane Bezerra como uma das principais integrantes do núcleo financeiro de um esquema atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em manifestação apresentada à Justiça, o órgão descreveu Deolane como o “verdadeiro caixa da organização criminosa” e defendeu a manutenção de sua prisão preventiva. A influenciadora nega envolvimento com a facção.
A manifestação faz parte dos desdobramentos da Operação Vérnix, investigação que apura um suposto esquema de lavagem e ocultação de patrimônio ligado ao PCC. Deolane foi presa em maio e, posteriormente, denunciada pelo Ministério Público pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia em junho, tornando Deolane e outros acusados réus. Entre eles está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC. O processo tramita sob sigilo.
MP aponta atuação no núcleo financeiro
Segundo a acusação, a estrutura investigada teria diferentes funções. Deolane estaria inserida no chamado núcleo financeiro, ao lado de Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola.
Para o Ministério Público, a influenciadora teria participado de operações destinadas a ocultar a origem de recursos atribuídos ao crime organizado e permitir que o dinheiro retornasse à economia formal com aparência de legalidade. A investigação aponta a utilização de diferentes mecanismos financeiros, como transferências, depósitos fracionados, Pix, contas de terceiros e empresas para dificultar o rastreamento dos recursos.
Documentos bancários, informações financeiras, mensagens extraídas de celulares e relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) estão entre os elementos utilizados pelos investigadores.
“Verdadeiro caixa”
Ao defender a continuidade das prisões preventivas dos acusados, o Ministério Público voltou a destacar o papel que atribui a Deolane dentro do suposto esquema. Em documento apresentado à Justiça, o órgão a descreve como o “verdadeiro caixa da organização criminosa”. A expressão também já havia aparecido durante a investigação que fundamentou o pedido de prisão preventiva.
O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), já havia afirmado publicamente que a investigação apontava Deolane como uma espécie de caixa do crime organizado, responsável, segundo a acusação, por receber recursos e misturá-los a receitas de origem lícita.
Máquina de contar dinheiro e caixa com R$ 20 mil
Entre os elementos citados pelo Ministério Público está uma máquina de contar cédulas encontrada durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em endereço ligado a Everton de Souza, conhecido como “Player”, também investigado na operação.
No mesmo local, investigadores encontraram uma caixa de madeira contendo aproximadamente R$ 20 mil em espécie. De acordo com o MP, a caixa tinha o nome “Dra. Deolane” gravado na tampa.
O Ministério Público sustenta que esses elementos reforçam os indícios investigados e a necessidade de manutenção das prisões preventivas.
Transportadora estaria no centro do esquema
A denúncia aponta ainda que uma transportadora teria sido utilizada para movimentar e ocultar recursos atribuídos à facção. De acordo com a acusação, valores provenientes dessa estrutura teriam chegado a Deolane. O dinheiro, conforme a tese do Ministério Público, seria posteriormente movimentado por diferentes meios para dificultar a identificação de sua origem.
A denúncia apresentada pelo MPSP foi aceita pela 3ª Vara de Presidente Venceslau, fazendo com que os acusados passassem formalmente à condição de réus.
Deolane está presa desde maio
Deolane Bezerra foi presa em 21 de maio, durante a Operação Vérnix. Desde então, sua defesa tem recorrido ao Judiciário para tentar revogar ou substituir a prisão preventiva. Em junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou pedido de habeas corpus apresentado em favor da influenciadora.
Mais recentemente, diante de novos pedidos das defesas, o Ministério Público voltou a defender que Deolane e outros réus permaneçam presos preventivamente enquanto o processo avança.
Defesa nega ligação com o PCC
As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas durante a instrução do processo. Ser ré não significa condenação, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.
A defesa de Deolane nega que ela tenha integrado o PCC ou participado de esquema de lavagem de dinheiro para a organização criminosa. A influenciadora também já contestou as acusações e a legalidade de sua prisão.. O processo deverá agora avançar para as etapas de produção de provas e manifestações das defesas antes de eventual julgamento.
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