Pipas deixam mais de 313 mil clientes sem energia em Minas Gerais no primeiro semestre de 2026

Cemig registrou 1.260 ocorrências envolvendo pipas na rede elétrica entre janeiro e junho; regiões Sul e Oeste tiveram 185 casos e 29 mil clientes afetados.

Publicado por: Cassia Misael

Empinar pipas continua sendo uma tradição presente nas férias e nos períodos de vento, mas a brincadeira também representa um risco quando acontece próxima à rede elétrica. Em Minas Gerais, somente nos primeiros seis meses de 2026, ocorrências envolvendo pipas interromperam o fornecimento de energia para 313.224 clientes atendidos pela Cemig. Entre janeiro e junho, a companhia contabilizou 1.260 ocorrências relacionadas a pipas na rede elétrica em sua área de concessão. O número chama atenção não apenas pela quantidade de interrupções, mas também pelo impacto que cada ocorrência pode provocar em bairros inteiros, estabelecimentos comerciais e serviços que dependem do fornecimento contínuo de energia.

Na área de atuação da Superintendência Regional Sul da Cemig, que atende municípios das regiões Sul e Oeste de Minas, foram registradas 185 ocorrências no período. Esses casos deixaram 29.119 consumidores sem energia.Embora os números ainda sejam expressivos, houve uma redução em relação ao primeiro semestre de 2025. Naquele período, a Cemig registrou 1.338 ocorrências, que afetaram aproximadamente 398 mil clientes em Minas Gerais. Assim, apesar da queda nos registros, o problema permanece relevante, principalmente durante as férias escolares e nos períodos em que os ventos favorecem a prática de empinar pipas.

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Pipas próximas à rede elétrica podem provocar acidentes e apagões

O problema não se limita à interrupção momentânea do fornecimento. Quando a linha de uma pipa entra em contato com os cabos de energia, pode provocar curtos-circuitos, desligamentos automáticos e danos à estrutura da rede. Além disso, dependendo da situação, a pessoa que segura a linha também pode ficar exposta a uma descarga elétrica.

Segundo o engenheiro do Centro de Operações da Cemig, Jorge Magno, grande parte dessas ocorrências poderia ser evitada com uma mudança simples de comportamento: escolher locais adequados para a brincadeira.

“As pipas fazem parte da cultura e das brincadeiras de muitas crianças e adultos, mas precisam ser empinadas em locais abertos, longe da rede elétrica.”

O especialista explica que a aproximação com os fios pode transformar uma atividade recreativa em uma situação de alto risco. Além dos próprios participantes, outras pessoas que estejam próximas também podem sofrer consequências caso a linha provoque o rompimento de um cabo ou uma falha na rede.

Por isso, a orientação é direta: pipas devem ser empinadas somente em áreas abertas, afastadas de postes, fios, torres e demais estruturas da rede elétrica.

Cerol e linha chilena aumentam ainda mais o perigo

O risco se torna ainda maior quando a brincadeira envolve cerol ou linha chilena. Além do potencial de corte, esses materiais podem provocar danos à rede elétrica e aumentar a possibilidade de acidentes envolvendo motociclistas, ciclistas, pedestres e os próprios responsáveis pela pipa.

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Quando uma linha desse tipo alcança a rede elétrica, ela pode contribuir para curtos-circuitos, rompimento de cabos e desligamentos que atingem áreas extensas. Consequentemente, uma brincadeira realizada por poucas pessoas pode acabar afetando milhares de consumidores.

A Cemig também alerta para outro comportamento perigoso: tentar retirar uma pipa que ficou presa em fios, postes ou outros equipamentos elétricos. Nesses casos, a recomendação é não tocar na pipa, na linha ou na estrutura da rede e jamais utilizar objetos para tentar recuperá-la.

A tentativa de retirar o material pode aproximar a pessoa de partes energizadas e provocar acidentes graves ou fatais.

Uso de cerol e linha chilena é proibido em Minas Gerais

Além dos riscos relacionados à segurança, o uso de cerol e linha chilena também envolve uma questão legal. Em Minas Gerais, a Lei Estadual nº 23.515/2019 proíbe a utilização e a comercialização desses materiais.

A legislação estabelece multas que podem chegar a aproximadamente R$ 5,789 mil, com valores que podem alcançar R$ 289,45 mil em caso de reincidência, conforme as situações previstas na norma.

A restrição considera justamente os riscos que essas linhas oferecem. Por serem extremamente cortantes, elas podem causar ferimentos graves e até fatais quando atingem pessoas que circulam pelas ruas. Além disso, quando alcançam a rede elétrica, podem comprometer equipamentos e provocar interrupções no fornecimento.

Impacto vai além de quem está empinando a pipa

Uma ocorrência na rede elétrica não afeta apenas quem participa da brincadeira. Dependendo do local e da extensão do problema, uma interrupção pode atingir residências, empresas e serviços públicos.

Hospitais, escolas, sistemas de abastecimento de água, semáforos e estabelecimentos comerciais, por exemplo, dependem da continuidade do fornecimento de energia para manter suas atividades. Dessa forma, uma ocorrência aparentemente pontual pode gerar consequências para uma quantidade muito maior de pessoas.

Jorge Magno reforça que o cerol e a linha chilena ampliam esse risco.

“O uso de cerol e linha chilena potencializa o risco de acidentes. Além de causar interrupções no fornecimento de energia, esses materiais colocam em risco ciclistas, motociclistas, pedestres e os próprios usuários.”

Por essa razão, a Cemig recomenda que famílias, pais e responsáveis orientem crianças e adolescentes sobre os locais seguros para empinar pipas. A prevenção, nesse caso, começa antes mesmo da brincadeira: basta escolher um espaço aberto e manter distância da rede elétrica.

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