Gleidson Azevedo defende apoio a Flávio Bolsonaro e vê chapa pura como oportunidade para grupo de Cleitinho em Minas

Irmão de Cleitinho e pré-candidato a deputado federal afirma que família apoiará Flávio Bolsonaro e avalia que candidatura própria do PL ao governo de Minas pode abrir espaço para uma composição sem divisão de cargos

Publicado por: Cassia Misael

Um vídeo que circula nas redes sociais recoloca o ex-prefeito de Divinópolis e pré-candidato a deputado federal Gleidson Azevedo no centro das articulações políticas que envolvem o irmão, o senador Cleitinho Azevedo, e o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Na gravação, Gleidson afirma que ele e toda a família apoiarão Flávio e, ao mesmo tempo, apresenta sua interpretação sobre os bastidores que levaram o PL a avançar com uma candidatura própria ao Governo de Minas. Para ele, a decisão não representa uma ruptura provocada pelo partido, mas resulta principalmente do processo de definição envolvendo Cleitinho e o Republicanos.

A declaração ganha relevância porque o relacionamento político entre Cleitinho e o grupo de Flávio Bolsonaro vinha sendo tratado como uma das peças importantes da disputa eleitoral em Minas Gerais. Ao comentar o cenário, Gleidson procura afastar a ideia de que o PL tenha provocado deliberadamente o distanciamento entre os grupos e afirma que o partido aguardou até os últimos momentos uma definição do Republicanos e de Cleitinho antes de seguir com sua própria estratégia.

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“Meu irmão já até falou isso. A culpa não é do PL”, afirma Gleidson no vídeo.

Segundo o ex-prefeito, as conversas entre as lideranças partidárias continuaram até os últimos dias que antecederam a definição das chapas. Ele lembra que, antes de Cleitinho viajar para Brasília, os presidentes dos partidos chegaram a se reunir na casa do senador, o que, na avaliação de Gleidson, demonstra que ainda existia espaço para uma composição entre os grupos.

“Eu lembro que até no domingo, antes do meu irmão viajar lá pra Brasília, os dois presidentes do partido estavam na casa dele”, relata.

Gleidson reconhece perda de palanque para Cleitinho

Embora defenda o PL e procure explicar a decisão do partido, Gleidson reconhece que a nova configuração eleitoral produz uma consequência direta para o projeto de Cleitinho. Caso o PL mantenha uma candidatura própria ao Governo de Minas, o senador deixa de contar com o palanque oficial de Flávio Bolsonaro no estado, justamente em uma eleição na qual o apoio nacional pode representar um ativo importante para qualquer candidatura.

“Quem acaba perdendo com isso é meu irmão, que vai perder o palanque do Flávio aqui em Minas Gerais”, afirma Gleidson.

A declaração, portanto, revela uma situação política que envolve interesses diferentes, mas que não necessariamente significa o rompimento entre os grupos. De um lado, o PL precisa organizar sua própria estratégia para a disputa estadual; de outro, Cleitinho busca consolidar sua candidatura ao governo mineiro pelo Republicanos. Paralelamente, o grupo familiar mantém a decisão de apoiar Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.

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Esse ponto aparece de maneira direta na fala de Gleidson. Mesmo reconhecendo que Cleitinho pode perder o palanque oficial do PL em Minas, ele afirma que a família continuará ao lado de Flávio.

“Ele e toda a minha família, a gente vai apoiar o Flávio Bolsonaro”, declara.

Dessa forma, a separação entre as candidaturas estaduais não significa, na avaliação apresentada por Gleidson, uma mudança no apoio presidencial da família Azevedo. O grupo pode caminhar em uma disputa pelo Governo de Minas enquanto mantém uma posição definida na eleição para presidente.

Chapa pura vira argumento para o grupo de Cleitinho

Além de comentar a relação entre PL, Republicanos e Flávio Bolsonaro, Gleidson introduz outro elemento no debate: a possibilidade de uma chapa formada por integrantes de um único partido. Para ele, embora a separação entre as legendas possa trazer perdas políticas para Cleitinho, também existe uma vantagem em disputar a eleição sem precisar acomodar diferentes siglas dentro de uma mesma composição.

Nesse ponto, o ex-prefeito recorre à própria experiência administrativa para explicar sua posição. Gleidson lembra que, quando comandou a Prefeitura de Divinópolis pela primeira vez, ele e sua vice também pertenciam ao mesmo partido. Segundo ele, essa configuração permitiu maior liberdade para montar a equipe de governo e escolher secretários de acordo com critérios técnicos.

“Eu e minha vice também éramos de um partido só, e a gente pôde escolher cada secretário a dedo”, afirma.

A partir dessa experiência, Gleidson amplia o argumento para o cenário eleitoral atual. Na avaliação dele, quando diferentes partidos entram em uma chapa, algumas alianças podem envolver a cobrança por espaços dentro da administração. Assim, o candidato eleito poderia enfrentar pressões para entregar secretarias, estatais ou outras estruturas públicas aos partidos que participaram da campanha.

O pré-candidato, no entanto, faz uma ressalva ao afirmar que não direciona a crítica especificamente ao PL. Ele apresenta a questão como uma característica que pode aparecer em diferentes alianças partidárias e questiona o modelo no qual a composição eleitoral acaba influenciando diretamente a formação do governo.

“Às vezes vêm juntar na chapa, mas pedindo uma secretaria, uma estatal”, afirma.

Na sequência, Gleidson sustenta que esse tipo de negociação pode levar à indicação de pessoas que, na visão dele, não possuem preparo suficiente para comandar determinadas áreas da administração. Por isso, ele considera que uma chapa formada por um único partido pode oferecer maior liberdade ao futuro governante para escolher uma equipe técnica.

“Na maioria das vezes eles vão colocar pessoas extremamente incompetentes, que não têm capacidade nenhuma para poder gerir a pasta que eles pedem para poder escolher”, declara.

A experiência de Divinópolis como argumento político

Ao trazer a própria passagem pela Prefeitura de Divinópolis para o debate, Gleidson transforma uma discussão eleitoral em uma defesa de modelo de gestão. Em vez de tratar a formação das chapas apenas como uma estratégia para conquistar votos, ele apresenta a composição partidária como um fator que pode influenciar diretamente a administração depois da eleição.

A lógica defendida pelo ex-prefeito é simples: quanto menor a dependência de diferentes partidos durante a campanha, maior seria a liberdade do eventual governo para montar sua equipe de acordo com critérios técnicos. Nesse sentido, a chamada “chapa pura” deixa de representar apenas uma escolha eleitoral e passa a funcionar como argumento de autonomia administrativa.

Por outro lado, alianças amplas também costumam cumprir uma função importante nas eleições, já que podem reunir diferentes grupos políticos, ampliar o tempo de propaganda, fortalecer estruturas regionais e criar bases para a governabilidade. Por isso, a discussão levantada por Gleidson ultrapassa a disputa entre PL e Republicanos e alcança um tema recorrente nas eleições: até que ponto uma aliança partidária fortalece uma candidatura e quando ela pode limitar a autonomia de um eventual governo?

É justamente essa questão que a fala do pré-candidato coloca em evidência. Ao mesmo tempo em que reconhece a perda do palanque de Flávio para Cleitinho, Gleidson tenta apresentar a nova configuração como uma oportunidade para o grupo construir uma candidatura com maior liberdade de decisão.

Família Azevedo mantém atuação conjunta na eleição

A declaração também reforça o peso da família Azevedo no cenário eleitoral de 2026. Cleitinho está no centro da disputa pelo Governo de Minas, enquanto Gleidson trabalha para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Eduardo Azevedo também integra o grupo político familiar e participa das articulações que envolvem o projeto dos irmãos.

Gleidson, inclusive, já vinha atuando como um dos principais porta-vozes das movimentações relacionadas à candidatura de Cleitinho. Antes da definição, ele afirmou que acreditava na entrada do irmão na corrida pelo Palácio Tiradentes e chegou a mencionar Luís Eduardo Falcão como possível nome para a vice.

Posteriormente, ao lado de Eduardo, Gleidson confirmou publicamente a decisão de Cleitinho de disputar o Governo de Minas. Com isso, os irmãos passaram a ocupar diferentes posições dentro de um mesmo projeto político, ampliando a presença da família tanto na disputa estadual quanto na eleição proporcional.

Nesse contexto, a manifestação sobre Flávio Bolsonaro ganha ainda mais importância. Ao afirmar que a família continuará apoiando o candidato do campo bolsonarista, Gleidson sinaliza que a estratégia dos Azevedo pretende separar a disputa estadual da eleição presidencial. Assim, mesmo que PL e Republicanos caminhem em direções diferentes na corrida pelo governo mineiro, o apoio a Flávio permanece preservado.

O que está em jogo para o grupo de Cleitinho

A fala de Gleidson expõe uma equação política que ainda pode produzir novos desdobramentos ao longo da eleição. De um lado, Cleitinho busca consolidar seu projeto para o Governo de Minas; de outro, o PL organiza uma candidatura própria e, paralelamente, estrutura sua participação na eleição presidencial e nas disputas proporcionais.

Nesse cenário, o palanque de Flávio Bolsonaro representa uma questão estratégica. Cleitinho pode deixar de contar com o apoio formal do PL na disputa estadual, mas, segundo Gleidson, isso não altera a decisão da família de apoiar Flávio para presidente.

Ao mesmo tempo, o grupo tenta transformar a ausência de uma aliança ampla em argumento positivo. Para Gleidson, uma chapa mais enxuta pode reduzir a pressão por espaços administrativos e permitir que o eventual governo escolha sua equipe com maior liberdade.

A estratégia, portanto, envolve duas mensagens simultâneas: preservar a aproximação política com Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, defender a autonomia do projeto de Cleitinho em Minas Gerais.

Fala de Gleidson amplia o debate nas redes sociais

Ao defender uma chapa pura, Gleidson também coloca em discussão uma questão que costuma dividir os eleitores durante os períodos eleitorais: a presença de vários partidos em uma mesma aliança significa necessariamente mais força política?

Ou uma candidatura com menos partidos pode garantir maior independência para governar?

O ex-prefeito utiliza sua experiência à frente da Prefeitura de Divinópolis como argumento para a segunda possibilidade. Ainda assim, a discussão envolve diferentes fatores, já que alianças também podem ampliar a capacidade de articulação política e formar bases para a aprovação de projetos depois da eleição.

Por isso, a fala de Gleidson não se limita à relação entre Cleitinho, Flávio Bolsonaro, PL e Republicanos. Ela abre espaço para um debate mais amplo sobre o modelo de governo que os candidatos pretendem construir e sobre o peso que os acordos partidários devem ter na formação das futuras administrações.

Nesse sentido, a declaração tende a alimentar as discussões nas redes sociais, principalmente entre os eleitores que acompanham a movimentação de Cleitinho e Flávio Bolsonaro em Minas Gerais.

Mais do que explicar a posição da família Azevedo, Gleidson deixa uma mensagem política clara: o grupo pretende manter o apoio a Flávio Bolsonaro, mesmo diante de uma eventual separação entre PL e Republicanos na disputa pelo Governo de Minas, enquanto apresenta a chapa própria como uma possibilidade de ampliar a autonomia administrativa.

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