Mateus Simões critica excedentes e revolta policiais civis de Minas

Governador defendeu concursos anuais para selecionar “os melhores” e afirmou ser contrário à existência de excedentes; policiais questionaram declaração

Publicado por: Redação

Uma declaração do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), provocou reação entre integrantes da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) após ele afirmar que é contrário à existência de excedentes em concursos públicos e defender a realização de seleções anuais para contratar “os melhores”.

A fala ocorreu nesta segunda-feira (10), durante uma reunião entre o governador e representantes de associações e sindicatos ligados à segurança pública de Minas Gerais, a declaração repercutiu entre policiais civis e candidatos aprovados em concursos da instituição. Em manifestações publicadas nas redes sociais, integrantes da categoria contestaram a ideia de que candidatos classificados como excedentes não teriam o mesmo mérito ou capacidade daqueles inicialmente convocados dentro do número de vagas. Um dos principais questionamentos apresentados pelos policiais foi justamente sobre o significado da expressão utilizada pelo governador.

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Em uma nota publicada nas redes sociais, policiais civis repudiaram as declarações de Simões e questionaram “o que é ser um dos melhores?”, a manifestação também chamou atenção para o fato de que parte dos atuais integrantes da Polícia Civil já esteve, em algum momento, na condição de excedente em concursos públicos. Um grupo de delegados da PCMG afirmou que a declaração do governador desconsidera tanto candidatos aprovados quanto servidores que atualmente fazem parte da instituição. “A fala desconsidera não apenas os centenas de candidatos aprovados nos concursos públicos, mas também inúmeros policiais civis que hoje integram os quadros da instituição e que, em algum momento, foram excedentes”, afirmou o grupo, a manifestação coloca em discussão o próprio significado da classificação obtida em concursos públicos e o aproveitamento posterior dos candidatos aprovados.

Também houve reação entre candidatos aprovados para o cargo de perito criminal da Polícia Civil, um perfil dedicado aos aprovados contestou diretamente a associação entre a condição de excedente e eventual falta de capacidade ou mérito. “Excedente é uma posição na classificação. Não é sinônimo de incapacidade, falta de mérito ou falta de aptidão. São candidatos que passaram por cinco etapas de um processo seletivo rigoroso e foram aprovados e não reprovados”, afirmou o perfil,  a manifestação destaca que a condição de excedente decorre da posição do candidato na classificação final e não significa, por si só, que ele tenha sido eliminado ou considerado inapto no processo seletivo.

A declaração de Mateus Simões ocorreu durante uma reunião que reuniu representantes de entidades da segurança pública de Minas Gerais. Ao defender concursos anuais, o governador apresentou uma visão contrária à manutenção de excedentes e afirmou que as seleções deveriam permitir a contratação daqueles que obtivessem os melhores resultados, a posição provocou reação porque concursos da área de segurança pública envolvem processos seletivos com diferentes etapas e candidatos que, mesmo aprovados, podem permanecer fora do número inicial de vagas previsto no edital,  para os policiais e candidatos que reagiram às declarações, a classificação como excedente não deve ser interpretada como sinônimo de incapacidade.

A repercussão da fala evidencia uma divergência sobre a forma de aproveitamento de candidatos aprovados em concursos públicos da Polícia Civil. De um lado, o governador defende a realização periódica de concursos para selecionar novos profissionais e se posiciona contra a existência de excedentes. De outro, policiais e candidatos aprovados sustentam que quem alcança a aprovação em um processo seletivo rigoroso demonstrou aptidão para o cargo, ainda que sua classificação o coloque fora do número de vagas inicialmente previsto,  o episódio amplia o debate sobre concursos e composição dos quadros da Polícia Civil em Minas Gerais, especialmente entre candidatos que aguardam eventual convocação após a aprovação. Até o momento, no material enviado para esta reportagem, não há outra manifestação de Mateus Simões respondendo especificamente às críticas feitas pelos policiais civis.

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