O candidato ao Governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) antecipou algumas das principais diretrizes que pretende incluir no plano de governo durante entrevista ao programa Café com Leite, apresentado pelo jornalista Paulo Leite na Rede 98, em Belo Horizonte. Na conversa, o ex-prefeito da capital mineira apresentou propostas para áreas como educação, segurança pública, infraestrutura, saúde e gestão das contas estaduais. Entre as prioridades citadas estão a ampliação da educação integral, o reforço das forças de segurança, o enfrentamento ao avanço das facções criminosas e a criação de um programa emergencial para recuperação das estradas.
Na educação, Kalil defendeu um modelo de ensino integral que, segundo ele, não deve significar apenas manter os estudantes por mais tempo dentro das escolas. A proposta prevê ampliar o acesso a atividades esportivas, culturais e tecnológicas, além de criar oportunidades de estágio profissional.
Kalil critica foco excessivo no Ideb
Ao falar sobre educação, Kalil criticou o que considera uma valorização excessiva dos resultados obtidos em avaliações e indicadores como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Para o candidato, o indicador deveria ser consequência da qualidade do ensino, e não o principal objetivo das escolas.
“O Ideb é um indicador de provas, e hoje há uma pressão para o Ideb ser bom. A escola treina o aluno para a prova e, então, [a educação] fica horrível”, afirmou.
Na avaliação do ex-prefeito, a qualidade da educação passa por uma estrutura adequada, participação dos estudantes, alimentação e condições para o desenvolvimento além do conteúdo curricular.
“O Ideb precisa ser o resultado de uma escola participativa, bacana, arrumada, limpa, com boa merenda. Como se fazia em Belo Horizonte, na minha gestão”, disse.
Kalil também defendeu parcerias entre escolas, faculdades e empresas para ampliar as oportunidades oferecidas aos estudantes.
“Estamos propondo uma escola integral junto com o plano, junto com faculdades e empresas”, afirmou.
Como exemplo, citou uma parceria da Prefeitura de Belo Horizonte com a Associação Profissionalizante do Menor de Belo Horizonte (Assprom), que permitia aos estudantes conciliar a formação escolar com atividades profissionais.
A proposta é apresentada pelo candidato em um cenário de redução da oferta de educação em tempo integral em Minas Gerais. Segundo dados do Censo Escolar 2025, entre 2022 e 2025 o percentual de escolas com vagas nessa modalidade caiu de 50,4% para 31,6%.
No mesmo período, as matrículas em tempo integral passaram de 21,4% para 15,6%, segundo os dados citados no levantamento.
Segurança: combate às facções deve ser responsabilidade de Minas
Na segurança pública, Kalil defendeu a retomada dos investimentos nas forças policiais e criticou o que classificou como abandono das categorias nos últimos anos.
Segundo o candidato, a Polícia Civil enfrenta déficit de servidores e dificuldades estruturais.
“A polícia investigativa foi liquidada em Minas Gerais, com uma carência de cerca de 7 mil servidores”, afirmou.
Kalil também citou problemas relacionados à estrutura de trabalho e à capacitação dos profissionais.
“Nós temos polícia que não tem gasolina, não tem curso, não são treinados. O que eu estou falando é de uma indignação absoluta. Ninguém resiste ao abandono”, declarou.
Ao tratar do avanço de facções criminosas de atuação nacional no território mineiro, o candidato defendeu que o próprio Estado assuma a responsabilidade pelo enfrentamento.
Kalil afirmou ser contrário à transferência do comando da segurança pública estadual para o governo federal, mas defendeu investimentos federais para apoiar Minas.
“Eu discordo do governo federal assumir a polícia do estado. Quer ajudar? Então, invista dinheiro. Só invista, que nós resolvemos por aqui”, afirmou.
Estradas estão entre as primeiras prioridades
Ao apresentar o que pretende fazer nos primeiros meses de um eventual governo, Kalil citou a infraestrutura como uma das prioridades.
O candidato afirmou que pretende criar um programa emergencial de recuperação das estradas mineiras.
“Nós temos que fazer um programa emergencial de estradas. Esse é o primeiro programa que nós vamos ter”, declarou.
Segundo Kalil, a recuperação das rodovias estaria relacionada também à segurança dos usuários.
“Nós vamos cuidar das estradas para evitar que mais gente morra, como já está acontecendo”, afirmou.
A saúde pública também foi mencionada entre as áreas que, segundo o candidato, exigiriam atenção imediata.
“E a saúde nós temos que olhar, porque ninguém aguenta mais”, disse.
Gabinete de crise para analisar contas do Estado
Na área econômica, Kalil afirmou que pretende iniciar o governo com uma análise das contas públicas de Minas Gerais. Para isso, propôs a criação de um gabinete de crise formado por especialistas. O grupo teria, entre outras funções, a tarefa de avaliar a situação financeira do Estado e discutir a renegociação da dívida com a União. Kalil citou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mecanismo ao qual Minas aderiu para reorganizar o pagamento da dívida estadual. “Nós vamos fazer uma transição e queremos fazer, inclusive, junto com o governo federal. Essa é a primeira ação”, afirmou. A proposta faz parte do conjunto de medidas que o candidato pretende detalhar no plano de governo.
Plano de governo ainda será apresentado
As declarações de Kalil antecipam áreas consideradas prioritárias para uma eventual gestão, mas o candidato ainda deverá apresentar o conjunto completo de propostas que pretende levar para a disputa eleitoral.
Entre os principais pontos apresentados até agora estão a ampliação da educação integral, a integração com empresas e instituições de ensino, o fortalecimento das forças de segurança, o combate às facções criminosas, a recuperação emergencial das estradas e a análise das contas públicas.
A saúde também aparece entre as áreas que, segundo Kalil, deverão receber atenção desde o início de uma eventual administração.
As propostas foram apresentadas durante a entrevista à Rede 98 e devem ser detalhadas pelo candidato à medida que a campanha eleitoral avançar.






