Diplomas falsos de Medicina: PF mira esquema e aponta 45 nomes já inscritos como médicos

Operação Canudo: investigação da Polícia Federal aponta esquema de venda de diplomas e documentos acadêmicos falsos e identifica pagamentos ligados a pelo menos 45 nomes já inscritos como médicos em Conselhos Regionais de Medicina.

Publicado por: Cassia Misael

Operação Canudo foi deflagrada nesta quarta-feira (12) e cumpriu mandados em Montes Claros, Bocaiuva, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães; segundo a Polícia Federal, documentos falsificados seriam usados para ingresso, transferência e até tentativa de obtenção de registro profissional.

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Canudo para combater um suposto esquema de falsificação e venda de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos relacionados a cursos de Medicina. A investigação ganhou uma dimensão ainda mais grave após a PF identificar pelo menos 45 nomes de pessoas já inscritas como médicos em Conselhos Regionais de Medicina que teriam realizado pagamentos ao grupo investigado, supostamente para obter documentos falsos que viabilizassem o registro profissional.

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Operação cumpre mandados em Minas Gerais e na Bahia

A ação ocorreu em quatro cidades de dois estados. Em Minas Gerais, os agentes cumpriram medidas em Montes Claros e Bocaiuva. Na Bahia, a operação chegou a Barreiras e Luís Eduardo Magalhães.

Ao todo, a Justiça expediu quatro mandados de busca e apreensão. Além disso, segundo a Polícia Federal, foram deferidos dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária contra investigados.A PF não informou, no comunicado divulgado nesta quarta-feira, a identidade dos alvos.

Diploma falso apresentado a Conselho de Medicina iniciou investigação

A investigação começou depois da apreensão, em 2023, de um diploma falso de Medicina apresentado ao Conselho Regional de Medicina no Rio Grande do Sul. Conforme a PF, o documento teria sido fornecido por um dos investigados.

A partir desse episódio, os investigadores passaram a reunir elementos que apontariam para a existência de um esquema estruturado de produção e comercialização de documentos acadêmicos falsificados.

Entre os materiais mencionados pela Polícia Federal estão diplomas, históricos escolares e outros documentos relacionados ao ensino superior.

PF aponta possível fraude para entrar em períodos finais de Medicina

A investigação também identificou uma modalidade que, segundo a PF, permitiria ao interessado utilizar documentos falsos para ingressar ou conseguir transferência para um curso de Medicina já em andamento.

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Nesse modelo, a pessoa apresentaria documentação acadêmica falsa como se estivesse transferindo sua matrícula de uma instituição de ensino para outra.

A suspeita é de que, em alguns casos, a documentação possibilitaria a entrada já nos períodos finais do curso, reduzindo drasticamente o caminho acadêmico que normalmente precisaria ser percorrido até a conclusão da graduação.

Em outra frente investigada, a falsificação ocorreria diretamente no diploma posteriormente apresentado para tentar obter o registro profissional no Conselho Regional de Medicina.

Pelo menos 45 nomes inscritos como médicos aparecem na apuração

Um dos pontos de maior repercussão da Operação Canudo envolve pessoas que já possuem inscrição profissional.

Segundo a Polícia Federal, a investigação identificou pelo menos 45 nomes de pessoas já inscritas como médicos em Conselho Regional de Medicina que teriam efetuado pagamentos ao grupo investigado, supostamente para conseguir documentos falsos capazes de viabilizar o registro.

A PF também identificou circulação de dinheiro entre investigados e pessoas suspeitas de adquirir a documentação.

O dado, entretanto, não significa automaticamente que as 45 pessoas tenham sido condenadas ou que todas tenham comprovadamente utilizado documentos falsos. A própria Polícia Federal informou que continuará as diligências para apurar individualmente quem eventualmente contratou ou utilizou os serviços oferecidos pelo grupo.

Esquema teria ramificações em diferentes estados

A dimensão territorial também chamou a atenção dos investigadores. De acordo com a PF, os elementos levantados até agora apontam ramificações do suposto esquema em diferentes estados brasileiros.

A continuidade da investigação deverá buscar esclarecer a extensão da rede, identificar eventuais compradores e verificar quais documentos efetivamente foram utilizados para ingresso em universidades, transferência entre instituições ou obtenção de registro profissional.

Principal investigado já apareceu em apuração sobre fraude no Enem

A Polícia Federal revelou ainda que o principal investigado na Operação Canudo já havia sido alvo de uma investigação em 2016, relacionada a fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem.

Naquela ocasião, segundo a corporação, a investigação identificou uma organização criminosa que recrutava professores e estudantes para realizar provas e transmitir gabaritos, por meio de dispositivos eletrônicos, a candidatos que pagavam valores elevados para obter vantagem no exame.A apuração daquele caso alcançou três estados e terminou com integrantes da organização presos.

Agora, a Polícia Federal prossegue com a Operação Canudo para identificar a extensão do suposto mercado de documentos acadêmicos falsos e esclarecer quantas pessoas podem ter recorrido ao esquema.

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