Depois de semanas de intensas negociações, articulações de bastidores e mudanças de rumo praticamente diárias, Minas Gerais entrou oficialmente em uma nova fase da disputa eleitoral. Com o encerramento do prazo das convenções partidárias, os principais grupos políticos apresentaram suas chapas, definiram candidatos ao Governo do Estado, ao Senado e às vagas proporcionais. No entanto, ao contrário do que muitos imaginavam, o fim das convenções não encerrou as incertezas. Em diversos casos, especialmente envolvendo o Republicanos e o senador Cleitinho Azevedo, a política mineira continua produzindo novos capítulos mesmo após o calendário partidário ter sido cumprido.
Quem sai fortalecido
O governador Mateus Simões (PSD) conseguiu concluir sua chapa preservando a base construída durante o governo Romeu Zema. Embora carregue o desafio de defender uma administração que enfrenta críticas em áreas como saúde, segurança e funcionalismo, chega à campanha com uma estrutura partidária consolidada e forte tempo de televisão.
No campo da esquerda, Patrus Ananias (PT) encerrou um longo período de negociações ao confirmar Jarbas Soares como candidato a vice-governador, movimento que ampliou o diálogo com o PSB e fortaleceu a narrativa de uma frente mais ampla de oposição ao atual governo estadual.
Já Alexandre Kalil (PDT) apostou em um nome técnico para compor sua chapa, escolhendo o médico Carlos Mosconi, um dos participantes da construção do Sistema Único de Saúde (SUS), reforçando a saúde pública como principal bandeira de campanha.
Também Gabriel Azevedo (MDB) concluiu sua composição majoritária e passa a concentrar esforços na apresentação de um projeto alternativo para Minas, buscando conquistar o eleitorado que procura uma opção fora da polarização predominante.
O caso Cleitinho continua dominando os bastidores
Nenhum episódio, entretanto, provocou tanta repercussão quanto a situação envolvendo o senador Cleitinho Azevedo.
Líder em diferentes pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses, o parlamentar viveu uma sequência de anúncios, desistências, manifestações públicas e novas reviravoltas envolvendo sua possível candidatura ao Governo de Minas. Mesmo após o encerramento das convenções, dirigentes estaduais e nacionais do Republicanos continuaram discutindo o assunto, alimentando uma das maiores crises internas da legenda nos últimos anos.
A indefinição fez com que o Republicanos se tornasse protagonista de uma situação incomum: ao mesmo tempo em que buscava transmitir segurança institucional, mantinha abertas diferentes possibilidades políticas, inclusive por meio de atas partidárias que passaram a ser objeto de interpretações jurídicas.
Os vices ganharam protagonismo
Tradicionalmente lembrados apenas durante o registro das chapas, os candidatos a vice-governador assumiram protagonismo nesta eleição.
A escolha de empresários, ex-procuradores, médicos, ex-prefeitos e lideranças partidárias demonstra que as campanhas buscaram mais do que simples composições eleitorais. Em muitos casos, os vices representam pontes com segmentos específicos da sociedade, ampliam alianças regionais e ajudam a transmitir determinada imagem administrativa para o eleitor.
Agora começa outra eleição
Se até a última semana os bastidores eram dominados por negociações internas, agora o foco passa definitivamente para o eleitor.
Os candidatos começam a apresentar programas de governo, intensificam agendas pelo interior de Minas e buscam consolidar suas imagens junto ao eleitorado. Paralelamente, cresce a expectativa para o registro oficial das candidaturas, cujo prazo termina em 15 de agosto, etapa indispensável para que as campanhas avancem plenamente dentro do calendário eleitoral.
A eleição mineira promete ser uma das mais imprevisíveis dos últimos anos
Historicamente, Minas Gerais ocupa posição estratégica nas eleições nacionais. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado costuma refletir o comportamento do eleitor brasileiro e frequentemente influencia o resultado da disputa presidencial.
Em 2026, porém, o cenário ganhou um ingrediente adicional: a quantidade de mudanças ocorridas nos bastidores, a entrada de novos atores políticos e a indefinição que ainda cerca algumas chapas fizeram da disputa mineira uma das mais imprevisíveis da última década.
O período das convenções terminou. A campanha, entretanto, está apenas começando.






