As eleições para o Governo de Minas Gerais não estão sendo disputadas apenas entre candidatos. A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostra que existe uma verdadeira disputa entre gerações. Enquanto Cleitinho Azevedo consolida sua maior força entre os adultos economicamente ativos e mantém ampla vantagem entre os jovens, Alexandre Kalil e Patrus Ananias crescem justamente entre os eleitores mais velhos. O levantamento exclusivo realizado pelo Divinews cruzou os dados da Quaest com o perfil do eleitorado do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) e revela onde cada candidatura encontra sua principal base de sustentação.
Geração que está entrando na política já escolheu um favorito
O primeiro dado que chama atenção está justamente entre os eleitores mais jovens. A Quaest reúne em uma mesma faixa aqueles que estão iniciando sua vida política. Jovens de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, até os adultos de 34 anos, que representam uma geração formada em meio às redes sociais, à política digital e à forte polarização dos últimos anos.
Nesse universo, Cleitinho aparece com 31% das intenções de voto, praticamente três vezes mais que Alexandre Kalil, que registra 10%. Patrus Ananias soma 7%, enquanto Mateus Simões aparece com 6%. Gabriel Azevedo e Ben Mendes têm 4% cada.
Mais importante que a liderança é observar que Cleitinho consegue estabelecer uma vantagem expressiva justamente entre o eleitor que começa a formar suas preferências políticas e que tende a acompanhar intensamente o debate pelas redes sociais.
Segundo o TRE-MG, Minas Gerais possui 133.077 eleitores de 16 e 17 anos, para os quais o voto é facultativo. Embora representem menos de 1% do eleitorado estadual, eles simbolizam o ingresso de uma nova geração na política mineira. O número é inferior ao registrado em 2022, indicando redução dessa faixa etária no cadastro eleitoral. (tre-mg.jus.br)
A verdadeira fortaleza eleitoral de Cleitinho
Se entre os jovens o senador já aparece com ampla vantagem, é entre os adultos que sua candidatura alcança o auge. Na faixa entre 35 e 59 anos, Cleitinho chega a 40%, seu melhor desempenho em toda a pesquisa. Nesse segmento estão concentradas pessoas em plena atividade profissional, empresários, trabalhadores, servidores públicos e chefes de família — exatamente o grupo que forma o coração do eleitorado brasileiro.
Kalil registra 11%.
Patrus aparece com 9%.
Mateus Simões soma 5%.
Os demais candidatos permanecem abaixo dos 5%.
Na prática, a pesquisa indica que Cleitinho não apenas lidera. Ele domina justamente o segmento que costuma decidir as eleições estaduais.
Disputa muda completamente entre os idosos
É entre os eleitores com 60 anos ou mais que o cenário se torna mais equilibrado. Cleitinho permanece numericamente na liderança, com 24%, porém perde 16 pontos em relação ao desempenho obtido entre os adultos. Ao mesmo tempo, Alexandre Kalil cresce para 16%, exatamente o mesmo percentual registrado por Patrus Ananias. Mateus Simões também alcança seu melhor resultado na pesquisa, chegando a 8%. Os números revelam que o eleitor mais experiente distribui seus votos de maneira muito mais equilibrada.
Peso dos idosos cresce em Minas
Essa mudança ganha ainda mais importância quando observada à luz dos dados do TRE-MG. O Estado possui atualmente 2.083.019 eleitores com 70 anos ou mais, grupo que representa 12,73% do eleitorado mineiro. Em 2022, eram pouco mais de 1,8 milhão.
O crescimento demonstra que o envelhecimento da população também está modificando o perfil do eleitorado mineiro. Embora a classificação utilizada pelo TRE-MG não seja idêntica à da Quaest, que reúne todos os eleitores a partir de 60 anos. A tendência é clara: o eleitor mais velho tem participação cada vez maior na definição das eleições estaduais.
O que cada candidato precisa fazer
A radiografia da Quaest mostra que Cleitinho já conquistou os jovens e domina os adultos, mas ainda encontra maior resistência entre os idosos. Kalil apresenta exatamente o movimento inverso. Seu desempenho cresce à medida que a idade do eleitor aumenta.
Patrus segue comportamento semelhante, praticamente dobrando seu percentual entre os eleitores mais velhos. Mateus Simões também registra seu melhor desempenho justamente nesse grupo.
Campanha ainda pode mudar esse cenário
Outro dado da própria Quaest mostra que a maioria dos eleitores mineiros afirma ainda poder mudar de voto durante a campanha. Isso significa que, embora as gerações já demonstrem perfis eleitorais distintos, nenhuma candidatura pode considerar sua base consolidada. Os jovens ainda representam espaço para crescimento.
Os adultos serão decisivos. E os idosos, cada vez mais numerosos no eleitorado mineiro, podem desempenhar papel estratégico na reta final da campanha.
Tabela
| Faixa etária | Cleitinho | Kalil | Patrus | Mateus |
|---|---|---|---|---|
| 16 a 34 anos | 31% | 10% | 7% | 6% |
| 35 a 59 anos | 40% | 11% | 9% | 5% |
| 60 anos ou mais | 24% | 16% |







