A mais recente pesquisa Genial/Quaest trouxe um dos dados mais relevantes da corrida ao Governo de Minas Gerais e que ajuda a explicar o comportamento do eleitorado mineiro. Mais do que apontar a liderança dos candidatos, o levantamento revela que a maioria dos eleitores já não deseja um governador vinculado aos dois principais polos da política nacional. É preciso esclarecer que, a expressão “Nem Lula, nem Bolsonaro” é síntese jornalística, já que o levantamento da Quaest mostra que 44% preferem um governador independente, enquanto 27% preferem um alinhado a Lula e 25% a Bolsonaro – Fato é que o resultado redesenha o tabuleiro eleitoral e pode influenciar diretamente as estratégias adotadas. E supostamente por isso que Cleitinho fez o vídeo em que disse: “…nem a esquerda, nem a direita” – É fato ainda que, todos os demais candidatos querem se distanciar de tal polarização.
Segundo a pesquisa, o grupo dos eleitores que preferem um governador independente cresceu em relação ao levantamento anterior, enquanto diminuiu o percentual daqueles que defendem um alinhamento direto com Lula ou Bolsonaro. O movimento demonstra que uma parcela significativa do eleitorado mineiro pretende separar a escolha do governador da disputa presidencial.
Eleitor mineiro quer autonomia
Historicamente, Minas Gerais sempre apresentou comportamento eleitoral próprio, muitas vezes diferente do restante do país.
A nova pesquisa reforça essa característica ao mostrar que quase metade dos eleitores deseja um governador capaz de dialogar com diferentes forças políticas, sem se apresentar como representante direto de nenhum dos dois principais grupos nacionais.
Na prática, isso significa que o eleitor mineiro parece priorizar temas ligados à gestão estadual — como saúde, infraestrutura, segurança pública e desenvolvimento econômico — acima das disputas ideológicas travadas em Brasília.
Cleitinho aparece como principal beneficiado
Sob o ponto de vista técnico, o levantamento ajuda a compreender a liderança do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) nas pesquisas de intenção de voto.
Embora tenha construído sua trajetória política no campo da direita, Cleitinho evita, em muitos momentos, assumir um alinhamento automático com qualquer grupo nacional.
Recentemente, por exemplo, publicou um vídeo afirmando que pretende construir um projeto “nem de esquerda, nem de direita”, discurso que dialoga diretamente com os 44% de eleitores que desejam um governador independente.
Essa estratégia pode explicar parte de sua vantagem nas pesquisas.
Inclusive, o impasse envolvendo sua candidatura e o Republicanos foi tema de ampla cobertura do Divinews. <a href=”https://divinews.com/2026/07/31/republicanos-reabre-negociacoes-sobre-candidatura-de-cleitinho-ao-governo-de-minas/”>Entenda como o Republicanos voltou a negociar a candidatura de Cleitinho ao Governo de Minas.</a>
Kalil também disputa esse espaço
Outro candidato que tende a disputar esse eleitorado é Alexandre Kalil (PDT). Embora tenha recebido apoio do presidente Lula na eleição municipal de Belo Horizonte, Kalil procura apresentar sua candidatura como um projeto voltado exclusivamente para Minas Gerais.
Durante a convenção do PDT e nas agendas realizadas pelo interior do Estado, o ex-prefeito tem concentrado seu discurso na recuperação financeira de Minas, na renegociação do Propag e na retomada dos investimentos municipais, evitando transformar a disputa estadual em um embate nacional.
Patrus concentra o eleitorado lulista
No campo da esquerda, o levantamento também ajuda a explicar a estratégia do PT. Com 27% dos eleitores declarando preferência por um governador alinhado ao presidente Lula, Patrus Ananias tende a concentrar boa parte desse segmento. Ao mesmo tempo, o dado revela um desafio para sua campanha: conquistar parte dos eleitores independentes, que hoje representam o maior grupo do eleitorado mineiro.
O Divinews mostrou como Patrus foi oficializado candidato durante a convenção da Federação Brasil da Esperança.
E Mateus Simões?
Atual governador de Minas após a renúncia de Romeu Zema para disputar a Presidência da República, Mateus Simões (PSD) também enfrenta um desafio estratégico. Sua candidatura busca representar a continuidade administrativa do governo Zema, mas precisa conquistar tanto eleitores conservadores quanto o grande contingente de independentes apontado pela Quaest. A pesquisa indica que nenhum dos dois polos ideológicos, isoladamente, reúne maioria suficiente para vencer a eleição.
O que dizem os números
A extratificação da Quaest mostra:
| Perfil desejado para o próximo governador | Percentual |
|---|---|
| Independente de Lula e Bolsonaro | 44% |
| Alinhado a Lula | 27% |
| Alinhado a Bolsonaro | 25% |
| Não sabe/Não respondeu | 4% |
Polarização perde força em Minas
Na avaliação de cientistas políticos, Minas Gerais continua apresentando um comportamento distinto do observado na disputa presidencial. Enquanto Lula e Bolsonaro permanecem como as principais referências políticas nacionais, a corrida pelo Palácio Tiradentes demonstra que o eleitor mineiro valoriza cada vez mais candidatos com identidade própria e foco nas questões estaduais.
Nesse contexto, o levantamento da Quaest sugere que a eleição de 2026 poderá ser decidida menos pelo alinhamento ideológico e mais pela capacidade de cada candidato convencer o eleitor de que possui autonomia para governar Minas Gerais.






