A convenção estadual do Partido Liberal (PL), realizada nesta última segunda-feira (27), marcou oficialmente o início de uma das fases mais importantes do calendário eleitoral de 2026. Além de homologar os candidatos que representarão a legenda nas eleições de outubro, o encontro também serviu para expor parte das articulações políticas que ainda movimentam os bastidores da disputa em Minas Gerais.
Entre os nomes homologados está o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), que buscará um novo mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Durante a convenção, o parlamentar fez um balanço da atuação nos últimos anos, destacou a destinação de recursos para o estado, especialmente para a região Centro-Oeste, e sinalizou que a próxima campanha será construída com cautela, apesar do histórico político conquistado.
“Foi um trabalho de muitas conquistas, de muitas vitórias para Minas Gerais inteira, mas especialmente para a região de Divinópolis e Centro-Oeste. Nunca houve um deputado na história de Divinópolis que tenha disponibilizado tantos recursos para a cidade. Lembrando que isso é minha obrigação. Eu estou aqui para isso”, afirmou.
Ao comentar a campanha que se aproxima, Eduardo adotou um discurso de prudência. Para ele, o fato de exercer mandato não representa garantia de reeleição.
“A gente sabe que cada eleição tem suas particularidades. Cada eleição é uma realidade diferente da outra. Quando começa uma eleição, eu tenho só o meu voto garantido. Tenho que correr atrás dos demais e nós vamos trabalhar muito para que isso possa se concretizar”, declarou.
A fala demonstra uma estratégia recorrente entre parlamentares experientes: evitar o discurso de favoritismo e reforçar a necessidade de manter contato permanente com as bases eleitorais. Em um cenário de mudanças constantes no comportamento do eleitor, principalmente com o crescimento da influência das redes sociais e da polarização política, candidatos com mandato costumam tratar cada disputa como uma nova eleição.
Convenções inauguram a fase decisiva da disputa
As convenções partidárias representam muito mais do que um ato formal previsto na legislação eleitoral.
É nesse período que os partidos oficializam candidaturas, consolidam alianças, definem estratégias regionais e começam a estruturar o discurso que será apresentado ao eleitor durante a campanha.
Embora muitos acordos sejam construídos meses antes, é durante as convenções que as negociações chegam ao momento decisivo.
Neste ano, o cenário mineiro apresenta uma característica particular: mesmo com diversas candidaturas proporcionais já definidas, as articulações em torno da disputa pelo Governo de Minas continuam abertas, o que mantém dirigentes partidários em permanente negociação.
Declaração de Eduardo revela bastidores das negociações
O momento de maior repercussão política da convenção ocorreu quando Eduardo Azevedo foi questionado sobre a definição da candidatura do Republicanos ao Governo de Minas.
Em vez de evitar o assunto, o deputado revelou que conversou por telefone com o senador Cleitinho Azevedo no dia anterior à convenção.
Segundo Eduardo, o senador informou que continua disposto a disputar o Governo de Minas, mas ainda participa de conversas com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, antes de oficializar qualquer decisão.
“O prazo final é dia 5, mas eu sabia que essa seria a pergunta. Conversei um bom tempo com o Cleitinho. Ele falou que realmente está muito abalado com a morte do Matheus, mas que vai, sim, ser candidato ao governo. Agora ele conversa com Marcos Pereira para definir o cenário aqui em Minas”, afirmou.
A declaração chamou atenção porque partiu de uma das principais lideranças do PL no estado e revelou parte das tratativas que ainda acontecem entre os partidos.
Embora Eduardo tenha relatado a conversa, a confirmação oficial de qualquer candidatura depende da manifestação do próprio Republicanos dentro do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral.
PL mantém portas abertas para composição
Outro trecho da entrevista evidencia a estratégia adotada pelo Partido Liberal.
Questionado sobre a possibilidade de participar da chapa majoritária, Eduardo afirmou que o PL pretende integrar a composição e defenderá a indicação do candidato a vice-governador.
Segundo ele, essa posição foi discutida internamente antes mesmo do início da convenção.
“O PL não abre mão de lançar um candidato a vice. Isso foi conversado antes da convenção. O partido vai se segurar, não vai lançar candidato ao governo agora, aguardando um posicionamento. O PL quer compor e indicar o vice nessa composição.”
Politicamente, a declaração possui um significado importante.
Ao optar por não lançar imediatamente um candidato próprio ao Governo de Minas, o PL demonstra que mantém abertas as negociações para construir uma chapa considerada competitiva.
Essa estratégia permite ao partido preservar espaço nas conversas com outras legendas e ampliar seu poder de negociação antes do encerramento das convenções.
O momento exige diálogo entre os partidos
As eleições estaduais raramente são definidas apenas pelo desempenho individual dos candidatos.
A formação das chapas majoritárias depende de uma combinação de fatores que envolve interesses regionais, tempo de propaganda eleitoral, distribuição de lideranças políticas e alinhamento com os projetos nacionais.
Em Minas Gerais, esse processo ganha ainda mais importância por se tratar do segundo maior colégio eleitoral do país.
Por isso, decisões tomadas pelas direções estaduais frequentemente passam pelo aval das executivas nacionais, que buscam construir estratégias alinhadas para a disputa presidencial, para o Senado e para a Câmara dos Deputados.
Nesse contexto, as declarações feitas durante as convenções costumam revelar apenas parte das negociações que continuam acontecendo nos bastidores.
Centro-Oeste segue como base política
Ao destacar os recursos destinados à região de Divinópolis e do Centro-Oeste mineiro, Eduardo Azevedo também deixou claro qual continuará sendo o eixo central de sua campanha.
Nos últimos anos, o deputado consolidou uma atuação voltada para os municípios da região, fortalecendo relações com prefeitos, vereadores e lideranças locais.
Essa presença regional tende a ser um dos principais argumentos da campanha pela reeleição, especialmente em um momento em que os eleitores têm cobrado resultados concretos dos representantes eleitos.
Próximos dias serão decisivos
Com o calendário eleitoral avançando, as articulações políticas devem se intensificar até o encerramento das convenções.
Além da homologação definitiva das candidaturas, os partidos ainda trabalham para concluir alianças, definir composições e organizar os palanques que sustentarão suas campanhas em Minas Gerais.
Nesse cenário, a convenção do PL mostrou que, embora a legenda tenha oficializado seus candidatos proporcionais, o diálogo sobre a disputa majoritária continua aberto.
As declarações de Eduardo Azevedo evidenciam que os próximos dias serão decisivos para a consolidação do quadro eleitoral mineiro e reforçam que, por trás dos atos públicos das convenções, continuam em andamento negociações que poderão influenciar diretamente a configuração da disputa pelo Governo de Minas.






