ABIFA: FENAF, a maior feira de fundição da América Latina começa nesta terça-feira e reúne empresas nacionais e internacionais em São Paulo

Em entrevista ao Divinews, empresária Daniele Magalhães destaca crescimento da maior feira latino-americana do setor, defende união empresarial e alerta que Minas Gerais precisa recuperar o protagonismo perdido na indústria de fundição.

Publicado por: Geraldo Passos

A indústria brasileira de fundição terá, a partir desta terça-feira (21), um dos seus mais importantes encontros do ano. A 21ª FENAF, Feira Latino-Americana de Fundição, será realizada até sexta-feira (24), no São Paulo Expo, reunindo empresas, fornecedores, compradores e especialistas do Brasil e do exterior. Em entrevista ao Divinews, a empresária de Divinópolis Daniele Magalhães destacou que a expectativa é de uma edição histórica, não apenas pela ampliação da feira, mas pela oportunidade de aproximar o setor de novas tecnologias e fortalecer uma indústria que, segundo ela, precisa recuperar protagonismo, especialmente em Minas Gerais.

A FENAF é promovida pela Associação Brasileira de Fundição, a ABIFA, e chega à 21ª edição em um momento de importantes desafios para a indústria nacional. Paralelamente à exposição, será realizado o CONAF, Congresso ABIFA de Fundição, com discussões sobre produtividade, inovação, sustentabilidade, tecnologia e competitividade.

Continua depois da publicidade

Em entrevista concedida ao Divinews, Daniele, conhecida como Dani, destacou que a expectativa é superar o público da edição anterior, que ultrapassou 7 mil visitantes. A empresária ressaltou ainda a ampliação do espaço e do número de expositores nesta edição.

Dados oficiais da ABIFA mostram que a edição anterior, realizada em 2024, recebeu 7.167 visitantes. Para 2026, 94% da área comercializável já estava ocupada no início de julho, com 79 empresas brasileiras e representantes de 15 companhias estrangeiras confirmados.

Feira ganha dimensão maior no São Paulo Expo

Uma das principais novidades desta edição é justamente o local escolhido.

Pela primeira vez, segundo a ABIFA, a FENAF será realizada no São Paulo Expo, no Pavilhão 7, estrutura que oferece uma área maior para acompanhar o crescimento do evento.

A feira funcionará diariamente das 13h às 20h, enquanto o CONAF terá atividades das 8h às 12h. A programação reunirá toda a cadeia produtiva, desde fornecedores de matérias-primas e equipamentos até fundições, compradores e empresas de tecnologia.

Para Dani, entretanto, a importância de uma feira presencial vai muito além da exposição de máquinas.

Continua depois da publicidade

“A feira presencial ainda é um momento de muita oportunidade para todo mundo”, afirmou.

Segundo ela, o encontro permite que pequenas e médias fundições tenham contato com tecnologias e fornecedores internacionais sem necessariamente precisar viajar para outros países. A empresária também destacou a importância das relações construídas presencialmente entre empresários, fornecedores e compradores.

Esse contato direto, na avaliação da empresária, continua sendo insubstituível mesmo diante do avanço das redes sociais e das ferramentas digitais.

Participação internacional provoca debate sobre concorrência

A presença de empresas estrangeiras também entrou no debate durante a entrevista.

A FENAF terá representantes internacionais de países como China, Índia, Turquia, México, Alemanha e Itália. A participação ocorre justamente em um momento no qual a indústria brasileira discute competitividade, importações e as transformações nas cadeias globais de produção.

Questionada sobre a presença de concorrentes estrangeiros em uma feira voltada à indústria nacional, Dani defendeu que a abertura ao mercado internacional também pode estimular a evolução das empresas brasileiras.

“A indústria brasileira é forte. A indústria brasileira tem condições de competir com a indústria internacional”, afirmou.

Para a empresária, simplesmente fechar as portas à concorrência estrangeira não resolveria os problemas estruturais enfrentados pela indústria nacional.

“A concorrência muitas vezes nos leva a saber o que a concorrência quer fazer”, argumentou durante a entrevista.

Minas perdeu protagonismo na fundição, avalia empresária

A discussão ganha relevância especial para o Centro-Oeste de Minas, região historicamente ligada à indústria metalúrgica e de fundição.

Divinópolis, Itaúna, Cláudio e municípios próximos concentram empresas importantes da cadeia produtiva. Entretanto, na avaliação de Dani, Minas Gerais perdeu parte do protagonismo que já exerceu nacionalmente.

“Minas Gerais já teve um protagonismo muito maior do setor de fundição. Há uma necessidade do Estado olhar para isso, porque outros estados estão se tornando protagonistas”, afirmou.

Segundo a empresária, existe um grande potencial para ampliar a produção nacional de fundidos que atualmente chegam ao Brasil incorporados a máquinas e equipamentos importados.

Ela também defende uma maior articulação empresarial para cobrar políticas capazes de fortalecer a produção.

“O problema é a falta de união do setor e de saber se articular para saber o que pedir para o governo”, declarou.

O debate sobre a competitividade industrial também ocorre em meio a mudanças no comércio internacional, cenário que aumenta a necessidade de investimentos em produtividade e tecnologia para que empresas brasileiras disputem mercados em condições mais equilibradas.

Indústria precisa de mais defensores, diz Dani

Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a defesa de uma maior valorização social da atividade industrial.

Para Dani, a indústria brasileira precisa comunicar melhor sua importância para a geração de empregos, renda e desenvolvimento econômico.

“A indústria precisa de influencers. Ela está precisando de mais apoiadores na vida real quanto na vida digital, para mostrar a realidade da indústria”, afirmou.

Na avaliação da empresária, praticamente todas as atividades econômicas dependem, direta ou indiretamente, da produção industrial.

Dani também defendeu que o Brasil precisa agregar mais valor às próprias riquezas, reduzindo a dependência de um modelo econômico baseado na exportação de matérias-primas e posterior importação de produtos industrializados.

A ABIFA, entidade que representa nacionalmente o setor desde 1969, também atua na defesa de políticas voltadas à competitividade e na disseminação de inovação e conhecimento técnico entre as empresas brasileiras.

CONAF discutirá o futuro da fundição brasileira

Paralelamente à exposição comercial, o 21º CONAF terá como tema central “O futuro da indústria de fundição competitiva do Brasil”.

Durante os quatro dias, especialistas brasileiros e estrangeiros discutirão caminhos relacionados à inovação, produtividade, sustentabilidade e competitividade.

A programação técnica contará com 25 trabalhos distribuídos entre diferentes segmentos da fundição, além de uma palestra de abertura sobre produtividade, tecnologia e geopolítica das cadeias de valor.

A realização simultânea dos dois eventos transforma o São Paulo Expo em um espaço que combina geração de negócios e discussão técnica sobre os caminhos da indústria.

ABIFA terá espaço inédito dedicado à imprensa

Outra novidade antecipada por Dani durante a entrevista ao Divinews será a criação, pela primeira vez, de um espaço específico destinado à imprensa dentro da estrutura da ABIFA na feira.

Segundo ela, o ambiente deverá servir como ponto de apoio aos profissionais responsáveis pela cobertura da FENAF.

A empresária também confirmou a participação do SENAI 4.0 e destacou que os estandes foram preparados para apresentar tecnologias e soluções voltadas à modernização industrial.

“Vai ser uma feira histórica e eu espero que seja um momento também de união, de integração”, afirmou.

Associativismo também entrou no debate

Embora a FENAF tenha sido o tema principal da entrevista, a conversa também abordou divergências internas que marcaram recentemente o processo eleitoral da ABIFA.

Dani defendeu que diferenças de posicionamento fazem parte do ambiente associativo, mas argumentou que o setor precisa concentrar esforços nos desafios externos enfrentados pela indústria.

“Acho que a ABIFA pode rejuvenescer e, ao mesmo tempo, manter a tradição. É possível encontrar equilíbrio”, afirmou.

Segundo ela, momentos de mudança podem abrir espaço para novas empresas, novas lideranças e maior participação feminina sem apagar a contribuição de empresários que construíram historicamente a entidade.

“Esse novo trabalho não significa excluir as pessoas do passado e nem apagar nada do que foi histórico, do que foi feito. Pelo contrário. Acho que a gente agora precisa somar”, declarou.

A mensagem de união chega justamente às vésperas do principal encontro do setor.

Entre máquinas, novas tecnologias, debates técnicos e encontros empresariais, a FENAF 2026 também será uma oportunidade para a indústria brasileira olhar para seus próprios desafios.

Para Minas Gerais e especialmente para o Centro-Oeste mineiro, onde a fundição possui importância histórica na economia regional, o debate vai além de uma feira realizada em São Paulo. Trata-se também de discutir como recuperar competitividade, ampliar investimentos e garantir que uma região tradicionalmente industrial não perca espaço diante do avanço de outros polos produtivos.

A FENAF acontece entre os dias 21 e 24 de julho, das 13h às 20h, no São Paulo Expo. O CONAF ocorre nos mesmos dias, no período da manhã.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados