O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais anunciou, nesta quarta-feira, a oferta de R$ 3 bilhões em crédito para a Safra 2026/2027, o maior volume já destinado pela instituição ao setor do agronegócio. O valor representa crescimento de 50% em relação ao montante projetado na safra anterior e amplia a atuação do banco junto a produtores rurais, cooperativas, empresas, indústrias e demais elos da cadeia produtiva do campo.
A nova programação de crédito também marca uma novidade importante: o BDMG passará a financiar a agricultura familiar em Minas Gerais. A inclusão desse público amplia o alcance das linhas de financiamento e reforça o papel do banco como instrumento de desenvolvimento econômico, especialmente em um estado onde o campo tem peso decisivo na geração de renda, emprego, produção de alimentos e movimentação das economias locais.
Dentro das linhas vinculadas ao Plano Safra, serão disponibilizados R$ 586 milhões, distribuídos em 11 modalidades de crédito. Para a agricultura familiar, o banco atuará com financiamento voltado à aquisição de matrizes e reprodutores, além de tratores e colheitadeiras, permitindo que pequenos produtores tenham acesso a equipamentos e investimentos capazes de melhorar a produtividade.
No agro empresarial, o foco será a modernização da frota agrícola, principalmente entre médios produtores. A estratégia busca ampliar a eficiência das propriedades, reduzir gargalos produtivos e apoiar a competitividade do setor. O BDMG também seguirá ofertando linhas voltadas à inovação no campo, ampliação de áreas irrigadas, construção e modernização de armazéns, investimento em cooperativas de produção, agricultura regenerativa e outras soluções financeiras direcionadas ao desenvolvimento rural.
As linhas do Plano Safra 2026/2027 se somam a outras alternativas oferecidas pelo banco ao agronegócio, como crédito do Funcafé e produtos estruturados com recursos próprios. Com esse conjunto de soluções, a projeção total chega aos R$ 3 bilhões anunciados para o novo ciclo.
O anúncio ocorre em um momento de forte desempenho do agro dentro da carteira do BDMG. Na safra encerrada nesta terça-feira (30), o banco registrou liberação recorde de financiamentos para a cadeia do agronegócio, ultrapassando R$ 2,84 bilhões. O resultado ficou 76% acima do valor realizado na Safra 2024/2025.
Para o presidente do BDMG, Gabriel Viégas Neto, os números demonstram procura robusta por investimentos no setor, especialmente em modernização, inovação, armazenagem, irrigação e práticas sustentáveis.
“O BDMG, mais uma vez, buscou diversificar as soluções que pode oferecer para garantir aos produtores e empresários mineiros as condições necessárias para serem ainda mais competitivos, inclusive no mercado internacional. Temos tido resultados expressivos no Agro. Em 2025, o setor foi responsável por mais de metade dos financiamentos que realizamos e em 2026, apenas neste primeiro semestre, já são mais de R$ 1,25 bilhão em crédito liberado para o setor. Destaco o aumento na procura para iniciativas de agricultura regenerativa, que traz benefícios na produção, custos e competitividade das propriedades”, afirmou.
A agricultura regenerativa aparece como uma das apostas do banco para os próximos anos. O modelo busca associar produtividade com práticas de conservação do solo, redução de impactos ambientais, recuperação de áreas produtivas e uso mais eficiente dos recursos naturais. Em um cenário de mudanças climáticas, custos elevados e maior exigência de mercados consumidores, esse tipo de investimento ganha espaço entre produtores e empresas que buscam competitividade de longo prazo.
O BDMG também atua no agro por meio de cooperativas de crédito presentes em todas as regiões de Minas Gerais. Essa estratégia permite alcançar pequenos e médios produtores, que muitas vezes não acessam diretamente estruturas tradicionais de financiamento. Já entre grandes empresas do setor, o atendimento é feito por gerentes especializados, com soluções financeiras adequadas ao porte e ao perfil dos projetos.
O reforço no crédito ocorre em um cenário em que o Plano Safra segue como uma das principais ferramentas de financiamento da produção rural no Brasil. O programa federal reúne linhas de crédito para custeio, investimento, comercialização e industrialização, atendendo tanto a agricultura empresarial quanto a agricultura familiar. Em Minas, a atuação complementar do BDMG amplia a capacidade de financiamento e aproxima o crédito de produtores de diferentes portes.
A chegada do banco à agricultura familiar também tem efeito social relevante. Esse segmento responde por parte importante da produção de alimentos, movimenta pequenas propriedades, mantém famílias no campo e fortalece economias municipais. Ao financiar matrizes, reprodutores, tratores e colheitadeiras, o BDMG cria uma porta de entrada para que produtores familiares melhorem estrutura, produtividade e renda.
Além disso, o crédito para armazenamento, irrigação e modernização da produção contribui para reduzir perdas, melhorar a qualidade dos produtos e fortalecer a presença mineira em cadeias de valor mais competitivas. No caso das cooperativas, o financiamento pode gerar efeito coletivo, beneficiando grupos de produtores e ampliando a escala de investimento.
Com o anúncio dos R$ 3 bilhões para a Safra 2026/2027, o BDMG consolida uma estratégia de expansão no agronegócio mineiro. O banco aposta em diversificação de linhas, interiorização do crédito, apoio a diferentes perfis de produtores e fortalecimento de atividades que vão da agricultura familiar às grandes empresas exportadoras.
Na prática, o novo pacote representa uma prestação de serviço ao setor produtivo e aos municípios mineiros. Em muitas cidades, especialmente no interior, a economia depende diretamente da força do campo. Crédito disponível no momento certo pode significar mais plantio, mais tecnologia, mais máquinas, mais armazenagem, mais competitividade e maior circulação de renda.
O desafio, agora, será fazer com que os recursos cheguem de forma ágil e eficiente ao produtor. Para isso, a articulação com cooperativas de crédito, sindicatos, entidades rurais, prefeituras e empresas do setor será decisiva. Quanto mais informação chegar ao campo, maior será a chance de que o produtor encontre a linha adequada para seu projeto.
O anúncio do BDMG reforça que o agronegócio mineiro segue em alta e que a nova safra começa com expectativa de forte movimentação financeira. Com R$ 3 bilhões em crédito, novas linhas para agricultura familiar e continuidade de soluções voltadas à inovação e sustentabilidade, o banco amplia sua presença em uma das cadeias mais estratégicas da economia de Minas Gerais.






