Lula lidera pesquisa presidencial no 1º turno e vence todos os cenários de 2º turno; 46,3% x 36,6% Flávio Bolsonaro

Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra Lula com 46,3% no principal cenário de primeiro turno e vantagem contra Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos em simulações de segundo turno

Publicado por: Geraldo Passos

A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo retrato nesta quarta-feira (1º), com a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg. O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança do primeiro turno e também à frente em todos os cenários de segundo turno testados pelo instituto – No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 46,3% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como principal nome do campo bolsonarista para a disputa presidencial, surge em segundo lugar, com 36,6%. A diferença entre os dois é de 9,7 pontos percentuais.

Na sequência aparecem Renan Santos, do Missão, com 7,8%; Ronaldo Caiado, do PSD, com 2,9%; e Romeu Zema, do Novo, com 2,0%. Outros nomes testados registram percentuais menores. O levantamento também mostra baixo índice de indecisos no cenário principal, o que indica um ambiente eleitoral já bastante cristalizado entre os dois principais polos da disputa.

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O dado mais relevante, porém, está na comparação com cenários anteriores. A pesquisa mostra Lula novamente em vantagem contra Flávio Bolsonaro, depois de levantamentos anteriores indicarem disputa mais apertada. Em abril, segundo registros divulgados sobre a série AtlasIntel/Bloomberg, os dois apareciam tecnicamente empatados. Agora, o petista volta a abrir vantagem numérica mais confortável no recorte nacional.

Em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece com 48,8%, contra 42,3% do senador. A distância é de 6,5 pontos percentuais. Como a margem de erro do levantamento é de um ponto percentual, o resultado coloca o atual presidente numericamente à frente no cenário testado.

A pesquisa também simulou outros confrontos de segundo turno. Contra Michelle Bolsonaro, Lula aparece com 48,7%, enquanto a ex-primeira-dama registra 38,9%. Contra Romeu Zema, o petista marca 48,2%, diante de 38,5% do ex-governador de Minas Gerais. Em uma disputa com Ronaldo Caiado, Lula aparece com 48,0%, contra 39,0% do governador de Goiás. Já contra Renan Santos, o presidente registra 49,2%, contra 28,9%.

Os números reforçam um quadro que vem se desenhando nos últimos meses: Lula mantém presença forte no eleitorado nacional, enquanto o campo da direita ainda busca consolidar um nome com capacidade de unificar o voto bolsonarista, atrair centro político e reduzir rejeições.

Flávio Bolsonaro aparece, neste momento, como o adversário mais competitivo dentro dos cenários testados. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador assumiu protagonismo no campo da direita após a inelegibilidade do pai e tenta se apresentar como herdeiro político do bolsonarismo. Entretanto, o desafio permanece grande: manter a base fiel ao ex-presidente, reduzir resistências em setores moderados e enfrentar a força eleitoral de Lula em um país ainda marcado por alta polarização.

Michelle Bolsonaro também aparece como nome de peso no campo conservador, especialmente pelo apelo junto a segmentos evangélicos e ao eleitorado feminino de direita. No entanto, no cenário estimulado de primeiro turno com Michelle no lugar de Flávio, Lula aparece com 47,1%, enquanto ela registra 19,3%. Nesse recorte, Romeu Zema, Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem na faixa de 8%, disputando espaço no mesmo campo de oposição.

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Romeu Zema, nome conhecido em Minas Gerais e associado ao campo liberal, aparece com desempenho menor no cenário nacional. Embora tenha capital político em Minas, sua pontuação na pesquisa nacional ainda mostra dificuldade de expansão para além do eleitorado regional e de nichos ideológicos. No cenário principal de primeiro turno, Zema marca 2,0%. Em outro cenário estimulado, chega a 3,0%. Quando Michelle Bolsonaro aparece na disputa, ele sobe para 8,6%, mas ainda distante de Lula.

Ronaldo Caiado também aparece como alternativa testada pela direita e pelo centro-direita. Governador de Goiás, ele registra 2,9% no cenário principal de primeiro turno e 3,1% em outro recorte. No segundo turno contra Lula, chega a 39,0%, mas ainda fica atrás do presidente.

Renan Santos, presidente do partido Missão, chama atenção por aparecer em terceiro lugar no principal cenário de primeiro turno, com 7,8%. Mesmo sem a estrutura nacional dos grandes partidos tradicionais, ele aparece numericamente à frente de nomes como Caiado e Zema no cenário testado. Porém, no segundo turno contra Lula, registra 28,9%, o desempenho mais baixo entre os adversários avaliados contra o petista.

O levantamento AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 pessoas em todo o país entre 26 e 30 de junho de 2026. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.

Como toda pesquisa eleitoral, o levantamento representa uma fotografia do momento. Ele não antecipa resultado definitivo, nem substitui campanha, alianças, tempo de televisão, redes sociais, debates, fatos econômicos ou crises políticas que podem alterar o humor do eleitorado até a eleição.

Ainda assim, os dados ajudam a medir tendências. Neste momento, a fotografia indica Lula liderando o primeiro turno, vencendo todos os cenários de segundo turno e mantendo vantagem sobre o principal nome bolsonarista testado.

A leitura geral das pesquisas mais recentes mostra três movimentos importantes.

O primeiro é a permanência da polarização. Lula e o nome ligado diretamente ao bolsonarismo concentram a maior parte das intenções de voto. Mesmo com outros candidatos testados, o eleitorado continua fortemente organizado em torno dos dois grandes campos que dominaram a política nacional nos últimos anos.

O segundo movimento é a dificuldade da chamada terceira via. Nomes como Zema, Caiado, Renan Santos e Joaquim Barbosa aparecem nas simulações, mas nenhum deles, até agora, conseguiu romper a barreira necessária para ameaçar diretamente os dois polos principais no primeiro turno. Alguns crescem em cenários específicos, mas ainda não aparecem como força central da disputa.

O terceiro movimento é a recomposição da vantagem de Lula. Depois de levantamentos anteriores apontarem cenários mais apertados contra Flávio Bolsonaro, a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra o presidente com vantagem mais clara tanto no primeiro quanto no segundo turno. Esse dado tende a influenciar estratégias de campanha, alianças e o debate interno no campo da direita sobre qual nome teria maior competitividade.

A pesquisa também mostra que a disputa ainda está longe de estar resolvida. O campo governista trabalha para manter a vantagem e reduzir desgastes ligados à economia, segurança pública e crises políticas. Já a oposição tenta consolidar um nome, ampliar discurso para além da base bolsonarista e transformar a eleição em um plebiscito contra o atual governo.

Em Minas Gerais, os números também têm leitura própria. Romeu Zema, que já foi apontado como possível nome competitivo da direita nacional, aparece distante dos líderes no cenário presidencial. O desempenho nacional ainda não acompanha a projeção que ele possui no estado. Isso pode afetar articulações políticas, especialmente em Minas, onde a sucessão estadual e a disputa presidencial tendem a caminhar juntas.

A partir de agora, cada nova pesquisa será observada sob três perguntas: Lula mantém a vantagem? Flávio Bolsonaro consolida a condição de principal adversário? Algum nome alternativo da direita ou do centro consegue crescer a ponto de alterar a polarização?

Por enquanto, a resposta dada pela pesquisa AtlasIntel/Bloomberg é clara: Lula segue na frente, Flávio Bolsonaro aparece como adversário mais forte, e os demais nomes ainda buscam espaço em uma eleição que, até aqui, continua marcada pelo duelo entre lulismo e bolsonarismo.

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