Minas reforça combate à violência: acordo entre MPMG e Segurança Pública eleva proteção às mulheres em 59%

Integração entre MPMG e órgãos de segurança amplia monitoramento eletrônico, acelera respostas e alcança cerca de 2,5 mil pessoas no estado

Publicado por: Cristiane Ferreira

O monitoramento eletrônico de vítimas de violência doméstica e familiar em Minas Gerais registrou um crescimento de 59,3% nos últimos nove meses, impulsionado pela ampliação do uso do chamado “botão do pânico” e pela integração de dados entre instituições de Justiça e Segurança Pública.

Os dados são da Diretoria de Monitoramento Eletrônico da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (DME/Sejusp) e refletem os resultados do Acordo de Cooperação Técnica (ACT), coordenado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD).

Continua depois da publicidade

Atualmente, aproximadamente 2,5 mil pessoas estão sob monitoramento, incluindo vítimas e agressores.

Monitoramento também cresce entre agressores

O relatório referente a junho de 2026 aponta ainda um aumento de 50,7% no número de agressores monitorados por tornozeleira eletrônica no mesmo período.

O avanço mais expressivo ocorreu no interior de Minas Gerais, onde o uso do sistema cresceu 189% desde setembro de 2025, quando o acordo foi assinado.

Como funciona o “botão do pânico”

O sistema, tecnicamente chamado de Unidade Portátil de Rastreamento (UPR), funciona de forma integrada entre vítima e agressor.

Na prática, a Polícia Penal instala uma tornozeleira eletrônica no agressor que possui medida protetiva, enquanto a vítima recebe um dispositivo portátil de alerta, de tamanho semelhante ao de uma caixa de fósforos.

Ambos os aparelhos são georreferenciados por satélite. Caso o agressor descumpra a ordem judicial e ultrapasse o limite mínimo de distância, o sistema emite alerta imediato e a vítima pode acionar a polícia com apenas um botão.

Continua depois da publicidade
Fluxo de atuação e integração entre instituições

Dados da Sejusp apontam que ainda existem lacunas na aplicação do monitoramento em alguns casos. Para reduzir essas falhas, o MPMG, por meio do CAOVD, passou a identificar situações individualmente.

O fluxo funciona da seguinte forma:

O CAOVD analisa relatórios e identifica casos de descumprimento ou ausência de instalação dos dispositivos

Promotores de Justiça locais são acionados

As forças de segurança realizam a instalação da tornozeleira e a entrega do dispositivo à vítima

O sistema passa a ser monitorado em tempo quase real

Segundo o MPMG, essa integração permite maior eficiência no cumprimento das decisões judiciais e aumenta a proteção das vítimas.

Depoimento oficial

A promotora de Justiça Denise Guerzoni destaca que a cooperação entre instituições fortaleceu o sistema de proteção:

“Os resultados demonstram que a integração entre as instituições, aliada à atuação coordenada do MPMG, consolidou o monitoramento eletrônico e o uso do botão do pânico como importantes instrumentos de proteção das mulheres em situação de violência doméstica e familiar, conferindo maior agilidade, eficiência e efetividade ao cumprimento das decisões judiciais em Minas Gerais, especialmente no interior.”

Acordo de cooperação fortalece rede de proteção

O avanço é resultado do Acordo de Cooperação Técnica assinado em setembro de 2025, que reúne:

Ministério Público de Minas Gerais (MPMG)

Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp)

Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG)

Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese)

Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG)

O objetivo é garantir o compartilhamento de dados entre os órgãos e monitorar a execução das medidas protetivas.

Inovação no acompanhamento dos casos

Com a nova estrutura, o CAOVD passou a distribuir relatórios diretamente às promotorias da capital e do interior, permitindo identificar:

Agressores que não comparecem para instalação da tornozeleira

Vítimas que não receberam ou não retiraram o dispositivo

Falhas na execução das medidas judiciais

A partir dessas informações, cada caso é tratado individualmente, com identificação completa das partes envolvidas e acionamento das autoridades locais.

Mais agilidade e proteção às vítimas

De acordo com o MPMG, o novo modelo de integração permite acompanhamento praticamente em tempo real das medidas protetivas, garantindo mais rapidez na atuação do sistema de Justiça.

O resultado é o aumento da sensação de segurança e a redução da vulnerabilidade de mulheres em situação de risco em todo o estado, especialmente fora da capital.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados