As tradicionais festas juninas e julinas, marcadas por fogueiras, fogos de artifício, comidas típicas , líquidos quentes , churrasqueiras e celebrações familiares, também exigem atenção redobrada quando o assunto é segurança infantil. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alertou hoje (22) que o período aumenta significativamente a exposição de crianças e adolescentes a situações de risco, especialmente queimaduras provocadas por fogo, líquidos quentes, superfícies aquecidas e materiais inflamáveis. Somente entre 2024 e 2025, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 13,8 mil internações por queimaduras e acidentes térmicos graves envolvendo menores de idade.
Queimaduras aumentam durante as festas de São João
O alerta foi reforçado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Edson Liberal, que destacou que as tradicionais festas fazem parte da cultura brasileira, mas exigem cuidados especiais por parte das famílias.
Segundo ele, o ambiente típico das comemorações reúne diversos fatores que aumentam o risco de acidentes.
“As festas fazem parte da cultura brasileira e são momentos de celebração para muitas famílias, mas também exigem atenção redobrada porque neste período há maior exposição a fogueiras, fogos de artifício, churrasqueiras, recipientes com alimentos e bebidas quentes e outros materiais inflamáveis”, afirmou.
A orientação da entidade é que crianças jamais manuseiem fogos de artifício, fósforos, isqueiros ou qualquer equipamento que envolva fogo ou explosão. A recomendação também é que permaneçam sempre sob supervisão de adultos e afastadas de fontes de calor.
Mais de 13,8 mil internações em apenas dois anos
Dados levantados pela Sociedade Brasileira de Pediatria com base nas informações do Sistema Único de Saúde mostram a dimensão do problema.
Entre 2024 e 2025 foram registradas:
6.965 internações em 2024;
6.855 internações em 2025;
13.820 hospitalizações no total, envolvendo crianças e adolescentes vítimas de queimaduras e outros acidentes térmicos graves.
Na média, quase 20 crianças e adolescentes foram internados todos os dias no país durante os dois anos analisados.
A entidade ressalta, entretanto, que o número real de acidentes é muito superior aos registros oficiais, já que o levantamento considera apenas os casos que exigiram hospitalização.
Segundo Edson Liberal, milhares de ocorrências leves e moderadas acabam sendo atendidas em prontos-socorros, unidades de saúde, consultórios médicos ou até mesmo tratadas em casa, sem entrar nas estatísticas oficiais.
“Sabemos que o número real de ocorrências é bastante superior ao registrado, já que muitos episódios leves e moderados são atendidos em unidades de pronto atendimento, consultórios ou mesmo tratados em casa.”
Crianças menores de cinco anos são as principais vítimas
O levantamento aponta que os menores de cinco anos representam o grupo mais vulnerável.
Eles concentraram 53,8% de todas as internações pediátricas por queimaduras registradas entre 2024 e 2025.
A distribuição das hospitalizações também mostra:
Crianças de 5 a 9 anos: 2.820 internações (20%);
Crianças de 10 a 14 anos: 1.848 casos (13%);
Adolescentes de 15 a 19 anos: 1.721 internações (12%).
Os dados são do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do Ministério da Saúde.
Ambientes domésticos concentram grande parte dos acidentes
De acordo com a SBP, a maior parte das queimaduras ocorre dentro de casa.
Os acidentes mais frequentes envolvem:
panelas e recipientes com alimentos quentes;
líquidos ferventes;
óleo quente;
churrasqueiras;
fogões;
superfícies aquecidas;
fogo e chamas.
Também aparecem registros relacionados à exposição à corrente elétrica, temperaturas extremas, agressões e outros acidentes térmicos.
Nos casos mais graves, as consequências podem ser fatais.
Os registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) mostram que mais de 300 crianças e adolescentes morreram por queimaduras em 2023 e novamente em 2024.
Curiosidade infantil aumenta o risco de acidentes
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, a curiosidade é uma característica natural do desenvolvimento infantil, mas também representa um fator importante para a ocorrência de acidentes.
“As crianças pequenas ainda não possuem maturidade para identificar situações perigosas. Objetos coloridos, brilhantes, que produzem calor, luz ou movimento despertam naturalmente seu interesse.”
Além disso, é comum que tentem:
puxar toalhas de mesa;
alcançar panelas;
abrir portas;
subir em móveis;
reproduzir comportamentos observados nos adultos.
Por isso, a supervisão constante dos responsáveis e a adaptação dos ambientes domésticos são consideradas medidas essenciais para prevenir acidentes.
Outros agentes também podem provocar queimaduras graves
Além das queimaduras causadas por fogo e líquidos quentes, a SBP chama atenção para outros agentes capazes de provocar lesões severas.
Entre eles estão:
produtos químicos, como soda cáustica;
produtos de limpeza;
substâncias corrosivas;
tomadas sem proteção;
fios desencapados;
instalações elétricas inadequadas;
álcool líquido;
álcool em gel e outros materiais inflamáveis.
Segundo Edson Liberal, a pele infantil é mais fina e delicada, tornando as queimaduras mais profundas e aumentando o risco de sequelas permanentes.
Dependendo da gravidade, o tratamento pode exigir cirurgias, enxertos e longos períodos de recuperação.
Sudeste lidera número de internações
A pesquisa também mostra diferenças entre as regiões brasileiras.
Em 2024 e 2025, o Sudeste concentrou o maior número de hospitalizações por queimaduras entre crianças e adolescentes.
Internações por região
Sudeste
2.203 casos (2024)
2.328 casos (2025)
Nordeste
1.830 casos (2024)
1.799 casos (2025)
Sul
1.675 casos (2024)
1.763 casos (2025)
Norte
724 casos (2024)
692 casos (2025)
Centro-Oeste
533 casos (2024)
525 casos (2025)
Como prevenir queimaduras durante as festas juninas
Especialistas reforçam que a maioria dos acidentes pode ser evitada com atitudes simples.
Entre as principais recomendações estão:
manter crianças longe de fogueiras;
impedir o manuseio de fogos de artifício;
não deixar panelas com cabos voltados para fora do fogão;
evitar recipientes com líquidos quentes ao alcance das crianças;
manter álcool e produtos inflamáveis armazenados em locais seguros;
proteger tomadas e instalações elétricas;
supervisionar constantemente as crianças durante toda a festa.
A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que informação, vigilância e prevenção continuam sendo as principais ferramentas para reduzir o número de acidentes e garantir que as comemorações juninas e julinas ocorram de forma segura para toda a família.






