A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Divinópolis, na última sexta-feira (19), durante a inauguração do Hospital Universitário da UFSJ em Divinópolis, foi marcada por um gesto simbólico de mão dupla: José Márcio Zanardi, secretário-executivo do CIS-URG Oeste, foi homenageado pelo presidente e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e também prestou homenagem a Lula em nome do reconhecimento pelo apoio do Governo Federal ao SAMU.
O momento ocorreu dentro de uma cerimônia carregada de significado para Divinópolis e para toda a região Centro-Oeste de Minas. A entrega do Hospital Universitário representou um avanço histórico para a saúde pública regional, mas também abriu espaço para reconhecer trajetórias de pessoas que ajudaram a construir, fortalecer e defender o Sistema Único de Saúde na prática, no território e na gestão diária.
Foi nesse contexto que José Márcio Zanardi recebeu das mãos do presidente Lula e do ministro Alexandre Padilha a carteirinha de sanitarista, em reconhecimento a uma trajetória de quase 30 anos dedicada à saúde pública brasileira.
A homenagem não foi apenas pessoal. Ela representou também o reconhecimento a uma geração de gestores, técnicos e trabalhadores que construíram o SUS fora dos holofotes, muitas vezes enfrentando crise financeira, dificuldade operacional, escassez de recursos, cobrança da população e a urgência de manter serviços essenciais funcionando.
José Márcio é um desses nomes. À frente da secretaria-executiva do CIS-URG Oeste, ele atua em uma estrutura que gerencia o SAMU 192 na região Oeste e Centro de Minas, serviço essencial para o atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência. O trabalho do consórcio alcança 53 municípios da macrorregião Oeste e outros 12 da região Central, garantindo resposta rápida em situações em que minutos podem definir a vida de um paciente.
Durante a cerimônia, a homenagem recebida por José Márcio teve uma segunda parte igualmente simbólica. Ele também entregou ao presidente Lula uma placa de homenagem em agradecimento ao apoio do Governo Federal para a manutenção do SAMU e pela recente renovação da frota, que contemplou integralmente as ambulâncias do consórcio.
Esse gesto transformou o ato em uma homenagem mútua. De um lado, o presidente e o ministro reconheceram a trajetória de um gestor sanitarista com décadas de dedicação ao SUS. De outro, José Márcio reconheceu publicamente a importância do investimento federal para manter e qualificar um serviço que salva vidas todos os dias em Divinópolis, no Centro-Oeste e em parte da região Central de Minas.
A renovação da frota do SAMU tem impacto direto na qualidade da assistência. Ambulâncias novas, equipadas e em condições adequadas reduzem riscos operacionais, melhoram o tempo de resposta, oferecem mais segurança às equipes e ampliam a capacidade de atendimento à população. Em serviços de urgência, estrutura não é detalhe. É diferença concreta entre demora e resposta, entre improviso e eficiência.
Ao receber a carteirinha de sanitarista, José Márcio destacou o peso da honraria em sua trajetória profissional. Ele afirmou que o reconhecimento representa quase três décadas de trabalho dedicadas à saúde pública, período em que atuou como gestor, assessor e consultor no Sistema Único de Saúde.
“Receber essa carteirinha de sanitarista representa o reconhecimento de uma trajetória de quase 30 anos dedicada à saúde pública. Ao longo desse período, atuei como gestor, assessor e consultor no Sistema Único de Saúde, sempre comprometido com a construção e o fortalecimento do SUS. Esse reconhecimento reforça nosso compromisso com uma gestão de qualidade, pautada na eficiência e na garantia de um SUS cada vez mais acessível e resolutivo para todos. Receber essa homenagem das mãos do ministro Alexandre Padilha e do presidente Lula é motivo de grande honra e nos compromete ainda mais a continuar fazendo o melhor pela saúde pública brasileira”, afirmou.
A fala revela a dimensão da homenagem. A carteirinha de sanitarista não é apenas um objeto entregue em solenidade. Ela simboliza o reconhecimento de uma profissão que carrega uma das histórias mais importantes da saúde pública no Brasil.
O sanitarismo brasileiro nasceu da necessidade de enfrentar problemas coletivos de saúde. No início do século XX, quando epidemias, falta de saneamento, doenças transmissíveis e ausência de políticas públicas estruturadas afetavam profundamente o país, os chamados médicos higienistas e sanitaristas passaram a atuar na organização de ações de prevenção, vigilância, controle de doenças e proteção da coletividade.
Com o passar do tempo, o conceito de sanitarismo se ampliou. Deixou de ser apenas combate a epidemias e passou a envolver planejamento, gestão, vigilância em saúde, atenção primária, análise de riscos, formulação de políticas públicas e defesa do direito à saúde. O sanitarista se tornou o profissional que olha para a saúde não apenas como atendimento individual, mas como construção coletiva.
Essa visão foi decisiva para o movimento da Reforma Sanitária Brasileira, que ajudou a formar as bases do SUS. A ideia central era simples e revolucionária: saúde não poderia ser privilégio de quem pagava, nem favor político, nem benefício restrito. Saúde deveria ser direito de todos e dever do Estado.
A Constituição de 1988 transformou esse princípio em norma. A partir dela, o Sistema Único de Saúde passou a ser construído como uma das maiores políticas públicas do país. Universalidade, integralidade, equidade, participação social e descentralização se tornaram pilares de um modelo que, apesar de todos os desafios, mudou a forma como o Brasil organiza o cuidado à população.
Nesse cenário, o sanitarista ocupa papel estratégico. É o profissional que ajuda a pensar o sistema, planejar redes, organizar fluxos, avaliar indicadores, fortalecer a gestão, prevenir agravos, integrar vigilância e assistência, além de formular respostas para problemas que não se resolvem apenas dentro de consultórios ou hospitais.
Por isso, a entrega da carteirinha a José Márcio Zanardi, durante a visita presidencial a Divinópolis, teve valor maior que o protocolo. Foi o reconhecimento de uma trajetória ligada ao funcionamento real do SUS, especialmente em uma área crítica: a urgência e emergência.
O CIS-URG Oeste é hoje uma das estruturas regionais mais importantes para garantir atendimento móvel de urgência a uma ampla população. O trabalho envolve equipes de regulação, unidades de suporte básico e avançado, condutores socorristas, técnicos, enfermeiros, médicos e profissionais administrativos. Tudo precisa funcionar de forma integrada, 24 horas por dia, porque a urgência não espera.
A homenagem ao presidente Lula, feita por José Márcio, também teve sentido institucional. Ao entregar a placa, o secretário-executivo reconheceu o apoio federal à manutenção do SAMU e à renovação da frota. O gesto representou agradecimento em nome de uma rede que depende de pactuação, financiamento, planejamento e compromisso entre União, Estado, municípios e consórcios.
Em uma região formada por dezenas de municípios, muitos deles com limitações próprias de estrutura hospitalar, o SAMU se torna ponte entre o local da ocorrência e o atendimento adequado. Atua em acidentes, emergências clínicas, traumas, transferências reguladas e situações em que a rapidez da resposta pode evitar agravamentos.
Outro momento marcante da cerimônia envolveu Di Gianne Nunes, prefeito de Lagoa da Prata e atual presidente do CIS-URG Oeste. Ele entregou ao presidente Lula um livro de sua autoria sobre sua trajetória de superação, luta e tratamento contra o câncer, experiência também vivenciada pelo presidente da República.
O gesto teve forte carga humana. Em uma solenidade voltada à saúde, a entrega do livro aproximou a experiência pessoal da política pública. Falou de dor, tratamento, esperança, recuperação e da importância de estruturas capazes de acolher pessoas em momentos de extrema vulnerabilidade.
A inauguração do Hospital Universitário de Divinópolis ampliou esse simbolismo. A cidade recebeu um equipamento que não nasce apenas para atender pacientes, mas também para formar profissionais, fortalecer a pesquisa, ampliar a capacidade do SUS e consolidar Divinópolis como polo regional de saúde.
O hospital representa esperança para pacientes, oportunidade para estudantes, reforço para a rede assistencial e resposta a uma cobrança histórica da população. Ao mesmo tempo, a presença de gestores como José Márcio Zanardi e Di Gianne Nunes na cerimônia mostrou que o SUS se faz em várias frentes: no hospital, na ambulância, na regulação, na gestão regional, na formação e no atendimento cotidiano.
A homenagem mútua entre José Márcio e Lula sintetizou esse encontro de trajetórias. O presidente entregou reconhecimento a um sanitarista. O sanitarista entregou reconhecimento ao presidente pelo apoio a um serviço que salva vidas. Entre os dois gestos, estava o SUS como eixo central.
Para Divinópolis e região, o momento ficará registrado como parte de uma agenda histórica. A inauguração do Hospital Universitário marcou uma nova etapa para a saúde regional. A homenagem a José Márcio Zanardi reforçou a importância dos profissionais que dedicam a vida à construção do sistema público. E a placa entregue ao presidente Lula simbolizou gratidão por investimentos que chegam à ponta, onde a população precisa.
Em uma solenidade de grande peso político e institucional, o gesto de reconhecimento teve uma mensagem clara: saúde pública se constrói com obras, recursos, ambulâncias, hospitais, formação profissional e, sobretudo, pessoas comprometidas com a vida.






