Mateus Simões fala em reunificar a direita em Minas e diz que ainda acredita em acordo com Cleitinho

Durante agenda em Divinópolis, governador defendeu privatização da Copasa, falou sobre eleição, citou Zema, Nikolas, Domingos Sávio e Cleitinho, e disse que o grupo nunca esteve em lados opostos

Publicado por: Geraldo Passos

A passagem do governador Mateus Simões por Divinópolis, neste sábado, não ficou restrita à solenidade de transferência simbólica da capital mineira para o município. Além dos anúncios administrativos e das agendas do Governo Presente, o chefe do Executivo estadual também fez declarações de peso político, especialmente sobre a privatização da Copasa, a disputa de 2026, a direita mineira e a relação com o senador Cleitinho Azevedo.

Em um primeiro momento, ao falar sobre os investimentos previstos para a região, Mateus Simões relacionou diretamente parte dos recursos anunciados à operação envolvendo a Copasa, prevista para a próxima terça-feira, em São Paulo. Segundo o governador, a operação foi considerada de grande sucesso e teve procura muito superior ao volume de ações disponíveis.

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Simões afirmou que a tentativa de compra teria sido 34 vezes maior do que a quantidade disponível para venda, o que, segundo ele, demonstraria a força da operação. O governador usou o tema para defender que os recursos não sejam consumidos rapidamente, mas aplicados com planejamento ao longo de cinco anos.

“Se eu fosse um político aos moldes dos que a gente já viu passar por aí, esse recurso ia durar 60 dias. A distância de hoje até o início da eleição. Mas ele está sendo organizado para ser investido ao longo de cinco anos”, afirmou Mateus Simões.

Depois da reunião reservada com prefeitos e deputados da região, o governador voltou a tratar do assunto publicamente. Simões disse que a população poderia ficar tranquila em relação à privatização da Copasa e afirmou que, segundo ele, não haverá mudança de tarifa nem alteração na regulação.

“População fique muito tranquila, não teremos mudança de tarifa, não teremos mudança na regulação. A fiscalização vai ser mais forte e a capacidade de investimento vai ser maior da empresa daqui para frente”, declarou.

A fala tem forte peso político porque a Copasa é um dos temas mais sensíveis do governo mineiro. A privatização da companhia divide opiniões, mobiliza prefeitos, provoca reação de servidores e deve ser usada como bandeira tanto por aliados quanto por adversários na disputa eleitoral de 2026.

Em Divinópolis, Mateus Simões tentou enquadrar a privatização como uma operação de investimento e infraestrutura. Segundo ele, os recursos permitirão viabilizar obras em várias regiões, inclusive no Centro-Oeste de Minas. O discurso buscou afastar o temor de aumento de tarifa e reforçar a ideia de maior capacidade de investimento.

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Mas o trecho mais político da fala veio quando o governador foi questionado sobre eleição. Simões afirmou que Minas Gerais mudou nos últimos sete anos e fez uma comparação direta entre o Estado que encontrou e o Estado que, segundo ele, existe hoje.

O governador disse que Minas era um Estado que devia aos servidores, pagava salários parcelados, não realizava concursos, tinha escolas em situação precária, não fazia investimentos em saúde, acumulava obras de UBS paradas, hospitais regionais inacabados e ausência de investimento em asfalto. Em seguida, afirmou que o Estado atual é “completamente diferente”.

A partir desse diagnóstico, Simões defendeu a necessidade de união política do campo da direita em Minas. Segundo ele, seu esforço de articulação tem como objetivo evitar que, em suas palavras, “algum aventureiro” assuma o governo representando a esquerda e coloque em risco o que teria sido construído nos últimos anos.

“A minha expectativa de continuar trabalhando na unificação é para que a gente não corra o risco de algum aventureiro assumir o governo representando a esquerda e com isso a gente perder tudo que foi construído”, afirmou.

A declaração mira diretamente o tabuleiro de 2026. Mateus Simões é uma das principais apostas do grupo político do governador Romeu Zema para a sucessão estadual. No entanto, o cenário da direita mineira ainda passa por articulações, disputas internas, conversas com lideranças nacionais e indefinições sobre candidaturas, alianças e chapas.

Nesse contexto, o nome do senador Cleitinho Azevedo aparece como peça central. Natural de Divinópolis, Cleitinho tem forte capital eleitoral, diálogo com o eleitorado de direita e apelo popular que extrapola os limites partidários. Por isso, qualquer desenho de candidatura ao Governo de Minas em 2026 passa, inevitavelmente, pela posição que o senador assumirá.

Mateus Simões demonstrou saber disso. Ao falar sobre o tema, o governador citou conversas com lideranças da direita e mencionou nominalmente Domingos Sávio, Nikolas Ferreira, Zé Vitor, Romeu Zema e Cleitinho.

“Converso muito com o Domingos, que sabe do meu carinho pela pré-candidatura dele ao Senado. Mas converso muito com o Nikolas, converso muito com o Zé Vitor, presidente do PL. Tenho conversas semanais com o senador Cleitinho, uma pessoa que eu respeito”, disse.

A fala de Simões foi cuidadosamente construída para reduzir ruídos com Cleitinho. O governador afirmou que ele, Nikolas, Cleitinho, Domingos e Zema nunca estiveram em lados diferentes em uma eleição. Em seguida, reforçou ainda mais a proximidade política com o senador de Divinópolis.

“Eu e Cleitinho nunca mesmo. Porque no caso do PL, o PL até teve candidato na última eleição. O Carlos Leão foi candidato contra a nossa. Mas o Cleitinho e eu não. Sempre estivemos no mesmo lado”, afirmou.

Simões também recuperou a origem política comum com Cleitinho. Segundo o governador, ambos foram eleitos vereadores em 2016, ele em Belo Horizonte e Cleitinho em Divinópolis. Desde então, afirmou, cada um fez sua própria trajetória, mas sempre caminhando “na mesma direção”.

“Eu sempre falo para ele: não vamos iniciar agora uma divergência. Eu e o Cleitinho fomos eleitos vereadores juntos em 2016. Eu em Belo Horizonte, ele aqui em Divinópolis. E de lá para cá, a gente veio caminhando, cada um fazendo a sua trilha, sempre na mesma direção”, declarou.

A frase é politicamente relevante porque ocorre em um momento em que Cleitinho é visto como possível candidato ao Governo de Minas, enquanto Mateus Simões também trabalha para se consolidar como nome da continuidade do governo Zema. A fala pública em Divinópolis, cidade-base de Cleitinho, soou como um aceno direto, mas também como uma tentativa de evitar um rompimento no campo da direita.

O governador disse estar confiante na possibilidade de unificação e indicou que respeitará o tempo político de Cleitinho. Em tom descontraído, afirmou que aguardará a Copa passar para retomar as conversas eleitorais.

“Eu estou confiante de que é possível sim uma unificação. Vamos esperar. Vou usar o prazo dele mesmo. Vamos esperar a Copa passar. A Copa passando, a gente volta a discutir a eleição”, concluiu.

A declaração deixa no ar o tamanho da costura que ainda precisa ser feita. De um lado, Mateus Simões busca consolidar seu nome como herdeiro político do atual governo. De outro, Cleitinho carrega força popular e capital eleitoral próprio, além de influência em Divinópolis e no interior.

Ao falar em reunificação da direita justamente em Divinópolis, diante de prefeitos, deputados, imprensa e lideranças regionais, Simões enviou uma mensagem dupla: quer se apresentar como gestor responsável pelos investimentos e, ao mesmo tempo, como articulador político capaz de manter unido o campo conservador em Minas.

A privatização da Copasa, os investimentos regionais e a eleição de 2026 se cruzaram no mesmo discurso. O governador tentou vender a operação da estatal como fonte de recursos para obras, defender o legado do governo Zema e abrir caminho para uma composição eleitoral que evite uma disputa fratricida na direita.

Resta saber se Cleitinho aceitará o papel que Simões parece desenhar para ele ou se continuará segurando o jogo, como tem feito, enquanto mede o próprio tamanho no tabuleiro mineiro.

Por ora, a fala do governador deixou uma certeza: a eleição de 2026 já começou nos bastidores. E Divinópolis, terra de Cleitinho e capital itinerante de Minas neste sábado, virou palco de um dos movimentos mais simbólicos dessa disputa.

 

Imagem ilustrativa feita por IA

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