Um mistério envolvendo pinturas em imagens religiosas no Calvário, localizado na Praça Nossa Senhora Aparecida, também conhecida como Praça do Cruzeiro, virou o principal assunto em Carmo do Cajuru e levou a Prefeitura a divulgar uma nota oficial à população.
A polêmica ganhou força depois que moradores perceberam alterações visuais em imagens do local. As pinturas chamaram atenção, geraram comentários nas redes sociais e provocaram questionamentos sobre quem teria autorizado a intervenção em um espaço público de valor religioso, histórico e afetivo para a comunidade.
Diante da repercussão, a Prefeitura de Carmo do Cajuru informou que não contratou, não autorizou e não solicitou a realização das pinturas atualmente identificadas no Calvário. No comunicado, a administração municipal também esclareceu que os serviços executados no local não são de responsabilidade da Prefeitura.
A nota foi publicada nas redes sociais oficiais do município e buscou afastar qualquer relação direta da administração com a intervenção. O comunicado também reforçou que qualquer alteração em bens públicos precisa ser previamente autorizada pelos órgãos ou entidades competentes.
“A Prefeitura de Cajuru tem compromisso com a preservação dos espaços públicos e informa que quaisquer intervenções em bens públicos devem ser previamente autorizadas pelos órgãos e/ou entidades competentes”, diz trecho do comunicado.
Apesar da manifestação oficial, a pergunta continua circulando entre os moradores: afinal, quem pintou as imagens?
O caso ganhou contornos ainda mais sensíveis porque envolve imagens religiosas, um tema que toca diretamente a fé, a memória e a identidade de parte da população. Para muitos moradores, qualquer intervenção em espaços de devoção precisa ser feita com cuidado, respeito, autorização e acompanhamento técnico adequado.
O Calvário da Praça Nossa Senhora Aparecida é um ponto conhecido da cidade e integra o ambiente religioso e cultural de Carmo do Cajuru. Por isso, a alteração nas imagens não passou despercebida. O assunto rapidamente saiu do campo estético e passou a envolver responsabilidade, preservação do patrimônio público e respeito aos símbolos religiosos.
A Prefeitura, ao se manifestar, tentou conter a polêmica e deixar claro que não partiu da administração a decisão de realizar as pinturas. No entanto, a nota também abre uma nova etapa da discussão: se o município não autorizou, será necessário apurar quem realizou a intervenção e em quais circunstâncias.
A administração municipal pediu compreensão e colaboração da população. O comunicado sugere que a Prefeitura busca reforçar a necessidade de autorização prévia para qualquer intervenção em bens públicos, evitando que situações semelhantes se repitam.
Nas ruas e nas redes, o episódio continua gerando debate. Há quem trate o caso como uma ação de boa intenção, mas sem autorização. Outros consideram a intervenção inadequada, justamente por envolver imagens religiosas e espaço público. O certo é que, até agora, o mistério permanece.
O episódio serve de alerta para Carmo do Cajuru e para outras cidades da região. Espaços públicos, especialmente aqueles ligados à fé e à memória coletiva, não podem sofrer intervenções sem autorização formal. Mesmo quando a intenção é preservar, restaurar ou “melhorar” visualmente um local, é preciso seguir critérios técnicos, legais e institucionais.
Família Moura
A indignação ganhou ainda mais força após uma das netas de José Moura se manifestar nas redes sociais. Segundo ela, as imagens foram encontradas e trazidas para Carmo do Cajuru por seu avô, José Moura, o que torna o episódio ainda mais sensível para a família.
“Essas imagens foram encontradas e trazidas pelo meu avô José Moura pra Cajuru. Isso é revoltante”, escreveu.
Na postagem, a neta afirmou não acreditar que a Igreja tenha autorizado um serviço “mal feito dessa maneira” e cobrou responsabilização. Para ela, quem realizou a pintura precisa responder pelo ocorrido e devolver a originalidade das estátuas.
“O culpado tem que responder por isso e devolver a originalidade das estátuas”, publicou.
O relato também resgata a origem das imagens. Conforme a manifestação da familiar, José Moura teria encontrado as peças em Juiz de Fora e as apresentado ao padre João, que teria gostado das imagens e viabilizado sua vinda para Carmo do Cajuru.
“Meu avô, com todo carinho, encontrou elas em Juiz de Fora e apresentou ao padre João na época, que gostou e conseguiram trazê-la de lá pra cá”, relatou.
Para a família, portanto, a intervenção não atinge apenas uma imagem religiosa. Atinge uma memória familiar, uma história de fé e um patrimônio simbólico da cidade. A neta destacou que as peças fazem parte da história de Carmo do Cajuru e também da história de sua família.
“Isso é história da cidade, isso faz parte da história da minha família e ver uma situação como essa é muito triste”, afirmou.
Enquanto a autoria das pinturas não é esclarecida, a cidade segue tomada pela curiosidade e pela polêmica. O comunicado da Prefeitura afastou a responsabilidade da administração municipal, mas não encerrou a pergunta que movimenta Carmo do Cajuru: Quem pintou as imagens do Calvário?














