PL não manda na partida: Cleitinho é o ás do jogo em Minas e quer Falcão vice

Apesar das versões sobre acordos fechados, apuração aponta que o senador ainda não decidiu oficialmente e mantém Falcão como nome preferido para vice

Publicado por: Geraldo Passos

O tabuleiro político de Minas Gerais vive um raro momento de inversão de poder. Enquanto setores da grande mídia anunciam acordos, decisões e composições como se tudo já estivesse resolvido, a apuração do Divinews aponta outra direção: Cleitinho Azevedo ainda não bateu o martelo sobre sua pré-candidatura ao Governo de Minas e não autorizou ninguém a falar por ele.

O que existe de concreto, segundo pessoas próximas ao senador, é apenas uma convicção repetida em conversas reservadas: se disputar o Governo de Minas, Cleitinho não abre mão de Luís Eduardo Falcão como vice. Esse ponto, conforme interlocutores do entorno do senador, já ultrapassou o campo da especulação.

Continua depois da publicidade

Natural de Divinópolis, cidade onde o Divinews mantém sua sede, Cleitinho construiu uma trajetória política fora do script tradicional. Foi vereador, deputado estadual e chegou ao Senado com votação expressiva. Agora, lidera pesquisas para o Palácio Tiradentes e passou a ser o nome em torno do qual todos os demais movimentos se organizam.

A diferença é que, ao contrário do que parte da imprensa tenta sugerir, o PL não define sozinho o futuro da eleição mineira. O partido pode pressionar, articular, sondar nomes e tentar impor condições. Porém, neste momento, quem está com a faca e o queijo na mão é Cleitinho.

Nas reuniões realizadas nos últimos dias, incluindo a agenda mais recente em Patos de Minas, o senador teria dito com todas as letras ao deputado federal Domingos Sávio, presidente do PL em Minas, que não dará resposta definitiva antes dos próximos 10 dias. A mensagem, segundo fontes ouvidas pelo Divinews, foi direta: depois de tanto tempo em que setores do PL teriam feito pouco caso de sua pré-candidatura, agora terão que aguardar o tempo dele.

Frase resume o ambiente político. Cleitinho não demonstra pressa. O PL, sim.

A situação incomoda porque Domingos Sávio, embora presida o PL em Minas e participe das conversas, nunca manifestou apoio público firme à candidatura de Cleitinho. Pelo contrário, o partido oscilou entre hipóteses, nomes próprios e alternativas de composição. Em momentos diferentes, surgiram Flávio Roscoe e Vittorio Medioli como opções para a vice, para candidatura própria ou para acomodação política dentro do projeto do PL.

O entorno de Cleitinho avalia que o PL está rachado. Uma ala tentaria emplacar Flávio Roscoe, ex-presidente da FIEMG como vice. Outra enxergaria Vittorio Medioli como alternativa mais adequada para garantir palanque ao projeto presidencial bolsonarista em Minas. Entretanto, Cleitinho, segundo interlocutores próximos, não quer nem Roscoe nem Medioli como vice. O nome dele é Falcão.

Essa escolha não ocorre por acaso. Cleitinho tem viajado constantemente ao lado de Falcão, em agendas pelo interior de Minas. Para aliados do senador, esse movimento fala mais do que qualquer nota oficial. Se Falcão fosse apenas mais um nome cotado para deputado federal ou outro cargo, não faria sentido acompanhar Cleitinho em tantas agendas municipais, com tanta exposição conjunta e alinhamento político.

Continua depois da publicidade
Leitura do entorno é simples: Cleitinho já apresenta, na prática, o desenho da chapa que deseja.

A grande mídia, no entanto, insiste em tratar o jogo como se a decisão estivesse nas mãos do PL. Não está. O partido quer palanque em Minas. Cleitinho tem voto, popularidade, presença digital e liderança nas pesquisas. Portanto, a negociação mudou de eixo. Quem precisa de definição rápida é o PL. Quem pode esperar é o senador divinopolitano.

Além disso, Cleitinho já teria em mãos pesquisas quantitativas e qualitativas que mostram um dado importante para sua estratégia. Segundo interlocutores, o bolsonarismo não explica sozinho os números do senador. A avaliação interna aponta que sua intenção de voto atravessa campos ideológicos, alcançando eleitores de direita, centro e até setores da esquerda que se identificam com seu estilo direto, fiscalizador e popular.

Essa leitura ajuda a entender por que Cleitinho evita se deixar enquadrar por qualquer força política. Ele sabe que parte de seu capital eleitoral vem justamente da imagem de independência, espontaneidade e fala direta com o povo. Ao aceitar uma imposição partidária, poderia reduzir a amplitude de seu eleitorado.

Por isso, a indefinição atual pode até irritar dirigentes partidários, mas não necessariamente prejudica Cleitinho. Ao contrário, analistas de bastidores avaliam que cada versão plantada sobre sua decisão aumenta sua centralidade. Quando se diz que ele fechou com um, que aceitou outro, que recuou ou que avançou, seu nome volta ao centro do debate mineiro e nacional.

Minas, neste momento, está travada porque Cleitinho ainda não decidiu publicamente. Essa é a notícia real.

Outro detalhe chama atenção. Quem quiser verificar se o senador já anunciou oficialmente o que parte da mídia diz que ele teria decidido pode consultar seus perfis públicos. Até agora, a comunicação direta de Cleitinho segue concentrada em fiscalizações, cobranças, vídeos de repercussão nacional e agendas políticas. Não há anúncio formal de candidatura, chapa fechada ou acordo definitivo com o PL.

Isso não significa que as conversas não existam. Elas existem. Mas conversa não é decisão. Sinalização não é martelo batido. Pressão de partido não é anúncio oficial.

Diferença entre bastidor e fato precisa ser respeitada

O Divinews, pela proximidade geográfica e política com Divinópolis, acompanha há anos o entorno de Cleitinho e conhece parte dos atores que circulam ao redor do senador. Essa proximidade permite uma leitura mais cautelosa sobre versões que chegam prontas de fora, especialmente quando tentam transformar desejo partidário em decisão pessoal do pré-candidato.

Neste momento, a apuração aponta que Cleitinho observa a briga interna do PL de camarote. O senador sabe que tem peso eleitoral próprio, sabe que lidera pesquisas e sabe que sua decisão reorganiza todas as demais candidaturas. Por isso, não pretende entregar sua resposta no relógio dos outros.

O PL pode querer Roscoe. Pode cogitar Medioli. Pode buscar uma composição que dê conforto ao projeto nacional do partido. Porém, Cleitinho trabalha com outro cálculo. Para ele, Falcão é o nome que conversa com os municípios, com o interior, com prefeitos e com a agenda municipalista.

A presença de Falcão ao lado do senador reforça esse simbolismo. Ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios, ele agrega capilaridade política em regiões onde Cleitinho busca consolidar presença. A eventual chapa, se confirmada, tentaria unir voto popular, interior, discurso municipalista e presença digital.

Enquanto isso, adversários e aliados seguem tentando interpretar o silêncio do senador. Uns enxergam indecisão. Outros enxergam estratégia. Para o entorno, trata-se de controle de tempo. Cleitinho quer decidir quando achar que deve, não quando o PL, a mídia ou adversários desejarem.

Pergunta que se impõe agora é outra: até quando o PL aceitará esperar?

Se esperar, terá que engolir o “timing” do divinopolitano. Se não esperar, corre o risco de lançar uma alternativa própria sem o principal nome das pesquisas. E se tentar impor vice, poderá descobrir que Cleitinho não construiu sua carreira política aceitando cabresto partidário.

No meio desse xadrez, uma ausência também chama atenção. O pré-candidato Mateus Simões, atual governador de Minas, mantém postura discreta diante da movimentação intensa em torno de Cleitinho, PL, Falcão, Roscoe e Medioli. Enquanto o tabuleiro da oposição e da direita se movimenta, o silêncio de Simões começa a provocar perguntas.

O que explica tamanha cautela? Estratégia, apatia ou dificuldade de reagir ao avanço de um adversário que domina a pauta sem sequer confirmar oficialmente sua candidatura?

Por enquanto, Minas assiste a um jogo parado em torno de uma única decisão. E essa decisão não está nas mãos do PL, nem da grande mídia, nem dos adversários. Está nas mãos de Cleitinho.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados