Divinópolis some do mapa do Governador Mateus Simões e cobra reconhecimento como capital itinerante

Cidade polo do Centro-Oeste mineiro ainda aguarda gesto institucional do Governo de Minas enquanto outras regiões já receberam a capital simbólica

Publicado por: Geraldo Passos

Divinópolis completou 114 anos em 1º de junho, ocupa posição estratégica no Centro-Oeste mineiro, figura entre as maiores cidades de Minas e exerce influência direta sobre dezenas de municípios da região. Mesmo assim, até agora, a cidade ainda não recebeu o gesto institucional que outras cidades de menor porte econômico e populacional já receberam do Governo de Minas: a transferência simbólica da capital do Estado dentro do programa Governo Presente.

A pergunta, portanto, não nasce de birra local. Nasce da própria relevância de Divinópolis. Por qual razão uma cidade com mais de 240 mil habitantes, polo regional de saúde, comércio, indústria, serviços, educação e política, ainda não se transformou em capital simbólica de Minas dentro de um programa criado justamente para reconhecer cidades-polo?

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A resposta oficial ainda não apareceu com a clareza necessária

O Governo de Minas já levou a transferência simbólica da capital para municípios de várias regiões. Uberlândia, Ipatinga, Ubá, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Diamantina, Ouro Preto, Uberaba, Barbacena, Paracatu, Ponte Nova, Viçosa, Teófilo Otoni, Varginha e Sete Lagoas estão entre as cidades já contempladas ou publicamente citadas dentro da programação estadual. Divinópolis, porém, segue no compasso de espera.

E é aí que a política começa a incomodar

Divinópolis não é uma cidade qualquer no mapa de Minas. É a principal referência urbana do Centro-Oeste mineiro, orbita dezenas de municípios, concentra serviços regionais e carrega peso eleitoral expressivo. Além disso, também abriga a base política e domiciliar do senador Cleitinho Azevedo, um dos principais nomes colocados na disputa pelo Governo de Minas contra Mateus Simões.

Seria essa a razão do silêncio?

Não deveria ser. Um chefe de Estado não pode medir a importância de uma cidade pelo domicílio eleitoral de um adversário. Se isso acontecesse, a política partidária estaria acima do interesse público, acima da institucionalidade e acima do dever de governar para todos os mineiros.

Por isso, a pergunta precisa ser feita com todas as letras: por que Mateus Simões ainda não deu a Divinópolis o mesmo tratamento simbólico concedido a outras cidades estratégicas?

A ausência ficou ainda mais evidente no aniversário da cidade. No dia 1º de junho, Divinópolis celebrou 114 anos de emancipação com desfile cívico, presença de autoridades, mobilização popular e agenda pública. No entanto, a cidade não viu um gesto institucional de maior peso vindo do Governo de Minas.

Não houve, até onde se localizou publicamente, um registro institucional robusto do Governo do Estado à altura da data. Também não houve presença do governador no desfile cívico ou nas principais agendas comemorativas do município.

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O silêncio não passou despercebido

A situação chama mais atenção porque Divinópolis também sediou a Divinaexpo, uma das maiores festas agropecuárias, culturais e de entretenimento de Minas. O evento movimentou a economia, atraiu público de toda a região, gerou visibilidade estadual e nacional e ocorreu em datas que incluíram fins de semana, o que, em tese, poderia facilitar uma agenda institucional. Mesmo assim, Mateus Simões não apareceu em nenhum dos dias.

A população talvez não tenha sentido falta. A festa aconteceu, a cidade se movimentou e Divinópolis celebrou sua força sem depender da presença do governador. Porém, politicamente, a ausência deixou um recado ruim.

Governador não comparece apenas por simpatia. Comparece por reconhecimento institucional

Quando o chefe do Executivo estadual ignora uma cidade que reúne importância econômica, localização estratégica, influência regional e peso eleitoral, a pergunta deixa de ser protocolar e passa a ser política.

Mateus Simões varreu Divinópolis do mapa institucional por cálculo partidário?

A resposta precisa vir do próprio governo

O problema é que a ausência de explicação abre espaço para interpretações. E, em política, o silêncio também comunica.

Se a agenda do Governo Presente tem como objetivo aproximar o Estado das cidades-polo, Divinópolis precisa estar no centro dessa rota. Se a proposta reconhece regiões estratégicas, o Centro-Oeste mineiro não pode aparecer como apêndice. Se o programa valoriza cidades de referência, Divinópolis não pode ficar atrás na fila sem justificativa pública.

A eventual presença futura da Praça de Serviços em Divinópolis pode amenizar a cobrança, mas não apaga a pergunta principal. Praça de atendimento não substitui gesto político de Estado. A cidade cobra reconhecimento à altura de sua importância.

O caso também revela um contraste curioso. O Governo Presente apareceu em cidades menores, históricas ou regionais, algumas com peso populacional inferior ao de Divinópolis. Muitas merecem o reconhecimento, sem dúvida. Mas exatamente por isso cresce a pergunta: se elas merecem, por que Divinópolis ainda espera?

Centro-Oeste mineiro não pode ser tratado como região secundária

Divinópolis abriga serviços de saúde que atendem pacientes de várias cidades, mantém força comercial, possui setor industrial relevante, influência educacional, polo de comunicação regional, rede de serviços públicos e privados e participação decisiva no fluxo econômico da região. Além disso, a cidade carrega identidade própria e função de liderança sobre municípios vizinhos.

A capital simbólica não resolveria todos os problemas da cidade. Porém, representaria respeito institucional. Representaria a presença do Estado. Representaria escuta. Representaria reconhecimento.

Por isso, o incômodo não se limita à cerimônia. A ausência do decreto, da presença pública e da deferência institucional provoca uma leitura mais ampla sobre a relação do Governo de Minas com Divinópolis.

E se a explicação for apenas agenda, que o governo diga. Se há previsão concreta, que publique. Se houve atraso, que informe. Se haverá decreto, que antecipe oficialmente.

Agora, se a ausência tem qualquer relação com o fato de Cleitinho ser divinopolitano e adversário direto de Mateus Simões, então Minas estaria diante de algo muito mais grave. Estaria diante da partidarização de um ato de Estado. E isso seria pequeno demais para o tamanho do cargo.

Divinópolis não pertence a Cleitinho. Também não pertence a Mateus Simões. Divinópolis pertence aos divinopolitanos e exerce papel estratégico para Minas.

O governador pode disputar eleição. Pode ter adversários. Pode calcular palanques. Mas, enquanto governa, precisa separar campanha de governo, partido de Estado e conveniência eleitoral de dever institucional.

O Governo de Minas precisa explicar por que Divinópolis ainda não recebeu o mesmo gesto que outras cidades receberam.

E Mateus Simões precisa entender que ignorar Divinópolis não diminui Cleitinho. Pelo contrário, pode aumentar ainda mais a percepção de que a cidade incomoda o Palácio da Liberdade justamente porque se tornou base de um adversário competitivo.

No fim, a ausência do governador na Divinaexpo, o silêncio no aniversário da cidade e a demora na capital simbólica formam uma sequência politicamente desconfortável.

Pode ser apenas descuido. Pode ser falha de agenda. Pode ser erro de comunicação. Mas, se for cálculo político, é grave.

Divinópolis merece respeito institucional. O Centro-Oeste merece presença efetiva do Estado. E Minas precisa de um governador que governe acima das disputas eleitorais.


O Divinews localizou que  o Governo Presente prevê transferência simbólica da capital para cidades do interior, com estrutura de serviços públicos e agendas regionais. A própria Agência Minas registrou que a iniciativa passaria por 20 cidades até junho e listou várias capitais provisórias já contempladas.

Também há registro oficial de que, até Sete Lagoas, já tinham sido contempladas Uberlândia, Ipatinga, Ubá, Pouso Alegre, Poços de Caldas, Diamantina, Ouro Preto, Uberaba, Barbacena, Paracatu, Ponte Nova, Viçosa, Teófilo Otoni, Varginha e Sete Lagoas. O IBGE aponta Divinópolis com população estimada de 243.583 pessoas e relevância econômica, com mais de R$ 1,29 bilhão em receitas brutas realizadas em 2024.

Há publicações oficiais indicando Praça de Serviços do Governo Presente em Divinópolis nos dias 13 e 14 de junho, na Praça da Catedral, mas na apuração não existe decreto já publicado transferindo simbolicamente a capital para Divinópolis. Mesmo que isso venha a ocorrer, o questionamento continua, por que a cidade é um dos últimos municípios, dado sua importância como polo da região centro-oeste.

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