O caso da adolescente de 13 anos que morreu após procurar atendimento repetidas vezes no Hospital Manoel Gonçalves, em Itaúna, voltou a provocar forte repercussão no Centro-Oeste mineiro após a conclusão do inquérito da Polícia Civil. O novo desdobramento da investigação aumentou ainda mais a comoção e a pressão sobre possíveis falhas em atendimentos de urgência realizados na unidade hospitalar.
A Polícia Civil indiciou sete médicos por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — após apontar sucessivas falhas no atendimento prestado à adolescente. Segundo as investigações, a jovem procurou ajuda médica diversas vezes apresentando fortes dores abdominais, mas acabou liberada sem exames considerados fundamentais para identificar a gravidade do quadro.
Jovem procurou hospital cinco vezes antes da morte
De acordo com o inquérito, a adolescente deu entrada pela primeira vez no hospital em 20 de novembro de 2025 reclamando de dores intensas na região abdominal. Mesmo diante dos sintomas, ela recebeu diagnóstico inicial de gastroenterite viral e acabou liberada.
Nos dias seguintes, a jovem retornou outras quatro vezes ao hospital com piora progressiva do quadro clínico. Ainda assim, segundo a Polícia Civil, diferentes profissionais mantiveram o mesmo diagnóstico inicial sem aprofundamento da investigação médica e sem solicitação imediata de exames complementares.
Somente no dia 23 de novembro exames laboratoriais e uma tomografia identificaram que a adolescente sofria de apendicite aguda. Porém, naquele momento, o quadro já havia evoluído para rompimento do apêndice e peritonite, uma grave infecção abdominal que pode provocar rápida piora clínica.
A cirurgia foi realizada durante a madrugada do dia 24, mas a adolescente morreu no dia seguinte em decorrência de choque séptico causado pela infecção generalizada.
Polícia aponta falhas e demora em medidas médicas
Segundo a Polícia Civil, depoimentos, prontuários médicos e documentos técnicos comprovaram demora na adoção de medidas adequadas e ausência de exames nos primeiros atendimentos realizados pela unidade hospitalar.
A investigação concluiu que houve sucessivas oportunidades de diagnóstico antes da evolução grave da doença, o que poderia ter alterado o desfecho do caso.
O caso passou a gerar forte debate nas redes sociais sobre responsabilidade médica, protocolos de urgência e a importância da realização rápida de exames diante de sintomas persistentes e agravamento clínico.
Desabafo da família aumentou repercussão
A revolta ganhou ainda mais força após o desabafo emocionado publicado pela irmã da adolescente nas redes sociais. Na publicação, ela afirmou que a dor da perda se mistura ao sentimento de impotência diante do que considera uma morte evitável.
O caso provocou ampla mobilização nas redes sociais, onde moradores da região passaram a cobrar respostas, responsabilização e melhorias nos atendimentos prestados em unidades de saúde.
Em nota, o Hospital Manoel Gonçalves informou que ainda não havia sido oficialmente notificado sobre o indiciamento dos médicos, mas declarou que colaborou com as investigações e forneceu todos os documentos solicitados pelas autoridades.






