O samba brasileiro perdeu ontem (17) uma de suas vozes mais importantes. Morreu, aos 93 anos, o compositor e sambista Osvaldo Alves Pereira, conhecido nacionalmente como Noca da Portela. A notícia foi confirmada pela Portela, escola de samba da qual ele se tornou um dos maiores símbolos e baluartes da história.
Noca estava internado desde o dia 30 de abril em um hospital de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após ser diagnosticado com uma infecção urinária. Durante o período de internação, familiares relataram momentos emocionantes ao lado do sambista, com netos cantando músicas da coletânea Flores em Vida, projeto lançado em sua homenagem.
Segundo familiares, o quadro de saúde piorou a partir do último dia (9), após complicações causadas por uma pneumonia adquirida no hospital. Desde o dia (10), ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI). A causa oficial da morte não foi divulgada.
O velório será aberto ao público na quadra da Portela, amanhâ (19), das 8h às 14h. A escola decretou três dias de luto oficial.
Mineiro de Leopoldina levou o nome da Portela para o Brasil
Nascido em Leopoldina, Minas Gerais, em 1933, Noca mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua ligação com a música por meio dos estudos de violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil.
Sua entrada na Portela aconteceu nos anos 1960, a convite de Paulinho da Viola. A partir dali, construiu uma trajetória histórica dentro da azul e branca de Oswaldo Cruz e Madureira.
Noca se tornou um dos maiores vencedores de disputas de samba enredo da escola, acumulando sete títulos marca que o colocou entre os principais compositores da história da agremiação.
Entre os sambas mais marcantes estão:
“Recordar é viver” (1985)
“Gosto que me enrosco” (1995)
“Os olhos da noite” (1998)
“ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015)
Além dos sambas enredo, deixou clássicos gravados por grandes nomes da música brasileira, como Beth Carvalho, Elza Soares e outros intérpretes do samba nacional.
Legado ultrapassou o Carnaval
Ao longo da carreira, Noca da Portela também integrou o tradicional Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo.
Em 2006, chegou a ocupar o cargo de Secretário Estadual de Cultura do Rio de Janeiro, durante o governo Rosinha Garotinho. Em 2008, disputou eleição para vereador pelo PSB.
Mesmo em idade avançada, seguiu ativo artisticamente. Em 2017, lançou o álbum Homenagens e, em 2025, foi celebrada sua trajetória com a coleção Flores em Vida, reunindo artistas da música brasileira em tributo ao sambista.
Sambistas e artistas lamentam a morte
A morte de Noca da Portela gerou forte repercussão entre sambistas, músicos e personalidades ligadas ao Carnaval.
Neguinho da Beija-Flor lamentou a perda:
“Seu legado será lembrado eternamente, não só no samba, mas na cultura do nosso país.”
Tia Surica também prestou homenagem:
“Mais uma estrela no céu de Madureira.”
Já o músico Mauro Diniz destacou a importância artística do compositor:
“Um grande poeta que transformou sentimentos em canções.”
Portela decreta luto e presta homenagem
Em nota oficial, a Portela classificou Noca como “eterno baluarte” da escola e ressaltou sua importância para a história do samba carioca.
A agremiação destacou ainda que o compositor era presença constante na quadra e referência para diferentes gerações de sambistas.
A despedida de Noca da Portela representa não apenas a perda de um artista, mas de uma das figuras mais importantes da memória cultural do samba brasileiro.






