Operação em Divinópolis desarticula quadrilha especializada em furtos e roubos de veículos

Coletiva no Ministério Público detalhou prisão de investigados, apreensão de mais de R$ 120 mil e uso de tecnologia para adulterar veículos

Publicado por: Cristiane Ferreira

Uma organização criminosa especializada em furtos, roubos, adulteração e receptação de veículos foi alvo de uma grande operação deflagrada em Divinópolis e outras cidades mineiras na manhã desta quinta-feira (14). Logo após o fim da ação, autoridades do Ministério Público, GAECO, Polícia Civil e Polícia Militar concederam coletiva e detalharam a estrutura do grupo, que atuava com divisão de tarefas, uso de tecnologia, obtenção ilegal de dados e possível lavagem de dinheiro.

A criminalidade envolvendo veículos deixou há muito tempo de ser uma ação isolada de oportunidade. Em muitos casos, ela funciona como uma engrenagem organizada, que começa com o furto ou roubo, passa pela adulteração de sinais identificadores, uso de placas falsas, clonagem, receptação, venda de peças e pode terminar no financiamento de outros crimes, como tráfico de drogas, transporte ilegal de armas e até homicídios.

Continua depois da publicidade

Foi esse tipo de estrutura que a Operação Purgato buscou atingir. Durante a coletiva realizada no Ministério Público, as autoridades afirmaram que a investigação revelou uma cadeia criminosa sofisticada, com participação de pessoas responsáveis por funções diferentes dentro do esquema.

Segundo os investigadores, havia quem furtasse os veículos, quem preparasse equipamentos eletrônicos, quem fornecesse chaves codificadas, quem conseguisse dados sigilosos, quem providenciasse placas, quem receptasse os veículos e quem ajudasse a movimentar os valores obtidos com os crimes.

Coletiva detalhou resultado da operação

A coletiva ocorreu no Ministério Público, logo após o encerramento da fase ostensiva da Operação Purgato. Participaram o promotor de Justiça Leandro Willi, do GAECO, o chefe do 7º Departamento da Polícia Civil, Flávio Destro, o delegado Wesley Castro e o major Bittencourt, representando a Polícia Militar.

As autoridades classificaram a operação como exitosa e destacaram a integração entre Ministério Público, GAECO, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal.

A ação cumpriu 8 mandados de prisão. Três alvos já estavam presos, e os outros 5 que estavam em liberdade também foram localizados e presos. Além disso, houve 1 prisão em flagrante por tráfico de drogas durante as diligências.

Continua depois da publicidade

Também foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão. Parte deles ocorreu em Divinópolis, e os demais em cidades como Nova Serrana, Itapecerica, Belo Horizonte, Campo Belo e Passa Tempo.

Mais de R$ 120 mil foram apreendidos

Durante o cumprimento dos mandados, as equipes apreenderam mais de R$ 120 mil em dinheiro vivo.

Para os investigadores, a quantia reforça o caráter lucrativo da modalidade criminosa.

Além do dinheiro, foram apreendidos 17 celulares, 3 computadores, 2 dispositivos eletrônicos, 2 placas veiculares, 1 programador Transdata, 1 programador de chave veicular, 4 chaves veiculares, documentos de veículos, adesivos com numeração de chassi e motor, CRLVs, além de drogas, como buchas de maconha, sementes e haxixe.

Os celulares, computadores e demais dispositivos passarão por perícia. A expectativa é que a análise do material apreendido permita identificar novos envolvidos e ampliar a investigação.

Equipamentos tecnológicos eram usados nos furtos

Um dos pontos que mais chamou atenção na coletiva foi o uso de equipamentos eletrônicos especializados para furto e adulteração de veículos.

Segundo Flávio Destro, chefe do 7º Departamento da Polícia Civil, foram apreendidos equipamentos de alta tecnologia usados especificamente para furtar veículos.

Esses aparelhos permitiriam a preparação de centrais veiculares, chaves codificadas e outros mecanismos necessários para subtrair automóveis com rapidez.

O delegado Wesley Castro explicou que a organização funcionava como várias engrenagens dentro de um mesmo sistema. Havia desde a pessoa responsável pela subtração do veículo até aquela que preparava equipamentos eletrônicos, clonava chaves, fornecia placas ou receptava os automóveis.

A investigação também apura a participação de pessoas ligadas à adulteração de veículos, venda de peças e clonagem para revenda.

Hacker fornecia dados sigilosos ao grupo

A investigação também identificou a participação de um hacker, preso no ano passado, que teria desempenhado papel importante na organização criminosa.

Segundo as autoridades, ele acessava ilegalmente sistemas de instituições públicas e obtinha informações sensíveis. Entre os dados mencionados estão chassi, número Renavam e outras informações de veículos.

De acordo com o delegado Wesley Castro, o investigado conseguiu credenciais de servidores públicos de diferentes instituições, como usuários e senhas. Com esses acessos, entrava em sistemas policiais e do Tribunal de Justiça para obter dados utilizados pela organização criminosa.

Essas informações seriam usadas para adulteração de sinais identificadores de veículos automotores.

Para Flávio Destro, a prisão desse hacker foi uma das descobertas mais importantes da investigação, porque ajudou a revelar como o esquema funcionava de forma especializada.

Investigação começou após incômodo com furtos e roubos

As autoridades afirmaram que a investigação começou a partir do aumento e da repetição de crimes envolvendo furtos e roubos de veículos em Divinópolis e região.

Segundo a Polícia Civil, os casos vinham trazendo desassossego à população e geraram preocupação nas forças de segurança.

A partir de reuniões entre Polícia Civil, Polícia Militar e GAECO, foi estruturada uma força-tarefa para enfrentar a modalidade criminosa.

O trabalho, segundo os investigadores, envolveu meses de inteligência, operações de campo, reuniões de alinhamento e troca de informações entre as instituições.

A fase deflagrada nesta quinta-feira representa apenas uma etapa pública da investigação. Com as novas apreensões, as apurações deverão avançar para identificar outras pessoas envolvidas.

Promotor diz que crime não terá terreno fértil na região

Durante a coletiva, o promotor Leandro Willi afirmou que a operação representa uma resposta à sociedade e reforça a atuação integrada contra a criminalidade em Divinópolis e região.

Ele destacou que o combate não se limita a crimes violentos. Segundo o promotor, o Ministério Público, o GAECO e as forças de segurança também atuarão contra criminalidade corporativa, crimes sofisticados e crimes de colarinho branco.

Leandro Willi afirmou que a criminalidade, seja qual for sua natureza, não terá terreno fértil na região.

O promotor também ressaltou que a operação foi construída com informações de inteligência e trabalho de campo, até chegar ao momento da fase ostensiva.

Segundo ele, após essa etapa, as investigações seguirão para conclusão e eventual oferecimento de denúncias, com o objetivo de manter os investigados fora de circulação.

Polícia Militar vê impacto direto na segurança

O major Bittencourt destacou que a Polícia Militar participou da operação com 80 policiais, 37 viaturas e 1 aeronave.

Segundo ele, os crimes de furto e roubo de veículos são de difícil prevenção, especialmente quando organizações criminosas usam equipamentos tecnológicos capazes de subtrair veículos rapidamente.

O major afirmou que, embora a PM consiga recuperar parte considerável dos veículos furtados e roubados, muitos automóveis acabam usados em outras práticas criminosas.

Entre os exemplos citados estão tráfico de drogas, transporte ilegal de armas e crimes contra a vida. Segundo ele, não é raro que veículos clonados apareçam em ocorrências graves, inclusive homicídios.

Para o oficial, a desarticulação da quadrilha deve contribuir para uma redução criminal considerável e trazer mais segurança à população de Divinópolis.

Rede criminosa tinha divisão de tarefas

O delegado Wesley Castro explicou que a operação atingiu diferentes pontos da cadeia criminosa.

Segundo ele, a investigação alcançou pessoas que furtavam veículos, preparavam equipamentos eletrônicos, forneciam chaves, obtinham dados ilegalmente, providenciavam placas, receptavam automóveis, desmontavam veículos ou participavam da clonagem para revenda.

A apuração também identificou uma possível alavancagem patrimonial a partir dos recursos obtidos com crimes contra o patrimônio.

De acordo com o delegado, parte dos valores obtidos com furtos e roubos de veículos teria sido usada para multiplicação financeira por meio de outras práticas criminosas, incluindo tráfico de drogas.

Para os investigadores, o material apreendido nesta quinta-feira pode abrir uma nova fase da operação.

Operação deve ter novos desdobramentos

A Operação Purgato não termina com as prisões e apreensões desta quinta-feira.

As autoridades deixaram claro que a análise de celulares, computadores, documentos e dispositivos eletrônicos poderá revelar novas conexões.

Flávio Destro afirmou que a Polícia Civil tem certeza de que os envolvidos não se limitam aos presos nesta fase. Segundo ele, outras pessoas deverão ser identificadas a partir da perícia do material apreendido.

A investigação também deverá aprofundar a análise sobre lavagem de dinheiro e sobre a circulação dos bens obtidos por meio da prática criminosa.

Esse segundo momento poderá ampliar a rede de investigados e esclarecer como os recursos eram usados, movimentados ou reinvestidos.

Integração das forças marcou a operação

Todas as autoridades ressaltaram a integração entre as instituições.

O trabalho envolveu Polícia Civil, Polícia Militar, Ministério Público, GAECO e Polícia Penal. A investigação foi conduzida em conjunto desde o início, com troca de informações, inteligência e atuação coordenada.

Para os representantes das forças de segurança, essa sinergia foi decisiva para o resultado da operação.

A mensagem final da coletiva foi de enfrentamento à criminalidade organizada. As autoridades afirmaram que Divinópolis e região continuarão recebendo ações integradas contra grupos especializados, crimes patrimoniais, crimes violentos e estruturas criminosas mais sofisticadas.

A Operação Purgato, segundo os investigadores, deu um baque importante em uma organização que atuava no mercado ilegal de veículos. Agora, a expectativa é que as provas apreendidas revelem novas ramificações e ajudem a responsabilizar todos os envolvidos.

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados