Entrevista reforça caminhada “Todos Contra a Pedofilia” em Divinópolis e faz alerta geral às famílias

Promotor Casé e Gisele Leite Silva participaram de entrevista nesta terça-feira e destacaram prevenção, denúncia, exposição no Pátio Shopping e caminhada de segunda-feira (18)

Publicado por: Geraldo Passos

A proteção de crianças e adolescentes exige mais do que indignação diante dos casos de abuso e exploração sexual. Ela depende de informação, prevenção, vigilância familiar, atuação das escolas, presença do poder público, apoio das instituições e coragem para denunciar. Esse foi o eixo central da entrevista realizada pelo Divinews, em formato de live, nesta terça-feira (12), com o promotor da Infância e Juventude,  Casé Fortes e Gisele Leite Silva, presidente da AFAS dentro da programação dos 20 anos do movimento Todos Contra a Pedofilia.

A pauta tem peso social porque atravessa famílias, escolas, comunidades e instituições. Crimes contra crianças e adolescentes muitas vezes ocorrem em ambientes de confiança, proximidade ou vulnerabilidade. Por isso, falar sobre o tema não significa apenas expor uma realidade dura. Significa criar redes de atenção, fortalecer a cultura da denúncia e mostrar aos agressores que a sociedade não está em silêncio.

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Durante a entrevista, o promotor de Justiça, da Vara de Infância e Juventude, Casé Fortes, lembrou que 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data, instituída por lei federal, tornou-se referência para campanhas em todo o Brasil, como Maio Laranja, Faça Bonito e outras mobilizações voltadas à defesa da infância. Em Divinópolis, o movimento Todos Contra a Pedofilia consolidou uma trajetória própria, que agora chega aos 20 anos com caminhada, exposição, atividades educativas e envolvimento de diferentes setores da sociedade.

Gisele Leite Silva, presidente da AFAS – Associação Feminina de Assistência Social e Cultural, rede de apoio às famílias de policiais e bombeiros militares da 7ª Região, destacou a participação da entidade na programação e informou que os valores arrecadados com as camisas comemorativas deste ano serão destinados às ações sociais da associação.

Movimento chega aos 20 anos com caminhada e exposição

A programação em Divinópolis terá como ponto alto a Caminhada Todos Contra a Pedofilia, marcada para segunda-feira (18), com concentração às 8h, na Praça da Catedral. O percurso seguirá até a Praça do Santuário, levando às ruas uma mensagem direta contra o abuso, a exploração sexual e qualquer forma de violência contra crianças e adolescentes.

Antes da caminhada, o público poderá acompanhar a exposição “20 Anos do Movimento Todos Contra a Pedofilia”, que será montada no Pátio Shopping. Segundo Gisele, a abertura oficial ocorrerá na quinta-feira (14), às 18h, com presença de Casé, Fabiana, presidente da associação Brotos Contra a Pedofilia, autoridades, apoiadores e pessoas envolvidas com a causa.

A exposição ficará disponível entre os dias 14 e 17. O espaço terá um museu com camisas históricas, imagens e registros da trajetória do movimento. Também haverá uma área Kids, com atividades lúdicas e pedagógicas para crianças, acompanhadas por monitores, professores e estudantes de faculdades parceiras.

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A proposta da organização é abordar um tema grave sem transformar o ambiente em medo ou trauma para as crianças. As atividades infantis terão desenhos, personagens, materiais educativos e linguagem apropriada para ajudar meninos e meninas a reconhecer situações de risco e buscar proteção.

Casé destaca que a mobilização pública inibe criminosos

Durante a entrevista, o promotor Casé afirmou que a caminhada tem papel importante porque envia um recado social claro. Segundo ele, os criminosos que atacam crianças agem pela covardia e costumam buscar vítimas mais vulneráveis. Quando a comunidade se manifesta, demonstra atenção e disposição para denunciar, esse comportamento perde espaço.

Casé explicou que o ato público funciona como uma espécie de aviso coletivo. A sociedade mostra que está de olho, que entende a gravidade do problema e que não aceitará silêncio diante de situações de abuso ou exploração. Para o promotor, essa vigilância comunitária ajuda a criar uma barreira de proteção.

A fala também reforçou que crimes dessa natureza podem ocorrer em qualquer classe social, ambiente familiar ou espaço de convivência. Por isso, a prevenção não pode se limitar a um grupo específico. Famílias, escolas, igrejas, profissionais de saúde, conselheiros tutelares, policiais, promotores, juízes e toda a rede social precisam atuar de forma integrada.

Sinais de alerta precisam ser observados

Um dos pontos mais importantes da entrevista foi o alerta sobre os sinais que podem indicar que uma criança sofre violência. Casé explicou que muitas crianças, especialmente as menores, não conseguem verbalizar o que ocorreu. Algumas sentem medo, vergonha, confusão ou não compreendem a gravidade da situação.

Por isso, adultos precisam observar mudanças de comportamento, medo repentino, atitudes incompatíveis com a idade, desenhos, brincadeiras ou sinais físicos que mereçam investigação. O promotor ressaltou que nenhum sinal isolado permite conclusão automática, mas todos exigem atenção, cuidado e apuração responsável.

A mensagem é direta: diante de qualquer suspeita, a família deve buscar orientação e acionar os órgãos competentes. Ignorar sinais pode deixar a criança mais exposta. Investigar com responsabilidade, por outro lado, pode interromper ciclos de violência e salvar vidas.

Vulnerabilidade social aumenta riscos de exploração

A entrevista também abordou a relação entre vulnerabilidade social e exploração sexual. Casé explicou que a pobreza, a falta de moradia adequada, a insegurança alimentar e a fragilidade econômica podem tornar crianças e adolescentes mais expostos à exploração. Criminosos se aproveitam justamente da necessidade, da falta de proteção e da desigualdade.

O promotor destacou, porém, que vulnerabilidade nunca justifica o crime. Ao contrário, torna a conduta ainda mais grave, porque o agressor se aproveita de uma fragilidade já existente. Essa análise ajuda a compreender por que políticas públicas de moradia, educação, assistência social e segurança também fazem parte da proteção da infância.

A partir dessa reflexão, surgiu durante a live a sugestão de que o movimento, em próximas edições, também seja levado para bairros mais afastados e regiões periféricas. A ideia é aproximar a campanha de comunidades onde a presença institucional pode ser ainda mais necessária.

Gisele Leite fala sobre mães, proteção e pedido de socorro

Gisele Leite Silva trouxe para a entrevista uma abordagem voltada às mulheres, mães, avós, tias e responsáveis por crianças. Ela afirmou que proteger filhos e pedir socorro são atos de força. Para Gisele, quando uma mulher rompe o silêncio e busca ajuda, já demonstra coragem diante da violência.

A presidente da associação também refletiu sobre situações em que mulheres aparecem envolvidas em contextos de violência dentro da própria família. Segundo sua avaliação, muitas vezes essas mulheres também podem estar submetidas a algum processo de violência, pressão ou vulnerabilidade. Ainda assim, reforçou que a proteção das crianças precisa estar acima de qualquer silêncio imposto pelo medo.

A fala de Gisele destacou a necessidade de acolhimento, orientação e redes de apoio. A mensagem central foi que mães e responsáveis não devem enfrentar sozinhas uma suspeita ou situação de violência. Procurar ajuda pode ser o primeiro passo para proteger a criança e reconstruir a segurança familiar.

Relato pessoal reforça a importância de falar sobre o tema

Durante a entrevista, o diretor do Divinews, Geraldo Passos, fez um relato pessoal inédito quando afirmou ter sido vítima de violência sexual na infância. A revelação ocorreu em tom de contribuição ao debate, como forma de incentivar outras pessoas a romperem o silêncio e mostrarem que a dor não precisa se transformar em repetição de violência.

O promotor Casé agradeceu a coragem da declaração e explicou que não existe base séria para tratar vítimas como futuros agressores. Segundo ele, muitas pessoas transformam a própria dor em luta, proteção e defesa de outras crianças. A conversa reforçou a importância do acolhimento e da possibilidade de falar sobre experiências difíceis sem culpa ou vergonha.

A entrevista mostrou que a campanha não se limita ao evento de rua. Ela toca feridas profundas, desperta memórias, provoca reflexões e incentiva a sociedade a tratar a proteção infantil como prioridade absoluta.

Exposição terá museu, espaço Kids e atividades pedagógicas

Gisele explicou que a exposição no Pátio Shopping será dividida em 2 partes. Uma delas terá caráter mais histórico, com camisas, imagens e registros dos 20 anos do movimento. Essa área será voltada principalmente aos adultos, com memória visual da campanha e da evolução da identidade do Todos Contra a Pedofilia.

A outra parte será destinada às crianças, com atividades lúdicas e pedagógicas. O espaço Kids terá desenhos, personagens e ações monitoradas por estudantes e professores. A proposta é ensinar prevenção de forma leve, cuidadosa e adequada à idade.

Também haverá personagens e elementos visuais ligados à campanha, como o Guardião, mascote do movimento. A intenção é aproximar as famílias do tema e permitir que crianças participem de forma segura, educativa e acolhedora.

Caminhada terá participação popular e estrutura de apoio

A Caminhada Todos Contra a Pedofilia acontecerá na segunda-feira (18), com concentração às 8h, na Praça da Catedral. Segundo Casé, a participação é aberta a todos. As pessoas podem ir com a camisa da campanha ou com qualquer outra roupa. O mais importante, destacou, é a presença.

O promotor também informou que pessoas com dificuldade de locomoção poderão participar com apoio de um trenzinho. A caminhada terá participação da banda da Polícia Militar, fanfarras de colégios e atividades na saída e na chegada.

A organização incentiva famílias, escolas, entidades, voluntários e apoiadores a participarem. A mobilização pretende unir diferentes segmentos em torno de uma mensagem simples e forte: criança é prioridade absoluta.

Divinópolis se prepara para uma mobilização de impacto

A entrevista no Divinews reforçou que os 20 anos do Todos Contra a Pedofilia representam mais do que uma comemoração. A data marca uma trajetória de alerta, coragem, denúncia, educação e mobilização pública.

A caminhada de segunda-feira (18) e a exposição no Pátio Shopping colocam Divinópolis novamente no centro dessa pauta. O movimento nasceu com força local, mas ganhou dimensão nacional e inspirou ações em outras cidades e estados.

Ao final da live, Casé resumiu o convite à população: o evento é singelo, aberto e necessário. A presença de cada pessoa representa uma manifestação pública contra o abuso, a exploração sexual e qualquer forma de violência contra crianças e adolescentes.

A mensagem deixada pela entrevista é que a infância precisa de proteção permanente. E essa proteção começa quando a sociedade decide não se calar.

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