O vereador Hilton de Aguiar levou para a Câmara Municipal uma crítica que misturou ironia, indignação e cobrança política. O alvo foi a House Paradise, festa realizada em Divinópolis, que, segundo ele, transformou a madrugada de moradores em um repetitivo “tum tum tum” eletrônico – A fala teve tom de deboche em alguns momentos, mas tratou de um problema sério. Hilton afirmou que moradores do entorno reclamaram não só do barulho, mas da duração do evento, que foi até de manhã.
O “tum tum tum” que virou denúncia pública
No plenário, Hilton não poupou sarcasmo ao descrever o som eletrônico da festa. Segundo ele, o barulho começou por volta de 22h e seguiu até a manhã seguinte. A crítica ganhou força justamente pelo jeito popular da fala. Ao imitar o som repetitivo da música, o vereador conseguiu traduzir, em linguagem simples, a irritação dos moradores. Contudo, por trás da brincadeira, surgiu uma cobrança direta. Quem autorizou? Com quais critérios? Até que horas o evento poderia funcionar? Quem fiscalizou?
Essas perguntas deram à fala um peso maior do que uma simples reclamação contra música eletrônica.
Hilton diz que não critica festa, mas cobra limite
O vereador tentou deixar claro que não se posiciona contra eventos, lazer ou entretenimento. Segundo ele, cada pessoa tem direito de frequentar a festa que desejar. Porém, Hilton afirmou que diversão não pode virar castigo ouvindo o tum tum tum da festa eletrônica.
O parlamentar citou trabalhadores, idosos, pessoas doentes, crianças e famílias que precisam dormir. Também lembrou mães atípicas e crianças com autismo. Nesse ponto, o discurso deixou o tom cômico e entrou no campo da saúde, da convivência urbana e do respeito coletivo.
Alvarás entram no centro da crítica
A parte mais sensível da fala surgiu quando Hilton direcionou a cobrança para a liberação dos alvarás. Segundo o vereador, o problema maior não está apenas em quem frequenta a festa. Para ele, a responsabilidade principal recai sobre quem autoriza eventos com esse impacto, até de manhã, com o dia já raiando. A fala abre margem para uma pergunta incômoda: existe critério técnico ou existe facilidade demais para liberar certas festas?
Hilton não apresentou prova de favorecimento direto. No entanto, levantou suspeitas políticas ao cobrar explicações sobre a concessão dos alvarás. Essa cobrança tem peso porque envolve poder público, fiscalização, interesse econômico e o direito dos moradores ao sossego.
House Paradise, Amnésia e a repetição do problema
A House Paradise não apareceu como caso isolado no discurso. Hilton também citou a festa Amnésia, encerrada recentemente após atuação da Polícia Militar. Na avaliação dele, a PM fez o trabalho correto ao atender reclamações e agir diante da perturbação do sossego. O vereador afirmou que a polícia costuma receber críticas quando intervém. Porém, segundo ele, a origem do problema vem antes.
Para Hilton, a discussão precisa começar na autorização, passar pela fiscalização e terminar na responsabilização de quem libera eventos sem controle adequado de horário de encerramento.
Hospital Regional aumenta a pressão sobre o tema
Hilton também citou a futura inauguração do Hospital Regional, prevista para 1º de junho. A pergunta feita pelo vereador tem força política: como ficará a realização de eventos barulhentos com tum tum tum perto de uma unidade hospitalar?
Crítica tem humor, mas também cutuca o poder público
A fala de Hilton teve momentos de ironia, especialmente quando descreveu a batida eletrônica e o comportamento dos frequentadores. Mesmo assim, o centro da manifestação foi sério. O vereador cobrou respeito aos moradores e pediu explicações sobre a liberação das festas. Ao transformar o “tum tum tum” em símbolo político, Hilton expôs uma reclamação que muitos moradores fazem fora do plenário. A diferença é que, dessa vez, o incômodo virou discurso oficial, cobrança pública e pressão sobre quem assina os alvarás.
Favorecimento precisa de apuração, não de silêncio
A suspeita de favorecimento na liberação de eventos exige cautela. Sem documentos, não cabe afirmar que houve privilégio ou irregularidade comprovada. Porém, a cobrança do vereador aponta para a necessidade de transparência. A população tem direito de saber quais critérios orientam os alvarás. Também precisa saber quem autoriza, quem fiscaliza, quais limites constam nos documentos e quais punições surgem quando regras descumprem o interesse coletivo. Nesse caso, o barulho da House Paradise pode ter terminado. Mas o eco político do “tum tum tum” ainda deve continuar na Câmara.






