Câmara de Leandro Ferreira cria penduricalho de R$ 950 para vereadores

Benefício de auxílio-alimentação aprovado pela Câmara e sancionado pelo Executivo turbina em 20,6% o ganho mensal dos parlamentares

Publicado por: Geraldo Passos

Os vereadores de Leandro Ferreira aprovaram para si mesmos um aumento indireto de R$ 950 por mês, travestido de auxílio-alimentação. A medida já foi sancionada pelo prefeito por meio da Lei Municipal nº 950/2026 e garante o benefício mensal aos agentes políticos e servidores do quadro do Poder Legislativo.

Na prática, o que era apresentado como subsídio mensal de R$ 4.611,46 passa a ser reforçado com mais R$ 950. Isso significa um acréscimo indireto de 20,6% sobre o valor do salário base dos vereadores.

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A conta é simples e contundente. Se o subsídio mensal é de R$ 4.611,46 e o novo auxílio é de R$ 950, o ganho extra representa mais de um quinto do valor recebido pelos parlamentares. Em outras palavras, a Câmara criou um penduricalho que eleva de forma relevante a remuneração mensal, mesmo sem chamar isso de reajuste.

O documento sancionado deixa pouca margem para dúvida. A lei autoriza o Poder Legislativo Municipal a conceder mensalmente auxílio-alimentação de R$ 950 aos agentes políticos e servidores da Câmara de Leandro Ferreira. Ou seja, os próprios vereadores entram no pacote do benefício.

Esse tipo de manobra costuma ter uma embalagem burocrática, mas efeito político muito claro. Em vez de assumir de frente um reajuste de subsídio, o caminho escolhido foi criar um adicional paralelo, com nome de benefício, para inflar o ganho mensal sem o desgaste imediato da palavra “aumento”.

No papel, chamaram de auxílio-alimentação. Na vida real, o efeito foi de aumento indireto no bolso dos vereadores.

Outro ponto que chama atenção é o contraste entre discurso e prática. Enquanto a população convive com pressão no custo de vida e cobrança por serviços públicos mais eficientes, a Câmara encontrou espaço político e orçamentário para assegurar um ganho mensal extra aos próprios parlamentares.

A lei também tenta blindar o benefício ao afirmar que ele não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos e não constitui base para incidência previdenciária. Ainda assim, o impacto material é inegável, entra mais dinheiro no ganho mensal dos vereadores.

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Pelos dados apresentados no portal de transparência, um vereador de Leandro Ferreira aparece com remuneração mensal bruta de R$ 4.842,25 em fevereiro de 2026, composta por subsídio de R$ 4.611,46 e diferença de subsídio de R$ 230,79, antes dos descontos. Com a criação do novo auxílio de R$ 950, o valor total percebido mensalmente sobe ainda mais.

Politicamente, o desgaste tende a ser inevitável. Porque o eleitor entende com facilidade quando um benefício vira aumento disfarçado. E, neste caso, a percepção pública é direta, os vereadores aprovaram um extra para si mesmos e o Executivo carimbou a decisão.

Quando o próprio Legislativo cria um benefício de R$ 950 para seus agentes políticos, o discurso de austeridade perde força e dá lugar à velha prática do privilégio com outro nome.

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