O drama vivido por moradoras do bairro Nova Fortaleza 2, em Divinópolis, já atravessa meses sem solução e ganhou novo peso após a visita da reportagem ao local no domingo (26). A rua cedeu, um muro desabou ainda em janeiro, casas começaram a apresentar rachaduras e a revolta agora mira tanto a demora do poder público quanto a ausência de resposta política mais efetiva para um problema que segue ameaçando famílias e crianças.
Segundo o que foi relatado pelas moradoras ao portal, o problema começou no dia 22 de janeiro, quando houve a queda do muro. A moradora Bianca afirmou que, naquele momento, acionou a Defesa Civil, que esteve no local, vistoriou a área e informou que seria necessário avaliar também o outro lado para entender o que havia ocorrido. Desde então, segundo ela, foi feita apenas uma contenção provisória com areia e brita, sem solução definitiva.
Essa linha do tempo coincide com a versão apresentada ao Divinews pelo empresário e ex-prefeito de Divinópolis, Demétrius Pereira, ligado à Cosipres. Conforme relatado na apuração registrada pela reportagem, Demétrius confirmou que o desabamento ocorreu em janeiro, período das chuvas mais fortes, e explicou que a empresa aceita realizar o reparo do muro às próprias expensas. O ponto central, porém, é que, antes disso, seria necessária autorização formal da Prefeitura e uma intervenção de infraestrutura na própria rua para viabilizar a recomposição da estrutura.
O raciocínio apresentado pela empresa aparece, inclusive, em ofício datado de 9 de abril de 2026, assinado pelo responsável técnico Flávio Fagundes da Costa Pereira. No documento, a Cosipres pede à Prefeitura autorização para construir, por conta própria, uma travessia elevada para pedestres e sarjetas na Rua Mediterrâneo, perto do cruzamento com a Rua Cidade Lisboa. O ofício afirma que a ausência de sarjeta provoca escoamento irregular de água da chuva, erosão e danos ao imóvel, com o barranco cedendo até o leito da rua.
Na prática, a empresa sustenta que não basta simplesmente refazer o muro. Primeiro, seria necessário que o município atacasse a origem do problema, justamente na drenagem e na infraestrutura da via. Sem isso, a reconstrução isolada da estrutura correria o risco de ruir de novo.
O cenário encontrado pela reportagem reforça a gravidade do caso. Em um dos registros feitos no local, moradores mostram que metade da rua está praticamente comprometida, com rachaduras, afundamento do asfalto e risco para quem circula pela região. O local fica no encontro das ruas Cidade Lisboa e Mediterrâneo, e uma das imagens descritas na apuração mostra que a rua está “afundando demais”, em situação que assusta até quem tenta se aproximar da borda.
As moradoras afirmam que não se trata apenas de desconforto urbano. Há temor real. Uma delas relatou que sua casa já apresenta rachaduras e disse que outras residências vizinhas também sofrem com os reflexos do abatimento da rua. Segundo o relato, a passagem de veículos ficou limitada, há estreitamento perigoso da via e a sensação é de que o problema pode avançar para trás e atingir mais casas.
Outra cobrança forte envolve o comportamento de caminhões na área e a ausência de explicações mais claras aos moradores. Segundo as falas colhidas pela reportagem, houve movimentação de trator e de material na região, mas sem comunicação adequada com quem vive ali. Moradoras disseram que esperavam máquinas trabalhando para resolver o desmoronamento, mas afirmam que viram movimentação de pó de minério e, quando filmaram, a atividade teria sido interrompida.
O bairro ainda convive com outros problemas que agravam o abandono. As falas das moradoras citam água empoçada, risco de foco de dengue, ausência de rede de esgoto em parte da rua, fossas cheias sem limpeza adequada e até um terreno com mato alto, buracos e insegurança para quem precisa chegar em casa à noite. Uma moradora contou que a área chega a ser usada por casais durante a noite e disse que o matagal próximo às casas aumenta o medo de quem vive ali, principalmente por causa das crianças.
O Nova Fortaleza 2 não reclama de um detalhe. Reclama de um pacote de abandono, com rua cedendo, muro no chão, rachaduras nas casas, mato alto, água parada e medo crescendo entre famílias.
No meio desse cenário, a cobrança política também subiu de tom. Segundo as moradoras, o vereador Josafá Anderson, que tem presença eleitoral no Nova Fortaleza, Nova Fortaleza 2 e bairros vizinhos, foi procurado, mas não deu a resposta esperada. Uma moradora afirmou que enviou vídeos e mensagens ao parlamentar e que, até aquele momento, teria recebido apenas visualização, sem retorno efetivo.
A crítica ficou ainda mais direta nos registros finais da reportagem no local. Em uma das falas, o apelo ao vereador é explícito, com a observação de que ele tem atuação e base eleitoral na região, mas que as moradoras não estão satisfeitas com sua postura diante do problema.
Questionado pelo Divinews, Josafá respondeu que o problema não é dele, porque vereador não executa obras, e sim o Poder Executivo. A resposta pode até seguir a divisão formal de competências, mas não reduziu a insatisfação das moradoras, que esperavam justamente articulação política, cobrança e pressão institucional para que a Prefeitura agisse com mais rapidez.
E é exatamente aí que o caso ganha tempero político. No papel, a obra é do Executivo. Na vida real, a população cobra de quem pede voto, aparece no bairro e se apresenta como representante da comunidade. Quando a situação está boa, a foto costuma aparecer. Quando a rua cede, o muro cai e a casa racha, o morador quer mais do que explicação regimental. Quer solução.
O caso do Nova Fortaleza 2 virou, assim, um retrato de como a omissão compartilhada produz desgaste coletivo. De um lado, a empresa diz aceitar reconstruir o muro, mas sustenta que depende antes da autorização municipal e da correção da infraestrutura. De outro, o poder público não resolveu o ponto estrutural. No meio disso, as famílias seguem convivendo com medo e com a sensação de que ninguém assume, de fato, a responsabilidade de virar a chave do problema.
A situação exige resposta rápida porque já ultrapassou a fase do aviso. O desabamento ocorreu em janeiro. Abril termina, e a rua continua afundando. E em respeito ao contraditório, à ampla informação e à boa prática do jornalismo, o espaço do Divinews está integralmente aberto para manifestações, esclarecimentos e posicionamentos da Prefeitura de Divinópolis, do vereador Josafá Anderson, da empresa Cosipres e de quaisquer outros envolvidos citados no caso.








Meu Deus , que absurdo! Em época de eleições , fica a pergunta: cadê o governo municipal? E vereadores também?
O Divinews deveria ouvir a prefeitura. A Prefeitura é que tem que tomar as providências devidas