O senador Cleitinho avançou no Senado com um projeto que tenta abrir uma nova porta para obras de infraestrutura no Brasil, especialmente nas rodovias. A Comissão de Assuntos Econômicos, a CAE, aprovou nesta terça-feira (28) o PL 1252/2023, proposta que autoriza o uso de créditos tributários e a quitação de multas administrativas como forma de contrapartida para a execução de obras e serviços de engenharia de interesse público.
Na prática, o texto busca criar um modelo em que empresas possam participar diretamente da recuperação de estradas e de outras intervenções sem depender apenas do rito tradicional de desembolso direto do governo. A proposta altera dispositivos da Lei de Licitações, a Lei 14.133/2021, e da Lei de Parcerias Público-Privadas, a Lei 11.079/2004.
A defesa de Cleitinho mira um ponto que há anos irrita motoristas, caminhoneiros e moradores de regiões cortadas por rodovias em situação precária. Segundo o senador, o país precisa de soluções práticas para recuperar estradas, reduzir burocracia e dar mais agilidade a melhorias que a população cobra há muito tempo. Essa linha foi reforçada na justificativa do projeto, que tenta ampliar a participação da iniciativa privada em obras de interesse público.
O avanço na CAE tem peso político porque mostra que a proposta deixou de ser apenas discurso e entrou de vez na engrenagem legislativa. Segundo a Agência Senado, o projeto ainda terá de passar por mais uma votação no próprio colegiado antes de seguir adiante na tramitação. Ou seja, a aprovação desta terça não encerra o caminho, mas coloca a matéria em posição mais forte dentro do Senado.
O que Cleitinho tenta emplacar é um modelo que transforma passivo tributário e multa administrativa em asfalto, obra e engenharia, numa tentativa de tirar do papel melhorias que há anos emperram nas rodovias brasileiras.
O texto já havia passado antes pela Comissão de Constituição e Justiça. Em dezembro de 2025, a CCJ aprovou a proposta que autoriza a concessão de crédito tributário ou a quitação de multas administrativas como forma de pagamento para execução de obras e serviços de engenharia de interesse público. Agora, com o novo avanço na CAE, o projeto ganha mais fôlego político.
A ideia dialoga com um raciocínio simples, mas politicamente forte. Em vez de deixar crédito parado, multa acumulada ou obra travada, o projeto tenta costurar um mecanismo para converter parte desse passivo em investimento concreto. É uma fórmula que lembra, em sua lógica, instrumentos de incentivo e compensação já usados em outras áreas, embora aqui o alvo seja a infraestrutura pública. Essa interpretação decorre da própria ementa e do desenho do projeto aprovado nas comissões.
No discurso político, Cleitinho ganha com um tema de apelo popular imediato. Falar de rodovia ruim, obra travada e excesso de burocracia conversa direto com quem sente o problema no volante e no bolso. Se o projeto continuar avançando, o senador poderá apresentar a proposta como uma resposta prática a um gargalo histórico do país. Se emperrar, terá ao menos criado uma bandeira fácil de defender perante um eleitorado cansado de estrada esburacada e promessa não cumprida. Essa é uma leitura analítica sobre o potencial político do tema, baseada no conteúdo da proposta e no estágio atual da tramitação.
O projeto agora segue seu curso no Senado, ainda sujeito a novas votações e ajustes. Mas o recado político já foi dado. Cleitinho conseguiu fazer a CAE abrir caminho para um modelo que tenta misturar engenharia, compensação e participação privada em nome de uma cobrança antiga do país, tirar as obras das promessas e colocá-las, de fato, na pista.
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