Belo Horizonte entrou no radar de uma operação interestadual que escancarou um problema grave e cada vez mais lucrativo no país. Segundo a investigação, a capital mineira vinha se consolidando como destino estratégico de celulares furtados em eventos com grande aglomeração, em um esquema que ligava crimes praticados em vários estados a receptadores instalados em Minas Gerais.
A ofensiva foi deflagrada nesta quarta-feira (22), com atuação da Polícia Civil de Minas Gerais, por meio do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, em apoio à Polícia Civil de Cascavel, no Paraná. O foco da investigação recaiu sobre uma organização criminosa especializada em furtos de celulares durante eventos cheios, onde o volume de pessoas ajuda a camuflar a ação dos criminosos.
As apurações começaram em 2025 e avançaram até identificar a rota seguida pelos aparelhos levados das vítimas. Depois dos furtos, os celulares eram enviados para Belo Horizonte, cidade apontada como base de atuação de um dos principais receptadores de aparelhos do país. Além disso, as investigações indicaram que esse mesmo alvo recebia celulares provenientes de crimes praticados em diferentes estados, o que elevou ainda mais a gravidade do caso.
Esse ponto muda a dimensão da ocorrência. Belo Horizonte deixou de aparecer apenas como local de passagem e passou a surgir, no entendimento dos investigadores, como peça central de um mercado clandestino que movimentava aparelhos furtados em várias regiões do Brasil. A operação, portanto, não atinge apenas autores de furtos. Ela mira também a engrenagem que dá lucro ao crime e sustenta a cadeia da receptação.
Com compartilhamento de provas autorizado pela Justiça do Paraná, a 2ª Delegacia de Furtos e Roubos do Depatri representou por mandados de busca e apreensão contra investigados em Belo Horizonte e Ribeirão das Neves. Também pediu a prisão preventiva do principal alvo apontado no esquema.
Em Minas Gerais, os policiais cumpriram 9 mandados de busca e apreensão e efetuaram 1 prisão. No Paraná, a operação cumpriu 3 mandados de busca e apreensão e 3 mandados de prisão. Já em Santa Catarina, houve o cumprimento de 1 mandado de busca e apreensão.
A operação reforça um ponto que há tempos preocupa autoridades e vítimas. O furto de celular não termina no momento em que o aparelho some do bolso ou da bolsa. Esse tipo de crime só se mantém forte porque existe uma rede pronta para receber, ocultar, revender e redistribuir os aparelhos. Quando a investigação aponta Belo Horizonte como centro de recepção desses produtos, o alerta sobe de nível e expõe a força de um mercado ilegal que se alimenta da rotina de grandes eventos e da fragilidade da fiscalização.
O avanço da investigação agora pode ajudar a desmontar uma estrutura maior, que vai além do ladrão que age na multidão. O que está em jogo é a identificação de quem compra, concentra e faz circular os celulares furtados, mantendo um negócio criminoso que atravessa estados e transforma prejuízo de vítimas em fonte de renda para organizações especializadas.






