A exoneração de Gleide Andrade de Oliveira do Conselho de Administração da Itaipu Binacional quase passa em silêncio fora dos bastidores políticos e da mídia, mas tem peso eleitoral claro. Nomeada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 20 de junho de 2023, a dirigente petista deixou o cargo agora, em ato publicado no Diário Oficial da União em 1/4, sob o número 31.032.026/2026 abrindo caminho para a pré-candidatura a deputada federal por Minas Gerais.
A movimentação chama atenção não apenas pela saída em si, mas pelo contraste de repercussão. Quando Gleide foi escolhida para o conselho de Itaipu, a nomeação ganhou espaço em diversos veículos, sendo que um deles, local de Divinópolis, chegou a ser processado por danos morais na escrita de uma colunista, que foi além da informação em sí, da nomeação da secretária. Fato é que, na ocasião a nomeação foi tratada como uma indicação política relevante do início do terceiro mandato de Lula. Já a exoneração, embora oficializada no DOU e ligada diretamente ao calendário eleitoral, circulou com muito menos força no noticiário.
A publicação da nomeação no Diário Oficial foi noticiada na época como parte da recomposição do conselho brasileiro da usina sob o governo Lula. Reportagens daquele período também registraram que ela se somava ao colegiado num momento de troca ampla dos nomes indicados para Itaipu.
Agora, o gesto é outro. A exoneração publicada no Diário Oficial da União foi noticiada ao lado da saída de outros conselheiros, entre eles Fernando Haddad, e foi lida no ambiente político como movimento de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições de 2026. No caso de Gleide, esse passo conversa diretamente com a informação já em circulação de que a tesoureira petista pretende buscar uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas.
A leitura política é bem direta, de que Gleide deixa um posto estratégico e bem remunerado em Itaipu para voltar o foco ao tabuleiro eleitoral mineiro, onde o PT tenta montar sua chapa federal num cenário de disputa intensa dentro do campo progressista. A saída dela não é apenas administrativa. É um sinal de reposicionamento. E, nesse contexto, a exoneração praticamente confirma que a dirigente trocou o conselho da binacional pelo palanque.
O movimento também recoloca Gleide com mais força no radar de Minas. Figura tradicional da estrutura petista, ela integra a corrente Construindo um Novo Brasil, é aliada de Gleisi Hoffmann e já vinha sendo tratada nos bastidores como nome em preparação para a disputa proporcional deste ano. Com a saída de Itaipu publicada oficialmente, a transição do cargo para a campanha deixa de ser apenas especulação e passa a ganhar contorno concreto.
Mesmo sem o estardalhaço da nomeação, a exoneração tem importância política maior do que o noticiário refletiu até aqui. Afinal, não se trata apenas de uma mudança no conselho de uma estatal binacional. Trata-se do desencaixe de uma peça da engrenagem nacional do PT para recolocá-la no jogo eleitoral mineiro. E, quando isso acontece, o silêncio da cobertura de sua saíde da empresa binacional não diminui o tamanho do movimento. Só o torna mais revelador.






