Deputada estadual diz ao Divinews que disputa pelo governo de Minas ainda segue nas mãos de homens brancos

A parlamentar Andreia de Jeus apontou a concentração masculina no tabuleiro de 2026, cobrou mais espaço para mulheres e aposta em Rodrigo Pacheco no campo governista

Publicado por: Geraldo Passos

Na cobertura do Divinews na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a deputada estadual Andreia de Jesus traçou para a reportagem um retrato duro do atual cenário político de Minas e concentrou sua fala mais forte em um ponto que, para ela, segue há anos sendo ignorado, ou seja,  a disputa pelo poder no estado com total predominância masculina, branca. Outra vez está acontecendo neste anos,  2026. O diagnóstico veio sem rodeios. Para a parlamentar, o ambiente continua tomado por figuras repetidas, velhas estruturas e um desenho político que ainda exclui, na prática, outras representações, principalmente a feminina. 

Ao ser provocada sobre o quadro da direita, com nomes como Mateus Simões, Cleitinho e a possibilidade de Rodrigo Pacheco entrar na disputa, Andreia não começou pelo jogo tradicional das alianças nem pela aritmética partidária. Preferiu atacar a composição do tabuleiro. Classificou o cenário como “muito masculino”, marcado por “muitos homens”, todos “brancos”, e interrompeu ali uma primeira resposta antes da retomada da entrevista no segundo arquivo.

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Andreia alinhou o nome de Rodrigo Pacheco ao campo do presidente Lula, afirmou que o governo federal aposta nele como candidato ao governo de Minas e deixou um recado político: quem é chamado a cumprir essa tarefa precisa assumir o papel por inteiro e se apresentar como candidato. No fundo, a fala mistura apoio e cobrança, sinalizando que não basta circular como possibilidade, é preciso entrar no jogo de fato.

Mesmo tratando Pacheco como a principal aposta do campo governista, a deputada não aliviou a crítica estrutural. O ambiente segue, na visão dela, dominado por “nomes antigos” e por um “cenário colonial” que ainda se reproduz na política mineira. A menção a Aécio Neves, feita nesse contexto, ajudou a enquadrar o problema que ela apontava: a persistência de figuras já conhecidas, de perfis semelhantes e de uma política que, para ela, continua pouco aberta à renovação real.

A crítica não ficou restrita ao governo de Minas. Ela avançou também para o debate sobre representação. Quando o assunto chegou ao Senado e ao nome de Marília Campos, Andreia tratou a possibilidade de uma candidatura feminina como algo maior do que um movimento individual ou partidário. O enquadramento foi de conquista coletiva, fruto de uma organização histórica das mulheres para ocupar espaços de poder e decisão.

Esse trecho teve peso especial porque conectou a disputa eleitoral a uma agenda mais ampla. Para ela, a entrada de mais mulheres nos centros de decisão não é só questão de composição, mas resposta concreta a um contexto de violência e desigualdade. A presença feminina no Senado, nesse raciocínio, serviria para tornar a política mais próxima, mais popular e mais acessível a quem normalmente fica distante dessas estruturas.

Confirma que seguirá ocupando a cadeira na Assembleia e tratou a pré-candidatura à reeleição como momento de colher o que foi plantado ao longo do mandato. O eixo dessa construção, segundo ela, está no trabalho voltado às comunidades tradicionais e na diferença que esse vínculo de base cria em relação a outros parlamentares.

A autoconfiança apareceu como um dos traços mais nítidos da entrevista, quando  afirmou que o mandato consolidou nome, compromissos e confiança, especialmente por causa da escuta mantida com as bases. A leitura que ela faz é a de quem já entrou no segundo mandato com lastro político próprio e hoje consegue perceber, inclusive nas redes sociais, sinais de respaldo e acolhimento.

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Ao mencionar esse apoio, a deputada tratou as redes como termômetro diário do trabalho político. Não como vitrine apenas, mas como espaço onde aprovação, crítica e mobilização aparecem com nitidez. Na avaliação dela, o carinho que recebe confirma que o mandato está no caminho certo e serve de combustível para seguir na disputa.

No saldo geral, a entrevista da parlamentar costurou três mensagens centrais. A primeira, mais explosiva, foi a crítica ao caráter masculino, branco e antigo do cenário político mineiro. A segunda foi a aposta em Rodrigo Pacheco como nome do campo alinhado a Lula, ainda que acompanhada de cobrança para que ele assuma publicamente esse papel. A terceira foi a defesa aberta da ampliação do espaço das mulheres na política, com o nome de Marília Campos tratado como símbolo desse avanço.

“Minas carrega um tabuleiro desenhado por homens brancos, por nomes de sempre e por uma lógica antiga de poder”, finalizou a deputada se dezendo contra esse desenho de poder em Minas Gerais.

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