A Assembleia Legislativa de Minas Gerais já vive o clima da eleição de 2026, mas o cenário está longe de ser totalmente transparente. Dos 77 deputados estaduais, 39 já declararam que pretendem disputar a reeleição, 3 assumiram a intenção de buscar cargos mais altos, 4 disseram que ainda avaliam o cenário e 31 simplesmente não se posicionaram publicamente sobre o próprio destino político. O retrato, portanto, não é de indefinição total, mas também não é de clareza plena. O que existe hoje é uma Casa dividida entre os que já se colocaram no tabuleiro e os que preferem manter o jogo escondido.
Esse silêncio de 31 parlamentares não significa ausência de candidatura. Pelo contrário. Nos bastidores, ele é lido como estratégia pura. Muitos ainda negociam partido, calculam alianças regionais, aguardam a consolidação das chapas majoritárias ou evitam desgaste antecipado. Em política, nem sempre quem fala antes sai na frente. Em muitos casos, quem cala está apenas medindo melhor o terreno antes de pular.
Entre os que já decidiram permanecer na própria ALMG, o grupo é numeroso. O levantamento publicado no fim de 2025 apontou como pré-candidatos à reeleição nomes como:
Amanda Teixeira Dias
Andréia de Jesus
Ana Paula Siqueira
Arnaldo Silva
Betinho Pinto Coelho
Bim da Ambulância
Carlos Henrique
Carol Caram
Celinho Sintrocel
Chiara Biondini
Delegada Sheila
Delegado Christiano Xavier
Doutor Maurício, Doutor Paulo
Duarte Bechir
Eduardo Azevedo
Enes Cândido
Gustavo Santana
Gustavo Valadares
Grego da Fundação
Leninha
Lincoln Drumond
Lucas Lasmar
Luizinho
Marquinho Lemos
Mário Henrique Caixa
Mauro Tramonte
Nayara Rocha
Oscar Teixeira
Professor Cleiton
Professor Wendel Mesquita
Rafael Martins
Rodrigo Lopes
Roberto Andrade
Vitório Júnior
Zé Guilherme
Adalclever Lopes
Charles Santos
Beatriz Cerqueira.
No grupo dos que querem voos mais altos, três nomes já aparecem de forma mais nítida. Cássio Soares trabalha para disputar a Câmara dos Deputados. Lohanna França também se coloca para a corrida de deputada federal. Já Cristiano Caporezzo foi apontado como nome para a disputa ao Senado, numa movimentação que o insere no núcleo mais ideológico da direita mineira. É um grupo pequeno, mas suficiente para mostrar que, dentro da Assembleia, há quem veja o mandato estadual não como destino final, mas como trampolim.
Há ainda os que oficialmente diziam avaliar o cenário, como Bella Gonçalves, Raul Belém, Tito Torres e Tadeu Leite. Só que esse grupo já começa a se mexer. Bella, por exemplo, trocou o PSOL pelo PT durante a janela partidária, o que reforça a leitura de que seu projeto eleitoral deve ganhar outra dimensão. Ao mesmo tempo, Tadeu Leite continua sendo citado nos bastidores como peça importante para composições maiores, embora siga sem anúncio definitivo.
A janela partidária, aliás, mexeu de verdade na correlação de forças da ALMG. Dezesseis deputados trocaram de legenda no período encerrado em 3 de abril. Mudaram de partido:
Adalclever Lopes
Ana Paula Siqueira
Arlen Santiago
Bella Gonçalves
Betinho Pinto Coelho
Bosco
Carlos Pimenta
Chiara Biondini
Doorgal Andrada
Doutor Paulo
Enes Cândido
Grego da Fundação
João Magalhães
Neilando Pimenta
Professor Wendel Mesquita
Raul Belém.
O resultado fortaleceu principalmente PSD, PT e União Brasil, além de reposicionar quadros em partidos mais competitivos para a próxima disputa.
No balanço dessa dança das cadeiras, o PSD ampliou sua bancada com nomes como Bosco, Raul Belém, Enes Cândido e João Magalhães.
O PT cresceu com Ana Paula Siqueira e Bella Gonçalves.
Já o União Brasil incorporou Betinho Pinto Coelho, Doutor Paulo, Grego da Fundação e Professor Wendel Mesquita.
Em sentido contrário, partidos como Cidadania e PRD perderam espaço.
A troca de sigla, nesse contexto, não foi mero capricho ideológico. Foi cálculo eleitoral, sobrevivência partidária e busca por chapa mais forte.
No fim, o retrato da ALMG é este: a maioria que já se posicionou quer continuar onde está, uma minoria tenta subir de patamar e um bloco enorme ainda prefere esconder a estratégia. Portanto, a diferença que parecia estranha na conta não aponta para desistência. Aponta para silêncio. E, em ano eleitoral, silêncio quase nunca é ausência. Quase sempre é preparação.






