No meio de centenas de páginas do Diário Oficial dos Municípios, o que realmente interessa em Divinópolis aparece com clareza: Janete Aparecida começou o governo mexendo em três áreas que têm peso político de verdade, cargos, vitrine pública e contratos. O restante é ruído burocrático. O núcleo da história está nos atos que mostram reposicionamento de pessoas de confiança, tentativa de salvar pauta econômica e cultural da cidade e movimentação em contratos já em andamento.
O ponto mais político do pacote é a nomeação de Débora Cristina Santana Amorim para a Coordenadoria de Infraestrutura da Setop e de Alinne Soares Bosco para a Gerência de Cadastro Imobiliário da Semfaz. Não são apenas duas nomeações. São sinais de reorganização interna da máquina.
Janete começa ocupando espaços técnicos com nomes escolhidos já sob sua assinatura, o que reforça que a nova prefeita não quis perder tempo em marcar território administrativo.
Outro movimento com valor político maior do que parece à primeira vista foi a reabertura do Chamamento Público nº 10/2026, ligado à Rota do Chopp.
A justificativa oficial diz que o credenciamento não atingiu o número esperado de participantes e, por isso, o prazo foi reaberto até 3 de abril.
Traduzindo a linguagem burocrática: a prefeitura percebeu que uma ação importante para turismo, cultura e economia local corria o risco de nascer esvaziada e resolveu evitar o vexame. Entre os atos publicados, esse é um dos poucos com impacto direto na imagem pública da cidade e no setor produtivo.
Na área de obras, o Diário também mostra que a nova gestão não ficou parada esperando a poeira da posse baixar. Um dos destaques foi o 6º termo aditivo do contrato 117/2024 com a Gonçalves Xavier Engenharia, com readequação de planilha, acréscimo de R$ 30.763,39 e prorrogação até 27 de maio. Em outro ato, houve supressão de R$ 119.988,41 no contrato com a Locadora Terramares, ajustando o valor global para R$ 4.788.817,96. Em linguagem política, isso significa que o governo já entrou olhando obra, custo e execução, justamente uma das áreas que mais dão munição para cobrança pública.
Na Saúde, o peso está menos no valor e mais no simbolismo.
O Diário trouxe um termo aditivo prorrogando contrato de locação vinculado à Semusa, mas o ato que mais chama atenção é o termo decisório contra a MG Metalic Medical Produtos Hospitalares, com multa de R$ 466,08. Pode parecer pouco dinheiro, e é. Só que administrativamente o recado é outro: a prefeitura publicou sanção formal a fornecedor, algo que sempre pesa mais do que um simples extrato de rotina porque mostra disposição de deixar registrado conflito e responsabilização.
Também aparecem diversos extratos de estágio da Seplag, sobretudo com alunos da UEMG. Esses atos são importantes para o funcionamento da máquina, mas, jornalisticamente, têm peso menor. Servem muito mais como pano de fundo do que como manchete. Mostram que a engrenagem administrativa segue girando, mas não carregam o mesmo peso político das nomeações, da Rota do Chopp e dos contratos de obras e saúde.
Há ainda um dado que ajuda a entender o estilo do início de governo.
O Diário não mostra uma gestão paralisada pela transição. Mostra uma prefeitura que, em poucos dias, já colocou assinatura em cargos, editais e contratos. Isso indica uma Janete menos cerimonial e mais operacional logo na largada. A nova prefeita assumiu e foi direto ao que define comando de verdade: gente, dinheiro e agenda pública.
Em resumo, se for preciso pinçar só o que mais importa da Prefeitura de Divinópolis nesse Diário, o recorte é este: nomeações estratégicas de Janete, reabertura da Rota do Chopp para evitar fracasso de adesão, mexida em contratos de obras com impacto financeiro e sanção administrativa na Saúde.
O resto compõe a moldura. Esses atos, sim, revelam onde a nova gestão decidiu começar a ser julgada.






