As ruas de Divinópolis ganharam voz, cor e propósito nesta quarta-feira (01), com a realização da 5ª Caminhada de Conscientização Inclusiva no trajeto entre a Praça da Catedral e a Praça do Santuário. O ato reuniu famílias, apoiadores e instituições em uma demonstração pública de respeito, acolhimento e cobrança por inclusão real. No meio da mobilização, a prefeita Janete Aparecida aproveitou o momento para anunciar uma novidade de peso: o início das obras do Centro de Inclusão Autista no BTC, além da retomada das obras do SER.
A caminhada ocorreu na véspera do Dia Mundial de Conscientização do Autismo e transformou o centro da cidade em um corredor de visibilidade para uma pauta que há anos exige mais do que discurso bonito. O trajeto saiu da Praça da Catedral, passou pela Avenida 1º de Junho e seguiu até a Praça do Santuário, onde a programação previa atrações, pronunciamentos e ações de apoio à comunidade.
A organização ficou a cargo da União Temporária de Apoio, a UTA, que chegou à 5ª edição do evento. Em entrevista no local, a organizadora Vanda Eane Mello resumiu o sentimento de quem construiu a ação mais uma vez. Segundo ela, houve preocupação por causa da chuva, mas o público aderiu e participou, confirmando o sucesso da mobilização. Ela também destacou que este foi o 3º ano de participação da prefeitura e disse que o projeto é fazer a caminhada crescer cada vez mais.
Janete, por sua vez, tentou imprimir ao evento um peso institucional maior. Ao falar durante a caminhada, disse que já havia apoiado a ação em outros anos como vice-prefeita, mas que agora participou como prefeita da cidade. Afirmou que a inclusão depende de parceria entre sociedade civil e poder público e destacou que “respeito” e “inclusão” precisam sair do discurso e virar política pública para crianças, adolescentes e adultos autistas.
Mas o trecho mais forte da fala veio quando a prefeita anunciou duas frentes concretas. A primeira foi a retomada das obras do SER, apontadas por ela como projeto que enfrentou burocracia, demora, aprovação estadual, licitação e até abandono de empresa. A segunda, e mais impactante politicamente, foi o anúncio de que haverá no BTC o início das obras do Centro de Inclusão Autista, apresentado pela prefeita como uma grande obra de políticas públicas voltada diretamente a esse público.
O anúncio muda o peso do evento porque tira a caminhada do campo apenas simbólico. Em vez de ficar restrita a faixas, camisetas e palavras de efeito, a mobilização recebeu promessa concreta de equipamento público voltado à inclusão. Janete ainda reforçou que o cuidado precisa atravessar várias áreas, como saúde, assistência, cultura e esporte, numa tentativa de mostrar que o autismo não pode ser tratado como pauta isolada nem sazonal.
Na Praça do Santuário, além da caminhada, a estrutura montada ofereceu serviços e atrações para as famílias. Entre eles, a presença da equipe itinerante de vacinação. Natália, da equipe, explicou que a campanha da Influenza, iniciada no sábado, estava disponível para grupos prioritários, como idosos, gestantes, crianças, pessoas com comorbidades e outros públicos definidos. Ela também informou que vacinas de rotina estavam sendo aplicadas no local.
O evento, portanto, não serviu apenas para conscientizar. Também funcionou como ponto de acolhimento e cuidado, com serviços públicos no mesmo espaço onde a cidade foi chamada a refletir sobre inclusão. Esse tipo de formato reforça a ideia de que a pauta do autismo exige presença do poder público para além das datas de calendário.
No fim, a imagem que ficou foi a de uma cidade ocupando as ruas para defender algo básico, mas ainda longe de ser plenamente garantido: respeito. E, no meio dessa caminhada, a fala de Janete colocou uma cobrança nova sobre a própria prefeitura. Ao anunciar retomada de obras e um Centro de Inclusão Autista, a prefeita elevou a expectativa das famílias. Agora, mais do que aplauso, o que virá pela frente será cobrança para que a promessa saia do microfone e chegue ao concreto.






