A soltura do médico psiquiatra José Lúcio de Abreu Faria Junior, preso após a denúncia de violência contra a esposa em Divinópolis, provocou forte indignação entre pessoas próximas da vítima e reacendeu o debate sobre a resposta do sistema de Justiça em casos de violência doméstica. O caso já havia causado grande repercussão depois que a mulher conseguiu pedir socorro enquanto estava no apartamento com a filha pequena, o que levou à intervenção policial e à prisão em flagrante do médico.
Na cobertura anterior, o caso veio à tona após a vítima, de 43 anos, conseguir acionar uma amiga pelas redes sociais enquanto se escondia no banheiro com a filha de 2 anos. De acordo com registros divulgados pela imprensa, a Polícia Militar precisou arrombar a porta do imóvel para entrar no apartamento. O episódio foi tratado como lesão corporal no contexto de violência doméstica, e a prisão em flagrante chegou a ser convertida em preventiva.
Agora, segundo informações repassadas ao Divinews por fonte próxima ao caso, José Lúcio foi colocado em liberdade neste domingo (29), com o uso de tornozeleira. De acordo com esse relato, a defesa teria apresentado um laudo médico informando que ele possui problemas renais e que necessitaria de cuidados especiais em casa. Até o fechamento desta matéria, o Divinews não localizou na internet documento público acessível que detalhasse os fundamentos da decisão judicial de soltura.
A mesma fonte afirmou ainda que o médico não teria passado pelo procedimento de raspagem do cabelo ao ingressar no sistema prisional, sob a alegação de que teria realizado implante capilar. Em tom de revolta, a pessoa que repassou as informações resumiu a situação com ironia e indignação ao dizer que ele saiu “com os cabelos intactos” e estaria na casa da mãe, em Pitangui. Esse trecho, no entanto, decorre de relato de fonte e não de documento oficial exibido publicamente ao Divinews.
Enquanto isso, a realidade da vítima seguiu em direção oposta. Segundo relatos recebidos pela reportagem, a ex-esposa precisou alterar completamente a rotina por medida de segurança. Ela teria se afastado de familiares e amigos, saído de Divinópolis e buscado abrigo em outra cidade, permanecendo amparada por medida protetiva. A mudança brusca de vida, segundo pessoas próximas, expõe o tamanho do impacto que o caso continua produzindo mesmo após a saída do médico da prisão.
Amigos da vítima ouvidos pelo Divinews lamentaram a decisão judicial e criticaram o desfecho provisório. Entre as frases mais repetidas por esse grupo está uma que resume o sentimento de impotência diante do caso: “Quem tem dinheiro, não fica preso por muito tempo”. A avaliação, carregada de revolta, mostra que a soltura foi recebida por parte do círculo da vítima não como um ato processual isolado, mas como sinal de desigualdade no tratamento dado a acusados com maior condição financeira.
O episódio segue cercado de forte repercussão porque o caso original já havia chocado a cidade. Conforme relatos publicados por veículos de imprensa, a agressão teria ocorrido dentro do apartamento do casal, no Centro de Divinópolis, e a mulher relatou ter sofrido enforcamento, socos, impedimento de sair do imóvel e bloqueio das linhas telefônicas para evitar pedidos de ajuda. A filha do casal, de 2 anos, estava no local.
Também pesou no noticiário o fato de a vítima ter afirmado às autoridades que não se tratava de um episódio isolado. Segundo o boletim reproduzido pela imprensa, ela relatou histórico anterior de violência e a existência de medida protetiva ligada a uma ex-companheira do médico. Além disso, a mulher precisou de atendimento médico após o episódio, com lesões descritas no rosto e no pescoço.
A soltura, portanto, não encerra o caso. Ao contrário, abre uma nova etapa de tensão, cobrança e vigilância social. De um lado, a defesa pode sustentar razões médicas e processuais para a liberdade. De outro, a vítima permanece sob proteção, fora da rotina habitual, e pessoas próximas veem a decisão como mais um capítulo de um sistema que, na percepção delas, ainda falha em transmitir segurança plena a mulheres que denunciam violência.
O caso continua a exigir atenção das autoridades e da sociedade. A prisão provocou choque. A soltura provocou revolta. E, no meio disso tudo, permanece uma mulher que, segundo relatos recebidos pela reportagem, teve a vida virada do avesso para tentar seguir em segurança.






