O caso envolvendo filhotes encontrados feridos e em situação extrema de vulnerabilidade ampliou a revolta em São Sebastião do Oeste e elevou a pressão sobre a administração municipal. A denúncia aponta que a Prefeitura teria recolhido uma cadela e deixado para trás 5 filhotes, sem qualquer assistência, o que pode caracterizar crime de maus-tratos. O episódio ganhou novo peso depois que surgiram imagens e relatos do estado em que os animais foram encontrados.
Antes desse desdobramento, o caso já havia sido levado ao público. O Divinews publicou em suas redes sociais a denúncia feita por uma moradora da localidade, que alertou para a situação dos animais e para a suspeita de abandono. Depois da repercussão inicial, novos fatos vieram à tona e agravaram ainda mais a indignação popular.
Segundo os relatos, o médico veterinário Mateus Henrique de Souza foi acionado por moradores e se deslocou até o local. Ao chegar, encontrou os filhotes desnutridos, com diversos ferimentos, sangramentos e infestados por miíase, a chamada bicheira. O cenário descrito por testemunhas expôs uma situação severa de sofrimento animal.
Diante da urgência, Mateus realizou os primeiros atendimentos ainda no local. Ele avaliou as condições clínicas dos animais e iniciou medidas imediatas para reduzir o sofrimento. A atuação rápida, técnica e humanitária foi decisiva para preservar a vida dos filhotes, que necessitavam de socorro imediato.
Mesmo com a gravidade do caso, ao procurar a Polícia Militar de Minas Gerais, o veterinário teria sido informado de que a equipe não poderia comparecer naquele momento porque atendia outra ocorrência. Ainda assim, ele não recuou. Recolheu os animais, os acomodou de forma segura e seguiu até Divinópolis para registrar o boletim de ocorrência e formalizar a denúncia.
Sem apoio imediato do poder público, Mateus levou os filhotes para a própria residência. Durante a noite, garantiu alimentação, limpeza, proteção e acompanhamento contínuo. Na prática, assumiu sozinho a responsabilidade pela sobrevivência dos animais em um momento crítico, o que ampliou ainda mais a cobrança popular por providências.
No dia seguinte, o veterinário foi até a Prefeitura de São Sebastião do Oeste e entregou os filhotes ao município. Ao mesmo tempo, cobrou que o poder público adotasse medidas adequadas de cuidado e proteção. A atitude reforçou o entendimento de que a administração municipal precisa responder não apenas politicamente, mas também de forma prática sobre o episódio.
Mateus foi enfático ao afirmar que pretende buscar a via judicial. Segundo ele, o caso precisa ser investigado com profundidade, com apuração de responsabilidades e adoção de medidas para impedir que situações semelhantes voltem a acontecer. A declaração aumentou a expectativa por novos desdobramentos nos próximos dias.
A repercussão entre moradores cresceu porque o caso não envolve apenas comoção. A denúncia levanta questionamentos sobre a forma como o município conduz situações relacionadas a animais em risco, além de expor possível falha grave no dever de proteção. Em tese, os fatos podem se enquadrar como maus-tratos, nos termos da Lei nº 9.605/1998, além de eventual omissão do poder público, a depender da apuração oficial.
Agora, a pressão se volta para a administração municipal, que deverá esclarecer se houve recolhimento da cadela, por qual motivo os filhotes teriam permanecido no local e quais medidas foram adotadas após a denúncia. Até lá, o caso segue cercado de revolta, forte repercussão social e cobrança por responsabilização.
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