Em meio ao ambiente político do evento do Avante, um dos momentos mais espontâneos e reveladores acabou girando em torno da vereadora de Nova Serrana, Naide Santos. Surpreendida por um convite público para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, a parlamentar recebeu a proposta com algo que, na política, às vezes fala tanto quanto um discurso inteiro: um semblante visivelmente feliz.
O chamado partiu das principais lideranças da legenda. Durante a conversa, foi destacado que o presidente nacional do partido, Luis Tibé, e o presidente estadual, Igor Eto, lançaram o nome de Naide para a disputa federal. E, antes mesmo de qualquer anúncio formal, a cena já sugeria o clima da resposta. A expressão da vereadora, leve, sorridente e claramente honrada com a lembrança, praticamente antecipou o tom positivo com que ela trataria o assunto.
No entanto, por trás da leveza do momento, existe uma pauta profundamente séria. Em sua fala, Naide deixou claro que sua atuação política nasceu de uma causa muito específica e sensível: a defesa das famílias atípicas e neurodivergentes, com foco especial na causa autista. Em primeiro mandato, ela afirmou que entrou para a vida pública ao perceber que, no âmbito municipal, ainda se fazia pouco por essas famílias.
Ao explicar essa motivação, a vereadora trouxe um relato pessoal que ajuda a compreender a firmeza de sua atuação. Segundo ela, a convivência com uma irmã autista em grau severo mostrou, desde cedo, a dureza da realidade enfrentada por muitas famílias. Falou de dificuldades antigas, da falta de recursos, da ausência de apoio e do sofrimento de mães que, ainda hoje, seguem pedindo ajuda, terapias e acolhimento psicológico. O tom foi de emoção, mas também de compromisso.
Foi justamente nesse ponto que o contraste da cena ganhou força. De um lado, uma causa pesada, humana e urgente. De outro, a alegria visível de quem percebe que pode ampliar sua voz para muito além de Nova Serrana. Naide afirmou que ficou “muito feliz” e “muito honrada” com o convite, e acrescentou que ainda analisa alguns ajustes, embora admita de forma bastante positiva a possibilidade de disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Politicamente, a resposta foi cautelosa. Mas a fisionomia, o tom e o entusiasmo deixaram uma impressão clara no ambiente. Era como se a formalidade da análise ainda pedisse tempo, enquanto o sorriso já tivesse dado alguns passos à frente. Sem fazer anúncio precipitado, a vereadora mostrou que recebeu o convite de bom grado e que a ideia de representar Minas Gerais em Brasília não lhe parece distante nem desconfortável.
Na entrevista, Naide também fez questão de rebater a visão superficial de que o autismo seria “moda” ou fenômeno recente. Para ela, o transtorno sempre existiu, mas durante muito tempo permaneceu invisível, sem diagnóstico, sem acolhimento e sem espaço público para debate. Segundo a parlamentar, o que mudou foi a coragem das famílias e a visibilidade ampliada pela internet, ainda que a estrutura de apoio continue muito aquém do necessário.
Esse conteúdo dá densidade ao eventual projeto eleitoral. Naide não aparece apenas como um nome lançado de forma aleatória pelo partido. Surge como uma vereadora com causa definida, discurso pessoal, bandeira social clara e capacidade de se conectar com milhares de famílias que convivem diariamente com desafios semelhantes. Isso ajuda a explicar por que o Avante a colocou sob os holofotes do cenário federal.
No fim das contas, o episódio reuniu política, surpresa e humanidade em doses equilibradas. O convite foi sério. A pauta é séria. Mas a alegria estampada no rosto da vereadora também teve seu papel. Em um ambiente muitas vezes marcado por frases medidas e reações frias, Naide deixou escapar algo raro e valioso: a felicidade genuína de quem se vê diante de uma oportunidade maior. E, pelo conjunto da entrevista, tudo indica que esse convite caiu não apenas no colo, mas também no coração.






