Professor é denunciado após dizer que compraria alunos negros se fossem escravos

Segundo a presidente do COMPIR, Marcelina Liberato, a denúncia relata que a fala foi dirigida a alunos negros de instituição federal de Arcos durante apresentação de trabalho

Publicado por: Redação

Uma denúncia anônima recebida pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Divinópolis, o COMPIR, expôs um caso grave envolvendo suspeitas de racismo e transfobia contra estudantes menores de idade em uma instituição federal de ensino de Arcos. O episódio já circula entre a comunidade escolar e agora amplia a pressão por apuração rigorosa.

Segundo o conselho, a denúncia chegou nesta sexta-feira (20). Os relatos indicam que os estudantes, com média de 16 anos, teriam sofrido falas discriminatórias dentro da escola. As acusações recaem sobre um docente que atua em disciplinas da área de humanas, como Direito, Ética e Estudos Filosóficos e Sociológicos.

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De acordo com a presidente do COMPIR, Marcelina Liberato, a denúncia mais chocante aponta que a última ofensa ocorreu durante a apresentação de um trabalho. Na ocasião, o professor teria dito que, se os alunos fossem escravos, ele os compraria para trabalhar para ele. Os estudantes citados no relato são negros.

A declaração, se confirmada, ultrapassa qualquer limite pedagógico, ético e humano. A fala remete diretamente a uma das páginas mais cruéis da história do Brasil e atinge jovens negros dentro de um espaço que deveria garantir respeito, acolhimento e formação cidadã.

Segundo a denúncia, o caso já foi registrado formalmente junto à Ouvidoria e à Corregedoria da instituição. Mesmo assim, os estudantes seguiriam frequentando aulas com o mesmo professor. A situação, conforme o relato encaminhado ao conselho, tem provocado insegurança, desconforto e sofrimento no ambiente escolar.

“Racismo é crime e não pode ser relativizado”, afirmou Marcelina Liberato. A presidente do COMPIR reforçou que não se trata de opinião, exagero ou interpretação subjetiva. Para o conselho, o caso exige resposta séria, proteção às vítimas e apuração sem complacência.

Ela também destacou que os responsáveis pelos adolescentes podem registrar Boletim de Ocorrência e buscar medidas nas esferas criminal, civil e administrativa. “O racismo não é opinião, é crime. E quando envolve jovens em ambiente educacional, a gravidade é ainda maior. Nenhum estudante deve ser exposto à violência simbólica ou verbal dentro de um espaço que deveria ser de formação, acolhimento e respeito”, declarou.

O caso também reacende um problema estrutural no país. O racismo segue presente na sociedade brasileira e se manifesta de forma persistente nas escolas, onde muitos estudantes negros ainda relatam discriminação, exclusão e violência simbólica. Jovens LGBTQIA+ também estão entre os grupos mais vulneráveis a situações de preconceito dentro do ambiente educacional.

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Quando episódios assim surgem em sala de aula, o impacto vai além do constrangimento imediato. Atinge a autoestima, compromete o rendimento, gera medo e pode até afastar estudantes da escola. Em vez de proteção, o ambiente passa a representar ameaça.

Diante da denúncia, o COMPIR manifestou repúdio veemente a qualquer forma de discriminação racial ou de gênero. Embora o caso esteja fora de sua jurisdição direta, o conselho informou que pretende buscar contato com as autoridades da instituição para compreender melhor os fatos e acompanhar os desdobramentos.

O órgão também se colocou à disposição para contribuir, caso haja interesse das partes envolvidas, com ações de mediação, intervenção pedagógica e letramento racial. A avaliação é de que o enfrentamento ao racismo não pode ficar só no discurso institucional. Ele precisa aparecer em atitudes concretas.

“Não é possível normalizar o inaceitável”, afirmou Marcelina. Para ela, o silêncio diante do racismo apenas perpetua a violência. A escola, em pleno século 21, precisa representar exatamente o oposto disso: um espaço de direitos, respeito e convivência democrática.

O caso de Arcos agora ultrapassa os muros da instituição. A denúncia expõe uma ferida ainda aberta no país e reforça uma cobrança urgente. Quando alunos negros relatam que ouviram de um professor que poderiam ser comprados como escravos, não há espaço para omissão, relativização ou silêncio.

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