A inauguração do Hospital Regional de Nova Serrana, que ocorreu na última segunda-feira (16), com presença do ministro da Saúde, foi marcada por anúncios, discursos e promessas de estrutura. Mas, como quase todo grande evento público em ano pré-eleitoral, o entorno também virou terreno fértil para bastidores, e foi nesse ambiente que o Divinews encontrou e entrevistou o empresário conhecido como “Cleitinho da Minas Espuma”, que falou abertamente sobre política e admitiu a possibilidade de disputar as eleições.
O empresário, Cleitinho, disse que mora em Nova Serrana desde 2000 e que considera o município como “mãe”, argumento que costuma aparecer quando alguém tenta transformar trajetória empresarial em identidade política local. A fala veio acompanhada de um recado que ele repetiu mais de uma vez: Nova Serrana, na visão dele, tem densidade eleitoral para eleger, ao mesmo tempo, um deputado estadual e um deputado federal, desde que os grupos parem de se fragmentar e aceitem um critério objetivo de escolha.
A lógica que ele defendeu foi a do “jogo com régua”. Em vez de várias candidaturas puxando votos uns dos outros, ele propôs que os nomes se coloquem em pesquisas e que aquele que pontuar melhor siga, enquanto os demais recuam e passam a apoiar “por bem da cidade”. É um discurso que tenta soar como maturidade política, mas que também funciona como porta de entrada para quem quer entrar no tabuleiro sem bater de frente, desde já, com outras pré-candidaturas em curso.
Ao ser perguntado diretamente, ele confirmou disposição para entrar no jogo eleitoral, mas cravou uma preferência: se disputar, seria para deputado estadual. A decisão, no entanto, seria condicionada ao desempenho em pesquisas. Se não estiver bem posicionado, ele afirma que recua e apoia o nome mais competitivo.
A entrevista também passou pelo cenário já montado em Nova Serrana. O jornalista citou que o prefeito Fábio Avelar já apresentou publicamente um nome para a Assembleia, a médica Dra. Márcia Gripp, e lembrou que outros pré-candidatos também já aparecem nas conversas e entrevistas. Nesse ponto, o empresário foi direto: tratou a multiplicidade de nomes como normal da democracia, citou Dra. Márcia e outros atores locais, mas disse que, no fim, a cidade gira em torno de duas lideranças principais.
Na visão dele, hoje as duas forças com “efeito de voto significativo” seriam o prefeito Fábio Avelar e Eusébio Lago. Ele repetiu a frase “doa a quem doer” ao sustentar esse diagnóstico, tentando marcar posição com franqueza. Ao mesmo tempo, ele voltou ao ponto do “pacto”: seja qual for o campo, o melhor colocado nas pesquisas deveria ser o escolhido para concentrar apoio.
O tom geral da fala mistura pragmatismo e ambição. O empresário se apresenta como alguém que quer disputar, mas que não quer ficar com a imagem de “divisor” de votos. Ao colocar a pesquisa como filtro, ele tenta ocupar um espaço confortável: aparece como disponível, mas com saída honrosa para desistir, caso não decole.
Ao final, ele ainda fez uma comparação política que gerou comentário no local. Ao ser provocado sobre o “outro Cleitinho”, o senador de Divinópolis, ele elogiou o parlamentar e disse acreditar que ele tem força para vencer a corrida ao governo do Estado. Também afirmou que o senador “transformou Divinópolis”, e que seu sonho na política seria “transformar Nova Serrana”, sinalizando o tipo de narrativa que pretende usar caso decida mesmo se lançar.
O que fica claro, nesse bastidor, é que a pauta da saúde abriu portas para a pauta eleitoral. O hospital virou símbolo de entrega, e o evento virou vitrine. Enquanto lideranças formalizam nomes e outros testam terreno, o “Cleitinho da Minas Espuma” entrou no radar ao fazer o que muitos evitam nesta fase: dizer, em público, que tem vontade, que quer medir força e que aceita recuar se não estiver na frente.






