Na manhã desta terça-feira, no 23º Batalhão, a Polícia Militar detalhou as diligências realizadas após o feminicídio registrado em Divinópolis, por volta de 8h de ontem, no bairro Sidil. Segundo a corporação, assim que tomou conhecimento do crime, mobilizou todo o efetivo disponível, com a atuação direta do comando do batalhão e da região, para localizar e prender o autor.
De acordo com a PM, a autoria foi identificada ainda no local. O suspeito tinha grau de parentesco com a vítima, era um primo. A partir disso, o trabalho passou a ser reconstruir o caminho de fuga. As primeiras imagens analisadas indicaram que ele deixou o prédio a pé, seguiu pela Rua Paraná, desceu a Rua São Paulo e, em seguida, a operação entrou em fase intensa de rastreamento por câmeras, para mapear cada trecho por onde ele passou.
No levantamento, a PM descreveu que o suspeito desceu pela Rua Espírito Santo, entrou na Rua Paraíba e subiu a Rua Guaporé. Em uma das imagens, ele teria entrado em um lote vago que dá acesso a uma área de mata densa, no quarteirão formado pelas ruas Pará, Rio de Janeiro, Guaporé e Paraíba. Como, naquele momento, não havia sinais de saída do local, as equipes mantiveram o cerco e solicitaram apoio especializado com cães de captura.
A PM informou que equipes com cães vieram da Região Metropolitana, enquanto o perímetro permanecia cercado. Os animais entraram na mata e varreram a área. Mesmo com indícios de passagem, não houve localização do suspeito naquele ponto. Para a corporação, isso reforçou a hipótese de que ele já havia conseguido sair, porque, em um ambiente fechado e controlado, a chance de detecção seria alta.
Com a continuidade do rastreamento, os militares ampliaram a busca por novas câmeras. Depois, veio a confirmação de que o suspeito teria deixado a mata pela Rua Rio de Janeiro, justamente por um trecho sem cobertura de câmeras, e foi visto mais acima ainda pela manhã, já fora da área monitorada.
A PM destacou que o efetivo não foi desmobilizado. O rastreamento seguiu ao longo do dia e da noite. Nesta terça-feira, a corporação recebeu informação de que o suspeito estava na MG-050, nas proximidades do posto de combustível, na região final da JK, caminhando pela rodovia. As equipes mais próximas deslocaram ao ponto indicado e efetuaram a prisão.
No momento da abordagem, segundo a PM, ele estava com mochila nas costas e seguia em direção a um ponto de ônibus. Aos policiais, teria dito que pretendia ir para Abaeté, por ter parentes naquela cidade. A corporação afirmou que ele não esboçou reação.
Após a prisão, a PM relatou um desdobramento decisivo. Diante do cerco que foi montado e das diligências já realizadas, o suspeito indicou onde havia escondido a arma. Segundo a corporação, a arma estava enterrada na mesma mata já varrida pelos cães anteriormente. Ele teria enterrado o armamento e conseguido sair do local antes do fechamento total das rotas.
A PM afirmou que o suspeito levou as equipes até o ponto exato, e que, em poucos minutos, a arma foi recuperada. O material será encaminhado à Polícia Civil e à perícia. Os militares também informaram que, na primeira ida à mata, já haviam localizado uma munição não percutida do mesmo calibre, o que reforçou a convicção de que o autor passou pela área e motivou o acionamento do apoio com cães.
O major César Henrique Bittencourt, comandante do 23 relatou como ocorreu a prisão do autor, sem se aprofundar muito na dinâmica e a motivação. Segundo o comandante, a vitíma teria vindo de Abaete para ser cuidadora de uma idosa que residia no local do crime. Porém, segundo confissão do autor, por motivos não revelado a vitima teria colocado o seu cão para fora da residencia. Então ele foi questioná-la por tal ação, ela então diante do questionamento do proprietario do cão, se apoderou de uma faca e foi em sua direção, ainda de acordo com seu relato, ele atirou nela, alegando legitima defesa.
Com o autor preso e a arma recuperada, a ocorrência segue agora para os procedimentos da Polícia Civil, que dará sequência à investigação e às providências de Polícia Judiciária.






