A manhã desta segunda-feira (02) começou com política de bastidor, mas em linguagem que o eleitor entende. Em uma live realizada na redação do Divinews, o deputado estadual Professor Wendel e Fabiano Tolentino detalharam como funciona o chamado “mandato compartilhado”, modelo que pretende dividir trabalho, decisões e emendas, sem criar um segundo mandato formal.
A conversa não foi apenas didática. Ela também foi estratégica. A dupla apresentou o formato como resposta a um problema antigo do interior: deputado tem base grande, agenda impossível e demandas que chegam ao mesmo tempo. A proposta, segundo eles, é trocar a lógica do “deputado sozinho em todo lugar” por uma engrenagem de dupla, com divisão de território e de responsabilidades, mas com regras escritas e auditáveis.
Na explicação do deputado, o mandato compartilhado já existia na prática em experiências municipais, mas ganhou contornos mais claros com a evolução das regras eleitorais. Ele citou casos de mandatos compartilhados anteriores e afirmou que agora o modelo entra em um ciclo em que a Justiça Eleitoral reconhece formalmente essa forma de organização.
O ponto central da live foi separar mito de realidade. Não são “2 deputados”. É 1 deputado eleito, com 1 co-deputado estruturado por contrato. O deputado resumiu assim: “É um deputado e um co-deputado”, e reforçou que não existe “2 salários”, porque o custo declarado do gabinete não muda.
Tolentino detalhou o que, na prática, dá sustentação ao modelo: um contrato público. Nesse documento, as partes definem como o mandato será operado, quais áreas cada um conduz, como será a divisão de tarefas e, principalmente, o que acontece quando surge divergência.
O desenho apresentado prevê uma divisão regional, com Tolentino atuando como referência territorial no Centro-Oeste, no formato de “deputado distrital”, palavra usada por eles para explicar foco de atuação e entrega regional. No argumento, isso facilita presença, leitura de demandas e rapidez para acompanhar execução de obras e recursos.
Na parte mais objetiva, o deputado explicou a divisão de emendas. Segundo ele, o mandato pode estabelecer porcentuais, como 50% de indicação de um e 50% do outro. A ideia é evitar guerra interna por recurso e transformar emenda em pacto, não em disputa.
Mas o ponto que mais chamou atenção foi o mecanismo de desempate. Se o deputado for contra uma pauta e o co-deputado for a favor, a decisão não ficaria no “quem manda mais”. Eles disseram que o contrato prevê uma comissão com 5 pessoas para deliberar quando houver choque de posição, e o que a comissão decidir passa a orientar o voto e a conduta do mandato.
Esse trecho tem peso político porque admite uma realidade comum: aliados não concordam em tudo. Ao reconhecer isso, a dupla tenta vender um diferencial, transformar divergência em regra, e não em crise. O deputado reforçou que esse arranjo exige humildade e sintonia de princípios, porque sem alinhamento o compartilhamento vira disputa diária.
Durante a live, também apareceu uma dúvida recorrente do eleitor: “vai revezar o cargo, 2 anos para um e 2 para outro?”. A resposta foi direta. Eles explicaram que a legislação ainda não permite esse tipo de alternância formal no mesmo mandato. O que existe, segundo a explicação, é divisão real de trabalho e de emendas, com 1 representante jurídico do mandato e o co-deputado atuando por contrato.
Tolentino detalhou esse ponto de forma mais técnica: o mandato tem 1 figura jurídica perante a Justiça Eleitoral e a Assembleia. O restante se organiza como co-deputados, definidos em contrato público, registrado, com cláusulas sobre gabinete, agenda, emendas e atuação.
No final, a live mudou de didática para análise política. O entrevistador puxou o tema da polarização nacional e pediu leitura do cenário de Minas, com disputa ao governo e rearranjos na direita e na esquerda.
Tolentino apontou tendência de polarização e disse não enxergar, por ora, um nome que quebre totalmente essa lógica. Ele mencionou que alguns movimentos podem tentar ocupar o centro, mas avaliou que o embate tende a continuar marcado por campos bem definidos.
O deputado, por sua vez, situou o projeto deles no campo do centro-direita e citou caminhos partidários em estudo, com atenção ao desenho final das candidaturas e alianças.
No conjunto, a live serviu como peça de esclarecimento e de pré-campanha. De um lado, a dupla tenta apresentar uma inovação organizacional para justificar presença e entrega regional. De outro, já começa a posicionar o mandato dentro do mapa eleitoral de 2026, com discurso de território, resultado e “política com método”.
A proposta agora entra no teste que realmente importa: o eleitor. Se o público comprar a ideia de que 2 cabeças, com regra e contrato, entregam mais do que 1 sozinho, o mandato compartilhado pode virar tendência. Se virar apenas marketing, morre na primeira crise.






