CNJ afasta desembargador por absolver estuprador e PF investiga novas vítimas

Magid Nauef Láuar perde o cargo cautelarmente após fundamentar "vínculo afetivo" em estupro de criança; investigadores da Polícia Federal já ouviram cinco vítimas, incluindo uma residente no exterior.

Publicado por: Cassia Misael

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sacudiu os pilares do Judiciário mineiro nesta semana ao determinar o afastamento imediato do desembargador Magid Nauef Láuar. A decisão drástica responde a uma série de denúncias gravíssimas que ligam o magistrado a condutas inadequadas e possíveis crimes sexuais. Dessa forma, a medida cautelar busca blindar as investigações contra qualquer interferência, garantindo que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) preserve o mínimo de confiança pública durante o processo.

O estopim: A “consensualidade” com uma criança

A crise em torno do magistrado ganhou corpo principalmente devido a um voto proferido por ele em um caso de estupro de vulnerável. Na ocasião, Láuar absolveu um homem de 35 anos que abusou de uma menina de apenas 12 anos. O desembargador chocou a opinião pública ao sustentar que existia um “vínculo afetivo consensual” entre o agressor e a vítima. No entanto, a legislação brasileira proíbe qualquer interpretação de consenso em relações com menores de 14 anos, classificando tal ato como crime hediondo independentemente da vontade da criança.

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Polícia Federal entra em cena

Além do polêmico entendimento jurídico, o cenário se agravou com a entrada da Polícia Federal no caso. Segundo o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, os investigadores já colheram depoimentos de cinco possíveis vítimas do magistrado. Um detalhe importante reforça a dimensão internacional do escândalo: uma das denunciantes reside fora do Brasil e prestou depoimento por cooperação jurídica. Consequentemente, a complexidade das acusações exigiu que o CNJ agisse com rapidez para evitar que o poder do cargo obstruísse a coleta de novas evidências.

As punições no horizonte

Enquanto o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) avança, o desembargador permanece proibido de frequentar o tribunal ou proferir qualquer decisão. Caso o colegiado comprove as irregularidades, a sanção máxima na esfera administrativa é a aposentadoria compulsória. Contudo, as investigações da Polícia Federal podem levar o caso para o campo criminal, onde as penas são de reclusão.

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