Erro em dose de adrenalina tira vida de menino de 6 anos e reacende alerta sobre segurança no atendimento infantil

Caso de Benício expõe falhas graves no atendimento do Hospital Santa Júlia e leva médica a admitir o erro que resultou na morte do menino de 6 anos.

Publicado por: Cassia Misael

Um episódio dramático envolvendo erro médico e a morte de uma criança. Benício Xavier, de apenas 6 anos, perdeu a vida após receber doses incorretas de adrenalina diretamente na veia, no Hospital Santa Júlia, em Manaus. A médica responsável pela prescrição admitiu o erro durante o depoimento prestado à Polícia Civil na sexta-feira (28), conforme informações do relatório oficial. A técnica de enfermagem que aplicou a medicação também foi ouvida. Ambas chegaram à delegacia com o rosto coberto.

Delegado afirma que prescrição colocou a criança em risco extremo

O delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, solicitou a prisão preventiva da médica. Ele alegou que Benício foi vítima de homicídio doloso, modalidade que se caracteriza quando há intenção de matar ou assunção do risco de causar a morte. Segundo Martins, a prescrição da adrenalina intravenosa em doses elevadas e repetidas colocou a criança em uma situação crítica, incompatível com o quadro clínico inicial.

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A Polícia Civil identificou a médica como a profissional que determinou a aplicação de três doses de adrenalina de 3 ml a cada 30 minutos. A técnica de enfermagem, por sua vez,executou a aplicação.

De tosse seca à tragédia: a rápida piora de Benício após a primeira aplicação

Benício chegou ao Hospital Santa Júlia com tosse seca e suspeita de laringite. A médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e a série de doses de adrenalina. Segundo o pai, Bruno Freitas, a família chegou a questionar a técnica sobre o medicamento, mas não recebeu esclarecimentos antes do início da aplicação.

A piora de Benício foi imediata. Seus níveis de oxigenação despencaram para 75%, e ele precisou ser levado para a sala vermelha. Uma segunda médica foi chamada às pressas. A criança acabou internada em um leito de UTI, mas o quadro evoluiu de forma irreversível: paradas cardiorrespiratórias sucessivas, necessidade de intubação e ausência de resposta às manobras de reanimação. Benício morreu às 2h55 da madrugada de domingo (24).

Hospital afasta profissionais e abre investigação interna

Em nota oficial, o Hospital Santa Júlia informou que afastou tanto a médica quanto a técnica de enfermagem envolvidas no atendimento. A instituição também comunicou a abertura de uma investigação interna para apurar a conduta da equipe e eventuais falhas nos protocolos.

O caso, denunciado pelos pais na segunda-feira (25), ganhou forte repercussão e mobilizou órgãos de fiscalização e conselhos profissionais da área da saúde. A Polícia Civil segue colhendo depoimentos e aguardando laudos técnicos para anexar ao inquérito.

A família de Benício exige justiça e afirma que não descansará até que todos os responsáveis sejam responsabilizados.

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