Uma ação integrada da Polícia Federal e da Receita Federal, realizada nesta quarta-feira (12), no Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais, desvendou uma tentativa ousada de transporte de drogas. Um adolescente de apenas 16 anos foi apreendido enquanto transportava 19 quilos de haxixe, cuidadosamente camuflados em sacos de açaí congelado, dentro de uma caixa de isopor.
De acordo com a investigação, o jovem havia embarcado em Manaus (AM) com destino final a Recife (PE), passando por Belo Horizonte. O esquema era engenhoso: 17 embalagens plásticas de açaí congelado foram preparadas para esconder blocos compactos de haxixe, envoltos em camadas de plástico e cuidadosamente moldados para simular o formato e o peso do alimento. A aparência e o odor característico da fruta amazônica foram utilizados como disfarce para tentar enganar os equipamentos de inspeção e os agentes fiscais.
Durante a abordagem de rotina, os policiais desconfiaram do conteúdo da caixa, que exalava um cheiro levemente distinto do habitual. Ao passar o material pelo raio-x, a equipe percebeu a presença de substâncias sólidas não compatíveis com produtos alimentícios. O conteúdo foi aberto e, dentro de cada saco de açaí congelado, encontraram-se porções compactadas de haxixe, totalizando 19 quilos da droga.
A audácia do transporte chamou a atenção das autoridades. Além da droga, o adolescente portava uma carteira de identidade falsa, provavelmente utilizada para evitar suspeitas durante o embarque. Ele foi imediatamente apreendido e conduzido à Polícia Civil, que dará prosseguimento às investigações. A PF apura agora quem seriam os responsáveis pela remessa da droga e qual seria o destino final da carga ilícita.
O haxixe, segundo a Polícia Federal, é um derivado da resina extraída das flores da planta Cannabis sativa, com altíssimo teor de tetraidrocanabinol (THC), o composto psicoativo da maconha. É considerada uma droga de grande potência, com efeitos mais intensos e duradouros, e o seu tráfico é tipificado como crime grave pela Lei nº 11.343/2006.
Fontes ligadas à operação destacaram que o caso evidencia a criatividade e o nível de organização das redes de tráfico interestadual, que frequentemente recrutam adolescentes para o transporte de entorpecentes, aproveitando-se da vulnerabilidade social e da percepção equivocada de que menores estariam protegidos por penalidades mais brandas.
“O modo como a droga estava embalada mostra o quanto as organizações criminosas vêm se sofisticando. O disfarce com açaí congelado é inusitado e só foi descoberto graças à experiência dos agentes e ao rigor das fiscalizações”, relatou um dos policiais federais que participou da ação.
O adolescente apreendido ficará à disposição da Justiça da Infância e da Juventude. Já a droga e o material utilizado no transporte foram encaminhados ao laboratório da Polícia Federal para análise pericial.
A operação reforça a importância da atuação conjunta entre PF e Receita Federal nos aeroportos brasileiros, que têm se tornado alvos frequentes do tráfico aéreo. As equipes de fiscalização vêm intensificando a vigilância sobre bagagens e encomendas despachadas, especialmente em voos que partem da Região Norte do país com destino ao Nordeste, rota já conhecida pelo escoamento de drogas para consumo e distribuição.
A apreensão de quase 20 quilos de haxixe escondidos em embalagens de açaí não apenas frustra uma tentativa de tráfico interestadual, mas também evidencia o avanço das técnicas de detecção das autoridades aeroportuárias brasileiras. O episódio serve como alerta sobre a crescente sofisticação das estratégias do crime organizado e a necessidade de vigilância constante nos portos e aeroportos do país.






