Na madrugada de domingo (2 de novembro), em São João del‑Rei, no Campo das Vertentes, um homem de 34 anos, com deficiência auditiva, deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento da cidade com ferimentos gravíssimos. Ele havia sido violentamente agredido em uma casa de shows na avenida 31 de Março segundo relato da vítima, transmitido por meio de linguagem de sinais à Polícia Militar de Minas Gerais. Os exames médicos apontaram que o surdo sofreu entre oito e dez costelas fraturadas, além de um quadro pré‐existente de pneumonia que complicou ainda mais seu estado.
Conforme a vítima contou, um vizinho o conduziu até o local da festa no início da madrugada. No interior da casa de shows, ele foi abordado por várias pessoas que o agrediram sem que ele entendesse claramente o motivo. Ele não conseguiu identificar os autores no momento, mas garantiu que os reconheceria visualmente se os visse novamente. A polícia fez buscas nas imediações, mas não realizou prisões até o momento. A família foi comunicada e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais.
A divulgação do fato em redes sociais locais gerou revolta e apreensão entre moradores e entidades que defendem os direitos das pessoas com deficiência. Em perfis ligados à cidade, como o perfil “Pop News” de São João del-Rei, circulavam mensagens de solidariedade à vítima, bem como registros imprecisos sobre “briga generalizada em baile” no bairro Colônia do Marçal. Ainda assim, detalhes como motivos da agressão, envolvimento de segurança do local ou se a deficiência auditiva da vítima teve influência direta permanecem sem esclarecimento público.
Autoridades de segurança pública de Minas afirmam que a agressão coloca em evidência dois problemas graves: a segurança em casas de shows de interior, sobretudo nas madrugadas, e a vulnerabilidade de pessoas com deficiência em ambientes festivos. Ainda não há confirmação se câmeras de segurança do estabelecimento foram requisitadas, nem se o local tinha autorização para funcionar na madrugada da data. A polícia investiga também se o surdo foi efetivamente levado ao local contra a sua vontade ou se permitiu ingresso consciente, e se existiram provocações ou embriaguez dos autores que justificaram a violência.
A família da vítima já buscou apoio de órgãos de defesa dos direitos humanos e de pessoas com deficiência, pedindo que o caso seja tratado com prioridade e que mecanismos de acessibilidade e segurança em eventos sejam reforçados. O surdo permanece internado no Hospital Nossa Senhora das Mercês, para onde foi transferido após a gravidade dos ferimentos.






