O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) vive um dos momentos mais delicados de sua carreira política. A relação turbulenta com o bolsonarismo, que o projetou nacionalmente em 2022, agora ameaça virar o maior revés de sua trajetória, e, segundo analistas, pode ter reflexos diretos dentro de sua própria família, o clã político que se formou a partir dele.
Cleitinho entrou na política em 2016, eleito vereador por Divinópolis, quando ainda não havia polarização ideológica intensa no país, entre esquerda, direita, nem Bolsonarismo e Lulismo. À época, o então vereador chegou até a elogiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que demonstrava o quanto sua atuação inicial estava distante dos debates nacional. Em 2018, foi eleito deputado estadual para a Assembleia Legislativa de Minas e assumiu o mandato em 2019, já sob o governo Jair Bolsonaro, eleito presidente, em disputa com Fernando Haddad, já que Lula foi inviabilizado pelo Juiz parcial Moro, e que mais tarde, sem trocar de roupa, tornou-se ministro de quem ele ajudou a eleger.

Mas recentemente, já neste ano, 2025, após ter atitudes que desagradavam absurdamente os bolsonarista por em diversas votações e discursos, ia na contramão da cartilha dos considerados “raiz”
ao afirmar que não apoiaria automaticamente qualquer candidato indicado por Bolsonaro para 2026 — e ao descartar publicamente Eduardo Bolsonaro como nome viável —, Cleitinho rompeu com o discurso de fidelidade total esperado pelo núcleo duro do ex-presidente. A reação mais violenta ate que demorou. Até que o deputado Cristiano Caporezzo, do PL, partido do ex-presidente o acusou abertamente de traição. O ápice ainda estava por vir, e veio nesta última quinta-feira (23), quando o senador, Eduardo Bolsonaro que está nos Estados Unidos tramando contra o Brasil, um descarado traidor da Pátria, se manifestou contra uma fala de Cleitinho, que disse não ser o “03” um bom nome para ocupar a Presidencia. Eduardo Bolsonaro, por meio de um post rebateu: “imprudente foi darmos a vaga do Senado para você”.
Após as veementes e ácidas críticas, Cleitinho tentou recuar, pedindo desculpas e reafirmando lealdade, mas as redes sociais se voltaram contra ele. Os principais perfis bolsonaristas passaram a atacá-lo, classificando-o como “traidor” e “infiltrado”. O episódio revelou que, dentro do bolsonarismo, não há espaço para pensamento independente: ou se segue a cartilha, ou se é descartado.
Fato é que as redes sociais, especialmente o Twitter, os ataques ao senador Cleitinho, chegou a estar no trendig topics nesta última quarta e quinta-feira, com posts agressivos contra o senador. E os comentários em qualquer posts em redes sociais, lhe é altamente desfavorável.
Agora, a crise de imagem de Cleitinho ameaça abalroar o capital político da família Azevedo, um dos grupos mais influentes de Divinópolis. Analistas políticos avaliam que, dependendo da onda negativa que se formar, o desgaste do senador pode respingar diretamente em seu irmão gêmeo, o prefeito Gleidson Azevedo, que mantém pretensão velada de disputar uma cadeira na Câmara Federal nas eleições de 2026.
Gleidson, eleito e reeleito como “o irmão do Cleitinho”, construiu sua base sobre o prestígio e o discurso moralista e populista pirotécnico/fiscalizador do senador. Uma crise prolongada pode comprometer irreversivelmente seus planos eleitorais, sobretudo se a rejeição de Cleitinho crescer entre os bolsonaristas de raiz. Grupo que também é parte essencial do eleitorado de Gleidson.
O mesmo raciocínio se aplica ao deputado estadual Eduardo Azevedo, outro irmão do senador. Eduardo foi eleito vereador em 2020 impulsionado pela força do sobrenome e, dois anos depois, chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais com o mesmo slogan: “irmão do Cleitinho”. A sombra do desgaste familiar, caso avance, pode ameaçar sua reeleição em 2026.
O clã Azevedo, que sempre surfou na popularidade de Cleitinho, agora enfrenta o paradoxo de depender de um nome que pode se tornar um fardo eleitoral. A imagem do senador, antes símbolo da direita moralizadora e combativa, passa a ser questionada dentro do próprio bolsonarismo — e o impacto dessa ruptura ainda está longe de ser totalmente medido.
O resumo da ópera é que Cleitinho Azevedo teve a “petulância”, de pensar fora da caixinha dos bolsonaristas, que o seguem cegamente, sem nenhuma análise intelectual e sem vontade própria, no sentido literal de manada. Parodiando a brincadeira de criança, Boca de forno, “Tudo que seu mestre mandar, Faremos todos”, sem excessão e cegamento.
O que se apresenta no momento, Cleitinho, se conseguir, terá imensas dificuldades em convencer os bolsonaristas mais extremados, os radicais, da extrema direita, que o seu pedido de perdão é verdadeiro.
E em síntese, é preciso esperar as próximas pesquisas para verificar se o terremoto de suas declarações, e seu pedido de perdão foi aceito, pelos bolsonaristas. Para isso a sua liderança folgada terá que se repetir, e ainda poderá ser um parâmetro para sua independência política, independentemente do clã bolsonarista, o senador poderá seguir tranquilo construindo seu próprio clã na política. É aguardar os números.
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