Basta uma nuvem escura aparecer no céu para o medo tomar conta do bairro Serra Verde, em Divinópolis. Desde as enchentes de outubro e dezembro de 2024, a moradores vive em alerta. As águas deixaram rastros de destruição e o sentimento de insegurança permanece.
De lá para cá, quase nada mudou. Moradores afirmam que as obras anunciadas pela Prefeitura ainda não garantem a tranquilidade que esperam. O Divinews ouviu relatos de quem vive o drama de perto e cobra respostas concretas do poder público.
“Estão colocando umas manilhas lá embaixo, na rua Pelicano, mas ninguém sabe se vai resolver aqui em cima”, desabafa Alessandra, moradora do bairro. Ela questiona se a Defesa Civil realmente acredita que a obra dará fim às enchentes. “A gente quer uma garantia, porque nosso problema é aqui, nesse pedaço. Se não fizerem obra aqui, não resolve nada.”
As dúvidas se estendem à responsabilidade do município. “Essas casas foram autorizadas pela Prefeitura e pela Caixa. Ninguém invadiu. Todo mundo pagou, com suor. Então por que agora a culpa é nossa?”, questiona, Alessandra. Segundo ela, o município deveria dividir a responsabilidade e oferecer apoio às famílias que ainda sofrem com prejuízos emocionais e materiais.
Durante a primeira enchente, em 2024, os moradores receberam auxílio. A vice-prefeita visitou o local, e a população enviou doações. A EMOP ajudou na limpeza das casas. Porém, o cenário mudou na segunda enchente. “Ninguém apareceu. Nem vice, nem prefeito. O aluguel social foi prometido por seis meses e cortado. Tive que entrar na Justiça para conseguir de novo”, relata Alessandra, moradora que ainda vive de aluguel por medo de voltar.
Alto de enchente
Ela explica que a Defesa Civil classificou a área com risco alto de enchente. Mesmo assim, o auxílio foi interrompido. “Cortam o aluguel e querem que a gente volte para casa com risco alto. Não faz sentido. Não fizeram obra nenhuma”, protesta.
As casas mais próximas ao córrego seguem abandonadas. “Tem gente que saiu e não voltou. Outras estão vazias. Eu mesma não consigo dormir tranquila. Qualquer nuvem, a gente corre para rua para ver se a água subiu”, conta outra moradora.
O medo se transformou em rotina. “A gente perdeu fotos, móveis, lembranças. Perdeu o sossego. Forma uma nuvem no céu, acabou a paz. Não tem mais tranquilidade”, diz.
Os moradores pedem a presença do prefeito ou da vice-prefeita no local. “A gente não quer briga, só uma solução. Queremos uma obra que garanta que a água não vai entrar mais nas casas. Só isso”, pedem.
Gislene, outra moradora do bairro e próximo ao córrego, reforça a cobrança: “Falam que a obra lá embaixo resolve, mas a gente duvida. A água vem pra cá e fica tudo submerso. Falam que o córrego foi limpo, mas não foi. O problema continua. A gente só quer segurança para não perder tudo de novo.”
Enquanto as máquinas trabalham em outros pontos, o clima no Serra Verde é de tensão. O medo virou companheiro diário. Os moradores seguem cobrando respostas e esperando que, dessa vez, as promessas se transformem em proteção real.






