Um levantamento divulgado pelo Estado de Minas mostra que Divinópolis figura em 29º lugar no ranking estadual de cidades que mais gastaram recursos de emendas Pix em shows musicais no ano de 2025, com um total de R$ 328 mil aplicados em apenas 4 apresentações. Esse dado coloca a cidade entre os 30 maiores gastadores desse tipo de verba pública no estado — mesmo diante de crises em saúde, educação e infraestrutura.
Os dados revelam ainda que, entre 83 municípios mineiros, foram consumados cerca de R$ 29 milhões em emendas destinadas a shows desde 2023. Algumas cidades menores lideram o ranking, ostentando cifras milionárias, enquanto Divinópolis se posiciona no grupo intermediário, mas ainda expressivo.
Top do ranking: cifras milionárias
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Vespasiano (Grande BH): R$ 2,6 milhões distribuídos em 13 shows, lidera a lista estadual de cidades que “torraram” verbas em apresentações.
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Pirapetinga (Zona da Mata): R$ 2,1 milhões em shows bancados por emendas Pix.
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Ituiutaba (Triângulo): R$ 1,7 milhão
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Gurinhatã: R$ 1,5 milhão
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Itambacuri: R$ 1,2 milhão
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Nanuque: R$ 1 milhão
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Ainda segundo o levantamento do Estado de Minas, os valores pagos a artistas por meio das emendas Pix impressionam e revelam o tamanho da “farra” com dinheiro público. Entre os principais cachês, o sertanejo Gusttavo Lima lidera a lista com R$ 1,7 milhão recebidos em apenas dois shows. O cantor Zé Neto & Cristiano aparece logo em seguida, com R$ 1,2 milhão. A dupla Maiara & Maraisa levou R$ 900 mil, enquanto Luan Santana recebeu R$ 800 mil. Já João Gomes, fenômeno do piseiro, abocanhou cerca de R$ 700 mil em apresentações custeadas com recursos de emendas. Outros nomes também apareceram na relação, como Bruno & Marrone (R$ 650 mil) e Hugo & Guilherme (R$ 500 mil). Em conjunto, essas apresentações bancadas com dinheiro público somaram mais de R$ 29 milhões apenas em Minas Gerais — o que, segundo especialistas, escancara o desvirtuamento das verbas que deveriam ser aplicadas em serviços essenciais, e não em palcos políticos disfarçados de entretenimento.
Embora a prática de usar emendas para shows não seja proibida em si, especialistas afirmam que o uso massivo dessas verbas em eventos culturais — especialmente em ano pré-eleitoral pode configurar distorção política e instituição de “palanque pago”, desviando recursos de áreas essenciais.
“É show com dinheiro público em cidades que muitas vezes sequer têm hospital ou infraestrutura básica. Não é necessariamente corrupção, mas é um uso populista que favorece quem já detém poder político”, critica o cientista político Carlos Ranulfo.
Em Divinópolis, R$ 328 mil foram aplicados em quatro apresentações musicais, sem audiência pública clara ou transparência sobre o processo de escolha artística. Para muitos, é dinheiro “torrado” em distrações quando a prioridade deveria ser saúde, educação e pavimentação.
Esses foram alguns dos shows em Divinópolis que foram de iniciativa da Prefeitura
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Celebra Divinópolis 2024
Evento realizado em 26 de outubro de 2024 na Praça da Bíblia. A programação incluiu show infantil com a banda Três Palavrinhas às 17h30 e, como atração principal, o cantor Anderson Freire, às 20h. -
Festa da Moda 2024
A prefeitura contratou a Banda 14 Bis para o encerramento da Festa da Moda, em 19 de outubro de 2024, em evento com entrada gratuita. -
Divina MotoFest 2025
Evento de motociclismo com shows musicais e estrutura de entretenimento gratuito, realizado entre os dias 25 a 27 de julho de 2025. Destaques da programação incluíram a banda Raimundos e o cover Brazzuza (Cazuza). -
Divino Inverno 2025
Festival cultural com shows gratuitos entre os dias 15, 16 e 17 de agosto de 2025, na Praça do Santuário.-
Sexta, 15/08: espetáculo “Viva Legião Urbana”, com Dado Villa-Lobos e Orquestra Opus
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Sábado, 16/08: show da banda Lagum e gravação de DVD da banda local Dias de Truta
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Domingo, 17/08: atrações infantis e apresentação da Galinha Pintadinha para encerrar o festival
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O que é emenda PIX
A emenda Pix é um tipo de repasse criado em 2021 que permite que deputados e senadores enviem dinheiro público diretamente para estados e municípios, sem necessidade de convênio, projeto ou prestação de contas detalhada ao governo federal — o que dá mais liberdade aos prefeitos sobre como gastar o recurso.
Essas emendas são chamadas de “Pix” porque o valor é transferido diretamente para as contas das prefeituras, em pagamento único e rápido, de forma semelhante à transação bancária digital.
Na prática, diferem das emendas tradicionais, pois dispensam etapas de análise técnica e fiscalização prévia, tornando o processo ágil, mas também menos transparente. Isso tem gerado críticas de especialistas e órgãos de controle, que apontam risco de uso político e irregular dos recursos, especialmente em anos eleitorais, como o caso de cidades que usam essas verbas para bancar shows e festas públicas, em vez de aplicá-las em saúde, educação ou infraestrutura.
Em resumo, a emenda Pix é um repasse sem burocracia, mas com alto potencial de desvio de finalidade e favorecimento político, dependendo da forma como é utilizada.






